Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Os discursos mais marcantes da história do Oscar

Emocionados, engraçados ou em tom político, alguns discursos dos vencedores roubaram a cena na cerimônia do Oscar através dos anos

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2019 | 07h00

Todos os anos, os discursos de agradecimento são uma das partes mais importantes da cerimônia de entrega dos prêmios do Oscar. Sejam eles curiosos, engraçados, emocionados ou políticos, os textos ficam marcados na história do evento. 

Será que em 2019 teremos mais um discurso inesquecível? Este ano, a cerimônia será realizada no dia 24 de fevereiro, em Los Angeles.

Até lá, confira alguns dos mais marcantes discursos da história do Oscar. 

Tom Hanks

A força dos discursos é tão grande que, até mesmo, já houve o caso de dar origem a um novo filme. Em 1994, Tom Hanks venceu o seu primeiro Oscar por Filadélfia. O filme, com temática LGBT, falava sobre aids no momento em que o assunto ainda era um grande tabu em todo mundo. 

Em seu discurso de agradecimento, um Hanks emocionado agradeceu, entre outras pessoas, a um professor que teve na juventude, assumidamente gay, por ter sido uma inspiração em sua vida desde jovem. "Gostaria que meus filhos tivessem um professor igual", disse ele ao receber o prêmio. Apesar do momento ter sido emocionante - e o professor citado ser abertamente homossexual -, o discurso de Hanks inspirou o filme Será Que Ele É?. Na história fictícia estrelada por Kevin Kline, porém, o professor não era assumido e precisa lidar com a saída do armário em sua pequena cidade. 

Hattie McDaniel

A primeira, e durante muito tempo única, atiz negra a vencer o Oscar, Hattie McDaniel, premiada como atriz coadjuvante por ...E o Vento Levou fez um discurso emocionado na cerimônia de 1940. Proibida de sentar à mesa com os atores brancos, McDaniel falou sobre a comunidade afro-americana. 

"Eu espero que eu seja uma referência para a minha raça e para a indústria cinematográfica. Meu coração está muito cheio lhes dizer como me sinto", declarou a atriz. 

Frances McDormand

Em 2018, a atriz Frances McDormand fez um discurso poderoso sobre a participação das mulheres na indústria cinematográfica, ao vencer como melhor atriz por Três Anúncios Para um Crime. "Se eu desmaiar, me levantem, porque eu tenho algumas coisas para dizer", brincou a atriz já no início do discurso, com seu jeito debochado.  

A atriz, já ao final, deixou o seu Oscar no chão para propor um momento de reflexão e pediu que todas as mulheres que concorriam ao Oscar em todas as categorias daquele ano se levantassem. "Todas nós temos histórias para contar e projetos que precisam de financiamento. Não venham falar conosco sobre isso na festa hoje à noite, nos chamem para reuniões em alguns dias", declarou. No encerramento, propôs a adoção de uma clausula em contratos que obrigam os estúdios a promoverem diversidade tanto no elenco quanto na equipe de produção. 

Halle Berry

A atriz Halle Berry ficou totalmente incrédula ao se tornar a primeira atriz negra a vencer o prêmio de protagonista no Oscar, em 2002, por A Última Ceia. Emocionada, ela ficou alguns segundos sem palavras, antes de começar o seu discurso. 

Ao finalmente conseguir falar, Barry falou sobre a importância do seu prêmio. "Este momento é tão maior que eu", declarou. "É para todas as (...) mulheres de cor que agora têm uma chance, porque esta porta, hoje à noite, foi aberta." 

Marlon Brando

Em 1973, Marlon Brando venceu o Oscar de melhor ator por O Poderoso Chefão, mas se recusou a participar da cerimônia. Em seu lugar, uma ativista do povo indígena americano, Sacheen Littlefeather, subiu ao palco, para protestar sobre como os nativos eram retratados na indústria cinematográfica. 

"Ele não pode aceitar este prêmio generoso e a razão é a forma como os índios americanos são tratados, hoje, pela indústria cinematográfica", disse Sacheen, que recebeu tanto vaias quanto aplausos. 

Michael Moore

Outro protesto memorável entre os discursos do Oscar foi do cineasta Michael Moore, vencedor em 2003 do prêmio de melhor documentário por Tiros em Columbine. Ao subir ao palco, ele convidou todos os indicados que concorriam em sua categoria e fez duras críticas ao então presidente americano George W. Bush por conta da invasão ao Iraque. 

Nós gostamos de não-ficção, e estamos vivendo em tempos fictícios, um tempo em que temos resultados de eleições fictícios, um presidente fictício", declarou, para vaias e aplausos. "Vivemos num tempo em que temos um homem nos mandando para a guerra por razões fictícias." 

Jack Palance

Os protestos no Oscar, no entanto, podem ser por vezes engraçados. Para falar sobre o sério problema de oportunidade de emprego para atores mais velhos em Hollywood, o vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante em 1992 por Amigos, Sempre AmigosJack Palance, então com 73 anos, fez flexões para provar que ainda estava em forma. 

Roberto Benigni

Se Palance fez flexões no palco, o ator e diretor italiano Roberto Benigni subiu nas cadeiras e deu pulos de alegria ao ser premiado por melhor filme em língua estrangeira em 1999, por A Vida é Bela. Num discurso bem-humardo, que levou a plateia aos risos, Benigni agradeceu aos pais por terem lhe agraciado com o "maior presente, a pobreza". 

Benigni, na mesma cerimônia, voltou ao palco para receber a estatueta de melhor ator. "Isso é um erro terrível, porque eu vou usar o meu péssimo inglês", brincou. 

Sally Field

Entre todos os discursos do Oscar, nenhum teve uma frase tão marcante quanto o de Sally Field de melhor atriz em 1985 por Um Lugar no Coração. "Vocês gostam de mim, neste momento vocês gostam de mim", disse a atriz, ao revelar sempre ter desejado ter o respeito da indústria cinematográfica por sua carreira. 

Adrien Brody

Pouca gente se lembra do que Adrien Brody disse em seu discurso, mas a sua consagração como melhor ator em 2003 por O Pianista ficou marcado por um momento irreverente, quando tascou um beijo na boca de Halle Berry, que havia apresentado a categoria. 

Cuba Gooding Jr.

Com pouco tempo para dar o seu discurso por ter vencido o Oscar de melhor ator coadjuvante por Jerry Maguire, a Grande Virada em 1997, o ator Cuba Gooding Jr. desafiou a equipe de produção da cerimônia e persistiu em seus agradecimentos mesmo com a música tentando expulsá-lo do palco.

Alfred Hitchcock

O diretor Alfred Hitchcock nunca venceu o Oscar por um de seus filmes, mas em 1968 o cineasta foi homenageado com um prêmio pela carreira. Depois de uma homenagem feita pelo cineasta Robert Wise, Hitchcock subiu ao palco para receber o prêmio e agradeceu apenas com um "obrigado". Ao ser direcionado novamente ao microfone, ele completou apenas com um "muito obrigado, de fato."

Joe Pesci

Assim como Hitchcock, o ator Joe Pesci também economizou nas palavras ao receber o prêmio de melhor ator coadjuvante em 1991 por Os Bons Companheiros. "É o meu privilégio, obrigado", se resumiu a dizer. 

 

Mais conteúdo sobre:
Oscar [prêmio de cinema]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.