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O escritor Stephen King AP Photo/Mark Lennihan

Os melhores filmes baseados em livros de Stephen King

Com a estreia de 'It - Capítulo 2' nos cinemas brasileiros, relembre outras importantes adaptações de Stephen King para as telas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2019 | 10h05

Com a estreia de It - Capítulo 2, nesta quinta-feira, 5, com a continuação da história de Stephen King que chegou às livrarias em 1986 e aos cinemas em 1990 e 2017 como It - A Coisa, relembre as melhores adaptações de livros de Stephen King e veja os trailers (a maioria está em inglês). Veja, também, um ranking com os melhores livros de Stephen King e uma seleção com 16 filmes de palhaços que vão te fazer perder o sono.

Carrie – A Estranha, de Brian De Palma, 1976

Pobre Sissy Spacek. Além da mãe carola (Piper Laurie), que inferniza a vida dela, tem os colegas. É bulling que não acaba mais. Um dia Carrie descobre que tem poderes cinestésicos. Consegue mover as coisas. E começa o banho de sangue. Sissy, John Travolta, Amy Irving. O baile de formatura e aquela mão saindo da sepultura. Uau! Houve um remake, em 2013, com Chloë Grace Moritz e Julianne Moore, mas não é tão bom.

 

 

O Iluminado, de Stanley Kubrick, 1980

Kubrick sempre quis fazer a obra-prima definitiva de cada gênero em que se exercitou. Mais uma vez, conseguiu. Jack Torrance/Jack Nicholson instala-se com a família naquele hotel deserto. Quer aproveitar para escrever um livro, mas é perseguido pelos fantasmas do lugar, e ele próprio pode ser um deles. O confronto decisivo é entre pai e filho, num jardim que evoca o labirinto. Stephen King odiava o filme. Pior para ele. É um clássico.

 

Creepshow – Arrepio do Medo, de George A. Romero, 1982

Pai atira gibi de terror que o filho está lendo no lixo. O vento agita as folhas da revista e as histórias adquirem vida. São contos de vingança, zumbis, assassinatos. No mais bizarro ou escastológico, milionário com mania de limpeza é atacado por uma praga de baratas.

 

Christine – O Carro Assassino, de John Carpenter, 1983

Fábrica da Chrysler, em 1957. Dois operários morrem durante fabricação de um carro. Décadas depois, o tal carro, batizado como Christine, segue matando. Carpenter, príncipe do terror, vai na contracorrente do desenvolvimento tecnológico, mas cria cenas impressionantes. Dizer que o filme assusta é pouco.

 

A Hora da Zona Morta, de David Cronenberg, 1983

Às vésperas de se casar, Christopher Walken sofre um acidente de carro e entra em coma. Cinco anos depois, ao recobrar a consciência, ele perdeu a noiva mas adquiriu a capacidade de prever o futuro. O que vê é sinistro. Cronenberg integra Stephen King à sua visão de mundo, e cinema. Como em todo filme do diretor, o protagonista vira uma aberração aos olhos de seus semelhantes.

 

Colheita Maldita, de Fritz Kiersch, 1984

Como autor de terror, Stephen King nunca acreditou no mito da inocência da infância. As crianças deste filme não apenas matam adultos como adubam com sangue a terra que vai produzir a colheita maldita. Anos depois, quase como um desdobramento, surgiu Cemitério Maldito. A Colheita Maldita foi refilmado em 2009, mais explícito, mas não tão bom.

 

Chamas da Vingança, de Mark L. Lester, 1984

Papai e mamãe foram cobaias de experimentos na juventude e Drew Barrymore nasceu com a capacidade de provocar incêndios. Vira uma arma perigosa. Uma agência do governo vai tentar cooptá-la, para tirar proveito de suas habilidades. Drew é melhor que o filme.

 

Olhos de Gato, de Lewis Teague, de 1985

Três histórias de terror ligadas por gato de rua que encontra seu destino na terceira – proteger menina de uma estranha criatura, um troll. Drew Barrymore foi indicada para prêmios e, desta vez, o próprio filme virou obra de culto.

 

Conta Comigo, de Rob Reiner, 1986

Garotos se unem para procurar cadáver numa floresta. Richard Dreyfuss, como o próprio King, é o narrador e o filme é um clássico do rito de passagem. River Phoenix, Kiefer Sutherland, as bicicletas. Muita coisa de It vem daqui, e o filme também foi, com toda certeza, a referência para Stranger Things.

 

O Comboio do Terror, de Stephen King, 1986

King radicaliza a proposta de Christine e, com base em sua história Caminhões, mostra máquinas assassinas perseguindo humanos – para matar. O próprio King, como diretor, e Emilio Estevez, ator, foram indicados para a Framboesa de Ouro como piores nas respectivas categorias.

 

Cemitério Maldito, de Mary Lambert, 1989

Família muda-se para pequena comunidade, em busca de paz. Vão morar perto de um cemitério indígena, cuja terra podre tem a capacidade de reessuscitar animais – e pessoas. Só que ninguém volta como era antes. O horror, o horror. Houve uma sequência, na época. E, recentemente, um remake. No segundo, o gato morto-vivo rouba a cena.

 

It – Uma Obra-Prima do Medo, de Tommy Lee Wallace, 1990

Amityville II, Halloween III, A Hora do Espanto II. Wallace nunca foi um grande diretor, mas beneficiou-se dos códigos do terror para pregar alguns sustos. O primeiro It não honra o título - obra-prima de terror? Não chega aos pés do remake de Andy Muschietti, de 2017, nem Tim Currry se compara a Bill Skarsgard como o palhaço assassino, mas virou cult. Por quê?

 

 

Louca Obsessão, de Rob Reiner, 1992

Obra-prima de terror? De crueldade? Kathy Bates ganhou o Oscar – e quase todos os prêmios do ano – por sua criação como enfermeira que acolhe em sua casa escritor que sofreu acidente. Ao descobrir que ele é autor de sua série favorita, e pretende matar a personagem com quem ela se identifica, Kate ameaça picotar James Caan. E não está brincando. Rob Reiner, vale lembrar, dirigiu Conta Comigo.

 

O Passageiro do Futuro, de Brett Leonard, 1992

Pierce Brosnan faz cientista que usa deficiente mental (Jeff Fahey) como cobaia de uma experiência. Liga seu cérebro a um computador e o resultado é surpreendente, mas tem volta e vira um desastre. Uma espécie de esboço para o terror psicológico de A Metade Negra.

 

A Metade Negra, de George A. Romero, 1993

Timothy Hutton faz escritor que simula o enterro do duplo que utilizava para assinar seus relatos policiais. Uma série misteriosa de assassinatos o transforma em suspeito. Será o duplo que está matando? A 'metade negra' pertence ao tipo de terror psicológico que King, volta e meia, adora desenvolver.

 

Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont, 1995

Baseado em Rita Hayworth and Shawshank Redemption, o filme mostra homem condenado à prisão perpétua pelo assassinastro da mulher e do amante dela. Ele nega o crime, não adianta. Não teria futuro na cadeia, se não se ligasse a um preso mais velho, e respeitado. Tim Robbins, Morgan Freeman, um excepcional elenco de coadjuvantes. Virou cult.

 

À Espera de Um Milagre, de Frank Darabont, 1999

De novo o diretor Darabont, outra história que se passa no meio carcerário. Michael Clarke Duncan é um negro ginagtesco, mas com alma de criança. É condenado pelo assassinato de duas crianças, mas não matou. Só um milagre, e o carcereiro Tom Hanks, poderão salvá-lo. Os grandes filmes de Darabont são a prova de que o 'rei' Stephen não é só um autor de gênero.

 

Janela Secreta, de David Koepp, 2004

Johnny Depp faz escritor que flagra o adultério da mulher e sofre colapso mental. Em crise, isola-se para escrever novo livro, mas surge estranho que pode não ser real. Ecos de O Iluminado numa história que tem um desfecho inesperado e surpreendente.

 

A Torre Negra, de Nikolaj Arcel, 2017

A magnus opus de King começou a escrita em 1970 e demorou 33 anos e sete volumes para chegar ao fim da história do Pistoleiro que busca a mítica Torre Negra e do garoto que pode ajudá-lo a destruí-la, salvando o universo. Mais fantasia que terror, o filme beneficia-se do carisma de Idris Elba e Matthew McConaughey, mas nem isso evitou o fracasso de público e crítica.

 

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Stephen King, o mestre do terror, volta ao cinema com 'It - Capítulo 2'

Estreia nos cinemas, na quinta, 5, 'It - Capítulo 2', continuação da aclamada história do escritor americano Stephen King, um dos maiores best-sellers internacionais

Redação, O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2019 | 08h36

Stephen King é um dos escritores mais prolíficos e um dos maiores best-sellers internacionais - segundo a Forbes, em 2018, ele ficou em terceiro lugar no ranking dos autores mais bem pagos do mundo, perdendo apenas para James Patterson, que não faz tanto sucesso no Brasil, e J. K. Rowling. Nascido em Portland, nos Estados Unidos, em 21 de setembro de 1947, Stephen King escreve livros de terror, ficção sobrenatural, suspense, ficção científica e fantasia. Quase todos os seus livros ganharam adatapções, também bem-sucedidas, para o cinema, séries de televisão e quadrinhos.

Chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira, 5, It - Capítulo 2, que se passa 27 anos depois dos eventos de It - A Coisa, e tem direção de Andy Muschietti. Mike (Isaiah Mustafa) percebe que o palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) está de volta à cidade de Derry. Ele convoca os antigos amigos do Clube dos Otários para honrar a promessa de infância e acabar com o inimigo de uma vez por todas. Mas, quando Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain), Ritchie (Bill Hader), Ben (Jack Ryan) e Eddie (James Ransone) retornam às suas origens, eles precisam se confrontar com traumas nunca resolvidos de suas infâncias, e que repercutem até hoje na vida adulta.

Baseado no livro homônimo de 1986, It - A Coisa teve uma versão em 1990 e outra em 2017 - que quebrou o recorde de bilheteria para longa de terror. Só no Brasil, como efeito do longa, o livro teve aumento de vendas de 290%, entre janeiro e setembro de 2017, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo a editora Suma de Letras, que publica a obra no País. Ao todo, livros de King na Suma também tiveram aumento nas vendas de 40% nos mesmos períodos. 

Stephen King é autor de livros como Revival, Mr. Mercedes, Escuridão Total Sem Estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a Redoma (que virou uma série de sucesso na TV ) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Review e ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). E ainda Quatro Estações, A Zona Morta, À Espera de um Milagre, Salem e O Iluminado, claro.

 

Ranking com os 10 melhores livros de Stephen King

Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

O leitor brasileiro também encontra nas livrarias Stephen King – A Biografia: Coração Assombrado, de Lisa Rogak, lançado pela Darkside Books.

16 filmes com palhaços macabros que vão te fazer perder o sono

 

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Enquete: qual destes filmes baseados na obra de Stephen King te dá mais medo?

Livros, contos e antologias do autor inspiraram diversas produções cinematográficas nas últimas décadas

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 07h00

Com mais de 400 obras publicadas, Stephen King é, sem dúvidas, o grande nome do terror. Livros, contos e antologias do autor serviram de inspiração para diversos filmes e séries nas últimas décadas. Agora, o Caderno 2 quer saber: qual dos filmes abaixo deixou você com mais medo?

Carrie, a Estranha (1976)

Dirigido por Brian de Palma (Scarface), o filme Carrie, a Estranha recebeu duas indicações ao oscar. O longa acompanha a jovem Carrie White (Sissy Spacek), filha da fanática religiosa Margaret (Piper Laurie) que sofre bullying na escola. Aos poucos, a garota descobre que tem poderes telecinéticos, e a trama se dirige a uma grande tragédia. 

O Iluminado (1980)

Clássico cult, O Iluminado de Stanley Kubrick foi considerado um dos 11 filmes de terror mais assustador de todos os tempos por Martin Scorsese. Na história, o escritor Jack Torrance (Jack Nicholson) se ‘refugia’ em um hotel isolado com a família, buscando paz para finalmente terminar de escrever um livro. Uma tempestade de neve faz a família ficar presa no hotel, onde coisas muito estranhas começam a acontecer.

Cemitério Maldito (1989)

A família Creed se muda para uma nova casa, localizada perto de Chicago e de um cemitério misterioso. Ninguém gosta de falar sobre o local, que esconde, entre outras coisas, um poder de ressurreição. Quando o gato dos Creeds morre atropelado, a família acaba despertando coisas terríveis.

Eclipse total  (1995)

Baseado no livro Dolores Claiborne, Eclipse Total acompanha a jornalista Selena Claiborne, filha de Dolores, empregada acusada de assassinar sua rica patroa. No elenco, estão Kathy Bates, Jennifer Jason Leigh e Judy Parfitt. 

It: A Coisa (2017)

Diversas crianças de uma pequena cidade começam a desaparecer, e um grupo se reúne para investigar o misterioso caso. Logo descobrem Pennywise, um aterrorizante palhaço que se alimenta de medo. 

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Análise: Stephen King é atual em um universo próprio

O universo criado pela imaginação privilegiada do autor te apresenta o medo em diferentes níveis

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 07h01

Stephen King é uma fonte inesgotável de inspiração para o cinema e TV desde 1976, quando o diretor Brian de Palma adaptou Carrie, com roteiro de Lawrence D. Cohen. Mas o que explica este movimento contínuo? As obras do escritor são atuais e tratam das mazelas humanas, utilizando fantasmas, pessoas com poderes psíquicos e portas (não apenas aquelas convencionais que você tem em casa) para outras dimensões, como pano de fundo.

O universo criado pela imaginação privilegiada de King te apresenta o medo em diferentes níveis. Os monstros fictícios servem para, muitas vezes, revelarem aqueles que realmente vão te fazer mal. Esqueça o palhaço assassino de IT. São adultos abusivos, colegas de escola sádicos, pais desajustados... Cenários reais e atuais.

Carrie pode até ter poderes telecinéticos, mas, lá em 1974, King, na verdade, já tratava do bullying. Pedras caíram do céu para exemplificar o sofrimento da menina que, enfim, conseguiu sua vingança contra os colegas de escola que insistiam em humilhá-la.

A luta para eliminar uma entidade maligna pode até ser o tema central da trama. Mas a presença de Beverly Marsh em IT coloca o dedo na ferida do machismo intrínseco na sociedade e joga luz na situação dos abusos sexuais cometidos por familiares.

Mas não basta ter livros atemporais. King escreve de si mesmo. O sentimento verdadeiro que ele coloca em suas obras aumenta o nível de realismo mesmo no meio de tanta fantasia. Ele descreve tão bem os sofrimentos físicos e psicológicos dos personagens porque viveu algumas das situações, com uma infância traumática, convivendo com um lar desfeito (foi abandonado pelo pai) e problemas financeiros.

O pai alcoólatra e violento de O Iluminado nada mais é que uma maneira encontrada por King para justificar a ausência da figura paterna. Mais uma vez um problema social por de trás de uma história de um garoto com poderes paranormais e assombrações, que, na realidade, não passam de delírios da mente de Jack Torrance.

Outro facilitador é que King tem uma escrita bastante descritiva. Ele fornece todos os detalhes do ambiente e dos personagens para o leitor mergulhar, sem medo, em seu universo. Claro que, muitas vezes, sua viagem para lugares distantes, seja em mundos dentro de quadros ou mulheres que se transformaram em casulos e vão para uma realidade alternativa, desafiam uma adaptação.

A Torre Negra, uma obra-prima com sete volumes - além de um livro adicional -, foi uma tentativa frustrada de levar o universo King para o cinema. As nuances de suas histórias precisam ser compreendidas antes de tirá-las do papel e levá-las para as telonas.

A verdade é que King, com o passar dos anos, se tornou cult. E Hollywood não resiste em revisitá-lo neste universo próprio muitas e muitas vezes.

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