David Moir/Reuters
O ator Sean Connery em 2003, na estreia de 'A Liga Extraordinária' David Moir/Reuters

Os melhores filmes de Sean Connery

Sean Connery morreu aos 90 anos; veja a filmografia essencial do ator que ficou famoso pelo papel de James Bond

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2020 | 12h58

Sean Connery, ator revelado com 007, franquia que o tornaria astro do cinema internacional, fez bons filmes que vão além do universo de James Bond.

Conheça a filmografia essencial do ator Sean Connery, que morreu neste sábado, 31, aos 90 anos.

Os melhores filmes de Sean Connery

007 Contra o Satânico Dr. No

De Terence Young, 1962. O primeiro 007 a gente não esquece. Jamaica, Honey/Ursula Andress saindo do mar naquele biquíni e Connery na medida exata da fisicalidade, mais o humor. “My name is Bond, James Bond.”

 

Marnie, As Confissões de Uma Ladra

De Alfred Hitchcock, 1964. O fecho da trilogia edipiana do mestre do suspense. Sua obra-prima forense. Connery como o marido que tenta liberar Tippi Hedren do trauma infantil que reprime sua sexualidade.

 

 

Sublime Loucura

De Irvin Kershner, 1966. Connery como o poeta libertário Samson Shillittoe. Um dos grandes filmes pouco reconhecidos dos anos 1960.

 

Com 007 Só se Vive Duas Vezes

De Lewis Gilbert, 1967. James Bond no Japão, e mais machista e racista do que nunca. Nenhum filme da série é correto, mas esse é totalmente incorreto. Para muitos críticos, é o melhor de todos (e com todos os atores que fizeram o papel).

 

 

Ver-te-ei no Inferno

De Martin Ritt, 1970. Connery como líder de uma organização terrorista de mineiros na Pensilvânia do século 19. No grupo, há um delator. Outro monumento de cinema que a crítica hesita em reconhecer.

 

Robin e Marian

De Richard Lester, 1977. A versão crepuscular do mito do ladrão da Floresta de Sherwood. Connery como o velho Robin e Audrey Hepburn como Marian, que entrou para o convento.

 

 

Os Intocáveis

De Brian De Palma, 1987. Connery como Malone, o melhor amigo de Elliott Ness/Kevin Costner. Oscar de melhor ator coadjuvante e a homenagem à escadaria de Odessa.

 

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Sean Connery virou astro da noite para o dia; só mais tarde ele se tornaria também um grande ator

De vilão em 'Tarzan' a James Bond: conheça a trajetória meteórica de Sean Connery, que morreu aos 90 anos

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2020 | 12h04

Em 25 de agosto, em pleno isolamento da pandemia, Sean Connery completou 90 anos. Nasceu em 1930, em Fountainbridge, Edimburgo, no Reino Unido. Thomas Sean Connery militou pela independência da Escócia, mas há muito tempo fixara residência em Nassau, nas Bahamas, para fugir ao rigor do Fisco britânico. E foi nas Bahamas que Sean Connery morreu, neste dia 31, em que se comemora o Halloween. No imaginário do público, ele foi talvez o melhor intérprete de James Bond, formatando o agente com licença para matar em filmes de grande apelo popular. Nunca quis ficar preso ao papel e levou uma importante carreira paralela, fazendo grandes filmes de grandes diretores.

Filho de pai católico e mãe protestante, Connery foi leiteiro na juventude. Trabalhou como motorista de caminhão e modelo vivo para artistas do Colégio Real de Artes de Edimburgo. Terceiro colocado no concurso de Mister Universo, foi levado por um amigo para fazer um teste para o musical South Pacific/Ao Sul do Pacífico. Aprovado, participou do coro da peça. Estreou no cinema, sem crédito, fazendo ponta em Lilacs in the Spring, de 1955. Nos quatro anos seguintes continuou fazendo pequenos papéis em filmes e peças, até A Maior Aventura de Tarzan, de John Guillermin, de 1959. O filme é considerado um dos melhores com o personagem criado pelo escritor Edgar Rice Burroughs. Connery faz o vilão – Gordon Scott é Tarzan.

Em 1962, a história mudou quando foi escolhido para interpretar James Bond em Dr. No - no Brasil, 007 Contra o Satânico Dr. No. Criado pelo escritor Ian Fleming, 007 tornara-se um fenômeno nos livros quando o então presidente John F. Kennedy disse que seguir suas aventuras era o maior divertimento para aliviar as tensões do cargo. Terence Young, que dirigiu o filme, contava que não foi fácil ensinar etiqueta e elegância ao rude escocês, mas o público imediatamente correspondeu e Sean Connery virou astro, da noite para o dia. Seguiu fazendo o personagem em Moscou Contra 007 (Terence Young), 007 Contra Goldfinger (Guy Hamilton), 007 Contra a Chantagem Atômica (Young) e Com 007 Só se Vive Duas Vezes (Lewis Gilbert). Cansado da figura, rompeu com o papel, mas voltou mais uma vez em 007 os Diamantes São Eternos (Hamilton). Nos anos 1980, e dessa vez fora da série oficial, despediu-se do papel em Nunca Mais Outra Vez, de Irvin Kershner.

Connery tinha o physique du rôle e o humor cínico de 007. Cada vez mais à vontade no papel, ele seguiu nos anos 1960 e 70 uma carreira paralela. Filmou com Alfred Hitchcock (Marnie, Confissões de Uma Ladra), Irvin Kershner (Sublime Loucura), Martin Rtitt (Ver-te-ei no Inferno, seu maior filme), John Huston (O Homem Que Queria Ser Rei) e Richard Lester (Robin e Marian). Manteve uma bem sucedida parceria com Sidney Lumet (A Colina dos Homens Perdidos, O Golpe de John Andersen, Até os Deuses Erram, Assassinato no Orient Express). Foi com esses diretores que Connery fez a passagem de astro para (grande) ator. Tornou-se respeitado, tanto quanto admirado. Ganhou o Bafta de melhor ator de 1986 por O Nome da Rosa, que Jean-Jacques Annaud adaptou do livro de Umberto Eco, e o Oscar de melhor ator coadjuvante por Os Intocáveis, de Brian De Palma, em 1987. Dois anos depois, Steven Spielberg fez dele o pai de Indiana Jones em A Última Cruzada. A forma irônica como ele chamava Harrison Ford de 'Júnior' contribuiu, e muito, para o charme do filme.

Foi uma bela carreira, mas houve momentos controversos. Em 1965, totalmente imbuído do machismo de 007, Sean Connery disse numa entrevista que já havia batido em mulheres. Até aconselhou – não se devia bater nelas como num homem. Um tapa aberto, dizia, podia ser suficiente. Em 1971, para voltar a ser 007 (Os Diamantes São Eternos), ganhou o maior salário pago a um ator, na época. Deu-o integralmente para as crianças pobres da Escócia. Embora defendesse a independência e ajudasse a financiar o Partido Nacional Escocês, não resistiu e virou sir do império britânico – numa cerimônia que, a seu pedido, foi realizada na Escócia e à qual compareceu vestido com o traje típico, o kilt, em 2000. Recebeu também a Légion d'Honneur da França. O fracasso de público e crítica de A Liga Extraordinária, em 2003, deixou-o desgostoso com o cinema. Emprestou a voz a alguma animação, e só. Teve sérios problemas de saúde – nódulos na garganta que se revelaram malignos, catarata nos dois olhos. Morreu pacificamente, dormindo.

 

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Sean Connery, intérprete de James Bond, morre aos 90 anos

Ícone do cinema e vencedor de um Oscar, Sean Connery se consagrou no papel do agente secreto 007

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2020 | 09h36
Atualizado 01 de novembro de 2020 | 15h56

O ator escocês Sean Connery morreu aos 90 anos. O anúncio foi feito na manhã deste sábado, 31, pela família do ator à BBC. Ícone do cinema e mais conhecido pelo papel do agente James Bond, Sean Connery morreu enquanto dormia, durante uma estadia em Nassau, nas Bahamas. De acordo com a BBC, o ator enfrentava problemas de saúde havia algum tempo. Ele celebrou o último aniversário em agosto.

"É um dia triste para todos que conheciam e amavam meu pai e uma perda para todas as pessoas ao redor do mundo que admiravam o dom maravilhoso que ele tinha como ator", disse o filho do ator, Jason Connery. Segundo ele, o pai morreu na presença de familiares.

 

Connery foi o primeiro a interpretar o icônico agente 007 nos cinemas e fez parte de sete filmes da franquia. Ele foi vencedor de um Oscar de melhor ator coadjuvante em 1988 pelo filme Os Intocáveis. O ator também venceu dois Baftas e três Globos de Ouro. 

Sean Connery foi criado em uma região pobre de Edimburgo e trabalhou como polidor de caixões, leiteiro e salva-vidas antes de a prática de musculação, um de seus hobbies, ajudá-lo a iniciar a carreira na atuação que o transformou em uma das maiores estrelas do mundo. Ele será lembrado como o primerio agente 007, criado pelo escritor Ian Fleming e imortalizado por Connery em uma série de filmes que teve início em 1962, com 007 contra o Satânico Dr. No.

Na pele do agente secreto, seu jeito cortês e humor irônico ao despistar vilões e conquistar bonitas mulheres formavam uma espécie de máscara que escondia um lado mais escuro e violento. Sua interpretação estabeleceu um alto padrão para os atores que o sucederam no papel.

Apesar de se apresentar nos filmes com a clássica frase "Bond, James Bond", Connery não era feliz por ser definido por esse papel e chegou a dizer que "odiava aquele maldito James Bond". Alto e bonito, com uma voz rouca que combinava com uma personalidade às vezes difícil, Connery interpretou uma série de papéis famosos em filmes como Marnie (1964), de Alfred Hitchcock, O Vento e o Leão (1975), Highlander (1986), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989) e A Caçada ao Outubro Vermelho (1990).

Fãs do cinema alternativo vão lembrar dele como Zed, o "Exterminador Brutal" no filme de fantasia épica Zardoz (1974), do diretor John Boorman. Connery se aposentou após uma série de desentendimentos com o diretor de seu último filme, A Liga Extraordinária, em 2003.  "Eu cansei de lidar com idiotas", disse ele.

Connery era um grande apoiador da independência da Escócia e tatuou as palavras "Escócia para sempre" no braço quando serviu à Marinha britânica. Nos anos 2000, aos 69 anos, foi condecorado pela rainha Elizabeth II e recebeu o título da ordem da cavalaria vestindo trajes típicos do país. Com esse reconhecimendo da rainha, ganhou o título de sir. /Com informações da REUTERS

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