Os destaques do festival

A 11ª edição do Festival Internacional de Curta- Metragens de São Paulo possui a maior programação de toda a história da mostra: 401 filmes. A quantidade de opções promete agradar a todos os gostos, mas, com tantos filmes, o espectador pode ficar confuso na hora de fazer sua escolha. Seguem então indicações de filmes que você não pode perder.Em primeiro lugar, como não poderia faltar, o curta-metragem inédito de Jean Luc-Godard intitulado Da Origem do Século 21 é uma ótima opção tanto para cinéfilos - já que Godard é um dos mais importantes diretores do cinema francês - quanto para o público em geral, uma vez que o diretor faz uma interessante incursão ao século 20, por meio de imagens jornalísticas, cenas de cinema e citações de pensadores importantes, utilizando para isso a novíssima tecnologia digital.Em relação às sessões do Dogma Feijoada, o manifesto do cinema negro, nada melhor que assistir ao filme realizado por seu próprio idealizador. Gênese 22 é uma história de três minutos, dirigida por Jeferson De, que mostra o dilema de um senhor negro, interpretado por João Acaiabe, similar ao de Abraão frente ao pedido de Deus de lhe dar um filho como prova de devoção. Ainda entre filmes brasileiros, vale a pena conferir o trio premiado no festival de Gramado. O primeiro deles, Passadouro, de Torquato Joel, é provavelmente um dos mais poéticos e reflexivos filmes de toda a mostra, utilizando fotografia de Walter Carvalho (de Central do Brasil). A cena inicial dessa produção enfoca uma rocha e conforme a lente vai se abrindo, identifica-se uma pintura rupestre e a paisagem do sertão. A história narrada por meio de imagens e sons é centrada na vida de uma família típica da região, suas tradições e as influências do mundo globalizado. Já no filme de Gustavo Spolidoro, intitulado Outros, a proposta - bastante atual - é de uma história contada por encontros de diversos personagens, num mesmo plano seqüência, havendo uma troca constante de protagonistas. Ambientado em Porto Alegre, o filme apresenta uma crítica da sociedade urbana atual. Finalmente, em Tepê, de José Eduardo Belmonte, uma divertida e criativa indagação sobre a existência e os significados de Deus é ambientada na misteriosa atmosfera brasiliense. O personagem título valeu a Rogério Fróes o prêmio de melhor ator no festival de Gramado. Em relação à sessão Retrospectiva Curtas Viajantes, o filme Amazonas, Amazonas do diretor Glauber Rocha, é uma ótima opção. No filme, Glauber retrata sua viagem à Amazônia, que motivou a seguinte frase: "Cheguei ao Amazonas com uma idéia preconcebida e descobri que não existia a Amazônia lendária e mágica dos crocodilos, dos tigres e índios."Da programação latino-americana, boas opções não faltam. Mas um filme que não deve ser perdido é o mexicano El Milagro, que conta a história de um povoado que recebe convites para ver um milagre. Com uma bela fotografia e uma direção delicada, El Milagro traz um final surpreendente ao espectador.Em relação a Nick Park, o diretor de animação homenageado pelo festival, qualquer um de seus filmes mais antigos, como A Opinião dos Animais, O Fio da Navalha e As Calças Erradas são recomendáveis, já que o novíssimo Chicken Run (Galinhas em Fuga) deve entrar em circuito nacional no final do ano. Ainda do lado internacional do festival, um filme que tem causado comentários positivos é George Lucas Apaixonado, uma divertida ficção que especula sobre as origens da série Guerra nas Estrelas, criada pelo diretor norte-americano.Finalmente, para quem aprecia os filmes com a temática da diversidade sexual, Mão na Massa, da alemã Nathalie Perciller é uma opção saborosa. O filme, ganhador do Prêmio Teddy Bear do Festival de Berlim, conta a história de garotas que trabalham num ritmo ininterrupto numa fábrica de pão, tentando cobrir suas cotas.

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