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Os 20 anos da morte de Greta Garbo, lenda do cinema

Cinco filmes representativos de um dos maiores mitos das telas serão exibidos na pelo canal TCM, da TV paga

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S. Paulo,

14 de abril de 2010 | 19h18

Completam-se nesta quinta, 15, 20 anos da morte de Greta Garbo.  Na verdade, Greta Louise Gustafsson desaparecera quase 50 anos antes, quando Garbo, após interpretar o que seria seu último filme - Duas Vezes Meu, de George Cukor, em 1941 -, resolveu radicalizar a própria divisa famosa ("I want to be alone"/Quero ficar sozinha) e abandonou não apenas o cinema, mas o próprio convívio social. Isso ocorreu quando tinha 36 anos. Nas décadas seguintes, e até sua morte, qual misantropa, ela viveu reclusa em seu apartamento da Rua East 52, em Nova York, escondida por trás de chapelões e óculos escuros, sempre fugindo dos fotógrafos que davam plantão em busca de um flagrante raro.

 

Nesse período, nunca faltaram diretores dispostos a lhe oferecer o grande papel para o seu retorno. Luchino Visconti foi um deles. Durante anos ele sonhou com sua adaptação do romance Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, reservando para Garbo o papel da Rainha de Nápoles, mas estava escrito que ela não aceitaria (e que o filme nunca seria feito). Divina Garbo. Ela foi, talvez, o mito mais misterioso criado por Hollywood e permanece como o mais indestrutível. Livros e filmes tentaram explicar o segredo dessa permanência. A data - os 20 anos de morte - serão lembrados hoje pelo TCM, que programou cinco filmes interpretados pela estrela. O maior deles é Rainha Cristina, de Rouben Mamoulián, mas outros dois foram essenciais na construção do mito - A Dama das Camélias, de George Cukor, e Ninotchka, de Ernst Lubitsch, todos dos anos 1930.

 

Críticos até hoje discutem se Garbo era mesmo uma atriz. Sem dúvida que ela mostrou que sabia representar - e nunca foi mais impressionante do que na morte de Marguerite Gauthier, a dama das camélias. Mas o momento sublime de Garbo no cinema é o plano sequência de Rainha Cristina, no desfecho do filme de Mamoulián - Cristina abdicou do trono da Suécia e está partindo. Ela se posiciona na proa do navio e a câmera descreve um lento movimento rumo ao seu rosto. Garbo fica imóvel, sem mover um músculo, olhando o que parece o horizonte distante. Não existe uma linha de diálogo, um piscar de olhos. Uma estátua de mármore. A imagem é emblemática - o espectador pode ler tudo naquele rosto que não expressa nada.

 

Leituras. Era o mistério de Garbo, segundo os semiólogos. Acima de tudo, ela foi um rosto - aquele rosto -, que se prestava a todas as leituras. Mas Garbo somava àquele mistério a voz e, certamente, quando necessário, sabia como se movimentar em cena. Sua imagem era tão associada ao drama que, quando surgiu Ninotchka, em 1939, a empresa produtora Metro centrou a publicidade do filme numa frase - ‘Garbo ri’.

 

A comédia clássica de Lubitsch é sobre agente comunista que descobre em Paris as delícias do capitalismo, isto é, champanhe. Garbo tem uma cena antológica com Ina Claire, mas conta a lenda que ela, fazendo a mímica do riso, não conseguia emitir o som. O riso teve de ser providenciado depois. Quando Garbo morreu, Federico Fellini não deixou por menos. Disse que ela foi a fundadora de uma nova ordem religiosa, chamada cinema.

 

Greta Garbo - Canal TCM/ TV paga. Quinta, 15, 5 filmes: A Dama das Camélias, 14 h; Mata Hari, 15h55; Ninotchka, 1730; Rainha Cristina, 22 h; O Véu Pintado, 23h45

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