Pixar
Pixar

‘Os Incríveis 2’ e ‘Sexy por Acidente’ estão entre as estreias da semana

Chegam aos cinemas nesta quinta, 28, ainda, ‘Auto de Resistência’, ‘50 São os Novos 30’, ‘Berenice Procura’ e ‘Sicário – Dia do Soldado’, entre outros filmes; veja trailers

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

28 Junho 2018 | 06h00

Entre as estreias de cinema desta semana, destaque para a animação Os Incríveis 2, que agrada a crianças e adultos, a comédia estrelada pela comediante norte-americana Amy Schumer, Sexy por Acidente, e o documentário Auto de Resistência, que denuncia homicídios praticados pela polícia contra civis, no Rio de Janeiro. Veja também o trailer dos filmes que estreiam nesta quinta-feira, dia 28.

ANIMAÇÃO

Inversão de papéis na família em 'Os Incríveis 2'

Os Incríveis 2 / The Incredibles 2

(EUA/2018, 118 min.) Dir. de Brad Bird

A nova aventura da família dos Incríveis empodera mamãe e coloca papai no serviço doméstico, cuidando das crianças. Mas a situação muda, você pode ter certeza, e a família toda vai à luta.

+++ Análise: 'Os Incríveis 2' é um programa infantil, mas fica de olho no público adulto

https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,analise-os-incriveis-2-e-um-programa-infantil-mas-fica-de-olho-no-publico-adulto,70002372817

O sonho do diretor Bird é a animação para adultos. Dispense as crianças, leve seu par. / L.C.M.

+++ Animação 'Os Incríveis 2' dá protagonismo à Mulher-Elástica no combate ao crime 

COMÉDIA

Lição de confiança e autoaceitação na comédia 'Sexy por Acidente'

Sexy por Acidente

(EUA-China/2018, 110 min.)Dir. de Abby Kohn, Marc Silverstein. Com Amy Schumer

Renee (Amy Schumer) é uma garota muito insegura em relação à sua aparência física. Depois de cair e bater a cabeça, ela volta a si acreditando ser a mulher mais bonita do mundo e começa a viver a vida mais confiante. Com humor e ironia filme critica os padrões de beleza e prega a autoaceitação.

DOCUMENTÁRIO

‘Auto de Resistência’ denuncia os crimes cometidos em nome da lei

Auto de Resistência

(Brasil/2018, 104 min.) Dir. de Natasha Neri, Lula Carvalho.

O Brasil é o país das firulas jurídicas e estas, às vezes, servem para mascarar crimes. É o que denunciam os cineastas Natasha Neri e Lula Carvalho em Auto de Resistência, contundente retrato da violência policial no Rio de Janeiro. O título refere-se ao limbo jurídico no qual caem os números da violência policial carioca. São crimes de morte da polícia, não contabilizados sob alegação de que foram reações em legítima defesa. 

Com imagens impactantes, o filme revela que não é bem assim. Mostra casos que foram para o noticiário, como o da “chacina de Costa Barros”, em que cinco rapazes foram confundidos com ladrões de cargas. Noutro episódio, uma gravação de celular flagra um policial “plantando” a arma na mão de um jovem já morto para simular que ele havia atirado contra a tropa. 

São gravadas cenas com as mães inconsoláveis pelos filhos assassinados. E também algumas sequências em tribunais, quando policiais e seus advogados tentam se defender das acusações. Naquele caso em que a arma foi colocada na mão da vítima, o policial diz que o fez porque o revólver apresentava defeito e poderia disparar, ferindo alguém. Caso de rir, não fosse a tragédia. 

O filme faz a prospecção dos “alvos preferenciais” dessa violência disfarçada e, como seria de esperar, os encontra entre a população pobre e negra dos subúrbios e morros. A pretexto de combater o tráfico, bairros inteiros da cidade e suas populações são criminalizados.

Todos são suspeitos até segunda ordem e atira-se antes de se conversar. Os “autos de resistência” servem para que grande parte dos processos seja arquivada. Este filme tão necessário não se mostra nunca banal. Natasha é socióloga, com mestrado em violência urbana. Lula é um dos grandes fotógrafos do cinema brasileiro e maneja sua câmera com desenvoltura e precisão. /L.Z.O.

COMÉDIA

‘50 São os Novos 30’, boa amostra do humor francês 

50 São os Novos 30

(França/2016, 95 min.)Dir. de Valérie Lemercier. Com Valérie Lemercier, Patrick Timsit, Hélène Vincent

50 São os Novos 30 é a “tradução” brasileira para Marie Francine, dirigido e interpretado por Valérie Lemercier. Ela faz a mulher de meia-idade que, de repente, perde marido, casa e emprego. Vê-se, literalmente, no olho da rua, magoada e desesperançada. E, pelas circunstâncias, obrigada a voltar para a casa dos pais. Aos 50 anos de idade. 

Trata-se de uma comédia, porém francesa. Isto é, respeita a inteligência do espectador, evita grosserias e obviedades. Lemercier faz graça até mesmo com situações clichês. Mas o filme, sabiamente, delas se afasta. Alguns personagens são realmente muito bons, à parte a Marie Francine interpretada pela própria Lemercier.

Seu pai, aspirante veterano a escritor, a mãe, que não aceita a perda da juventude e mantém caso com o açougueiro. Por fim, o cozinheiro que se aproxima de Marie Francine e talvez lhe ofereça uma outra oportunidade na vida. Bem-humorado, sem apelar para grosserias e com tom de fundo libertário, 50 São os Novos 30 é uma boa diversão. Para quem acha que boas diversões também podem ter alguma massa cinzenta. / L.Z.O.

COMÉDIA DRAMÁTICA

‘Oh Lucy!’ e um novo estilo de aprender inglês

Oh Lucy! 

(Japão-EUA /2017, 95 min.)Dir. de Atsuko Hirayanagi. Com Shinobu Terajima, Shioli Kutsuna

Oh Lucy! pode ser visto como aquele espécime cinematográfico agridoce, comédia que vira drama e vice-versa. Uma parte tempera a outra e a graça (o sabor) reside na mistura de registros. O filme, escrito e dirigido por Atsuko Hirayanagi, tem como protagonista Setsuko (Shinobu Terajima), mulher que vive seu cotidiano tedioso trabalhando em um escritório de Tóquio. 

Tudo muda quando a sobrinha de Setsuko, uma garçonete bonitona, pede a ela que a substitua num curso de inglês já pago. Setsuko vai à escola e então conhece o professor de inglês (Josh Hartnett), dono de método pedagógico original.

 

Para estimular a imersão na língua, ele pede que os alunos assumam uma identidade provisória em inglês. Com direito a peruca loira e tudo mais. Assim nasce Lucy, avatar de Setsuko, que começa a balbuciar as primeiras palavras no idioma de William Shakespeare. 

Inesperada, afetuosa e original, esta comédia de travo amargo parece atenta para a fragilidade humana. Que pode fazer rir tanto quanto chorar. / L.Z.O.

DRAMA

‘Além do Homem’ busca o amor perdido pelo País

Além do Homem 

(Brasil/2018, 94 min.)Dir. de Willy Biondani. Com Sergio Guizé, Débora Nascimento, Otávio Augusto

Alberto Luppo (Sergio Guizé) é um escritor que vive em Paris há muitos anos e, a contragosto, vê-se obrigado a voltar para o Brasil para tentar encontrar um explorador francês desaparecido no interior do País. 

O filme de William Biondani tem qualidades. Retorna ao recorrente tema tupiniquim da recusa da identidade brasileira, comum à elite, e que precisa ser reconquistada a cada vez, para ser perdida logo depois. Essa “identidade” moraria no interior, no campo, e não na cidade. No ambiente não conspurcado pela modernidade, o “específico brasileiro” poderia ser resgatado em sua pureza e seu valor.

A história adquire atualidade na atual crise de valores que faz o brasileiro, mais uma vez, desconfiar de si mesmo. 

Com ótimo elenco – o próprio Guizé, Otávio Augusto, Fabrício Boliveira e a incrível Débora Nascimento –, o filme apresenta alguns tropeções de ritmo. Mas acaba encontrando seu caminho, ainda que percorrendo estradas intransitáveis. Em seu horizonte, sente-se pulsar a obra-prima de Mário de Andrade, Macunaíma, vertida para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade. / L.Z.O.

DRAMA

Família em discussão no universo das trans

Berenice Procura 

(Brasil/2016, 88 min.)Dir. de Allan Fiterman. Com Claudia Abreu, Eduardo Moscovis, Vera Holtz

O longa que Allan Fiterman adaptou de Garcia Roza propõe interessante abordagem de gêneros – e uma discussão sobre famílias ‘normais’ e ‘disfuncionais’ no mundo moderno. O elenco segura firme a intensidade do drama e a trans Valentina Sampaio impressiona pela feminilidade sem afetação. / LUIZ CARLOS MERTEN

AÇÃO

Novas explosões na fronteira mexicana

Sicário: Dia do Soldado

(EUA/2018, 122 min.)Dir. de Stefano Sollima. Com Benicio Del Toro, Josh Brolin, Isabela Moner

Stefano, filho do grande Sergio Sollima, dá sequência à trama de Sicário. Começa como se adotasse o ponto de vista de Trump – todo mexicano é traficante –, mas logo o roteiro de Taylor Sheridan reorienta o relato e oferece a Benicio Del Toro a oportunidade de outro grande papel. / L.C.M.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.