Os atores animados de 'Tintim'

A captura de movimento utilizada no filme consiste em filmar os atores com pontos eletrônicos colados ao corpo e transformar o vídeo em animação

Ramon Vitral, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2012 | 22h00

Escolhido para dar vida ao topete mais famoso das HQs, Jamie Bell começou sua carreira em 2000, como protagonista de ‘Billy Elliot’. Seu companheiro Milu é um dos poucos personagens do filme criados apenas digitalmente.

Autoridade na técnica de captura de movimento, Andy Serkis fez o Gollum de ‘O Senhor dos Anéis’, o gorila de ‘King Kong’ (2005) e o macaco Caesar de ‘Planeta dos Macacos: A Origem’ (2011). Em ‘Tintim’, ele é o Capitão Haddock, braço direito do herói.

O atual James Bond, Daniel Craig volta a trabalhar com Spielberg seis anos após ‘Munique’ (2005), em que interpretou um agente do serviço secreto israelense. Agora ele interpreta Sakharin, vilão que busca o mesmo tesouro que Tintim.

Os estabanados irmãos policiais Dupont e Dupond são vividos por atores habituados a trabalhar juntos. ‘Tintim’ é o quarto filme em que Nick Frost e Simon Pegg contracenam: ‘Todo Mundo Quase Morto’ (2004), ‘Chumbo Grosso’ (2007) e ‘Paul’ (2011) são os outros.

Nascido Georges Prosper Remi, Hergé (1907-1983) publicou seus primeiros trabalhos ainda criança, na revista do grupo de escoteiros do qual fazia parte. Apesar de ter criado outros personagens, foram os 24 livros de ‘Tintim’ publicados em um intervalo de 56 anos que deram fama ao autor.

Steven Spielberg e Peter Jackson homenagearam o criador Georges Prosper Remi, o Hergé, logo na primeira cena do filme, o retratando como um ilustrador em uma feira de rua.

O maravilhoso mundo de Jackson

Alexandre Matias

O Estado de S. Paulo

"O que você vai fazer na Nova Zelândia?", me perguntavam todos que sabiam da viagem que fiz em outubro de 2010, quase sempre com a cabeça no infame Jeca Paladium, personagem da extinta TV Colosso que sempre citava o país insular como sinônimo de país improvável.

Mas a maior improbabilidade era o fato deste pequeno país ter conseguido se tornar um dos principais polos cinematográficos do mundo graças ao trabalho de um homem: o neozelandês Peter Jackson. Ele saiu de sua terra natal nos anos 90 para, na década seguinte, transformá-la na sede de seu próprio estúdio de cinema, a Weta, que não pode nem ser considerado um estúdio tradicional de cinema, pois parte do princípio de que a sétima arte deixou de ser uma atividade industrial para ganhar contornos mais próprios ao século digital.

Explico: em vez da produção de um filme seguir os estágios tradicionais - em que um filme começa sendo escrito, para depois ser filmado e, finalmente, ter efeitos especiais inseridos, na Weta essas etapas acontecem simultaneamente. Ao mesmo tempo em que o diretor filma os atores, os roteiristas e produtores encadeiam a história do filme e a equipe que antes era chamada de pós-produção já concebe as criações digitais. É um processo tão detalhado e ensaiado que, quando todas as pontas se unem, os filmes parecem surgir magicamente do nada.

Mas é fruto de planejamentos e estratégias muito bem organizadas. Por isso é fácil criar um ambiente virtual que se prolongue por mais de um filme - como aconteceu com a trilogia ‘Senhor dos Anéis e acontecerá com Avatar’ e com os filmes de Tintim. O universo já foi concebido e realizado digitalmente no primeiro filme. Para os próximos, basta habitá-lo.

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