Os atores mirins de <i>O Ano em Que Meus Pais...</i>

Ambos com 11 anos e cursando a 5.ª série do ensino fundamental em diferentes escolas judaicas de São Paulo (Bialik e Peretz), Michel Joelsas e Daniela Piepszik saboreiam seus 15 minutos de fama. Nas escolas, viraram celebridades e colegas e professores lhes pedem autógrafos. Ela já fez teatro amador (na própria Bialik) e sonha prosseguir na carreira. Ele nunca havia pensado em representar. Fez o teste meio na brincadeira, como quem não quer nada, mas agora quer continuar ator. Nenhum dos dois preenchia os requisitos básicos (físicos) para os papéis de Mauro e Hannah. No roteiro de O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Mauro era franzino, Hannah era mais madura, emocional e fisicamente. Quando optou por Michel e Daniela, o diretor adaptou os dois personagens para eles. Hannah não perdeu a maturidade emocional, mas ficou miudinha. Mauro ganhou mais consistência física. "Olha pra cara dele. Diz se não é um galã?", pergunta Daniela. A entrevista está sendo realizada no 16.º andar, na piscina do Hotel Crowne Plaza, na Frei Caneca. Michel e Daniela acabam de chegar do estúdio da Globo em São Paulo, onde gravaram o programa do Jô, que deve ir ao ar nesta quinta ou sexta-feira. Ela achou Jô "muito inteligente". Ambos elogiam o diretor Cao Hamburger. "Ele é muito legal e muito aberto para tudo o que pode melhorar o filme. Mudou os personagens em função da gente!", exclama Daniela. Ela é quem o apresenta à comunidade do Bom Retiro Ela dá sua definição de Hannah. "É importante porque tira o Mauro de dentro do apartamento e é quem o apresenta à comunidade do Bom Retiro. Sem a Hannah ele permaneceria isolado, ela faz a ligação do Mauro com aquele mundo, que ele desconhece "Mauro pode desconhecer, mas não Michel. Filho de pais separados - o que, de alguma forma, ajudou na criação do personagem -, ele é de origem judaica. O pai é ortodoxo, a mãe, uma judia mais liberal. Daniela também é de origem judaica, mas seus pais não são do tipo que vive freqüentando a sinagoga. Outra diferença é o comportamento deles em relação ao futebol, tão importante no relato, que se passa, pelo menos em parte, durante a Copa do Mundo de 1970, quando o Brasil ganhou o tricampeonato, no México, e a ditadura encampou a vitória da Taça Jules Rimet para uma campanha nacionalista baseada na frase "Ame-o ou deixe-o" (o País). No roteiro, Hannah joga bem futebol melhor do que Mauro. Daniela diz que é perna de pau. Michel contesta. "Ela é boa, sim. Eu gosto de futebol, mas não jogo bem " Qual é a expectativa deles em relação ao lançamento? "O Ano" vai fazer sucesso? Esperam que sim, mas, apesar de um certo lado "Esqueceram de Mim" no Bom Retiro, Daniela não acredita muito no filme como uma obra para crianças. "É sobre crianças, mas não para nós. Acho que se dirige a um público mais maduro." Michel acha que o futebol poderá atrair o público infantil. Segundo ele, poderá ser uma descoberta importante para as crianças. Ele próprio, quando filmou no ano passado, sabia pouco ou nada, sobre a ditadura militar. Agora, não é que saiba tudo, mas conhece o suficiente para captar a intensidade do universo de Mauro.

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