"Oriundi" é lançado em vídeo

Um filme para emocionar toda a família. Assim é Oriundi, o primeiro longa-metragem do cineasta brasileiro Ricardo Bravo, que traz para as telas o talento de Anthony Quinn, Paulo Autran e a beleza de Letícia Spiller. Bravo formou-se em cinema nos Estados Unidos, mas foi no Brasil que consolidou sua prática, trabalhando com os cineastas Walter Lima Jr. e Ruy Guerra. Como o título sugere, o filme de Bravo retrata uma família de origem italiana, radicada em Curitiba, cujo patriarca, Giuseppe Padovani (Quinn, aos 85 anos), está completando 93 anos com saúde fraca e com uma amargura que não lhe abandona desde a morte da esposa, Catherine. Os confidentes de Giuseppe são a governanta Matilde - interpretada por Marly Bueno - e o médico da família, interpretado por Paulo Autran. Bravo quis homenagear a capital paranaense, não só escolhendo-a como cenário, mas abrindo seu filme com tomadas aéreas, clássicas, dos locais tradicionais da cidade. Na casa de Giuseppe Padovani, os membros da família se debatem em torno do fracasso empresarial de uma tradicional fábrica de massas, iniciada por Giuseppe e Catherine, mergulham em crises existenciais e Giuseppe, também atormentado pela idéia da morte, é o mais deprimido. Mas chega o dia da festa de seu aniversário e ele conhece Sofia (Letícia Spiller), uma sobrinha-neta que esteve na Itália estudando a origem de sua família e que agora vem ter com os Padovani. A jovem causa um encantamento no velho Giuseppe, que é transportado para o passado, em meio aos episódios que antecederam o acidente de avião em que sua jovem esposa morre. É com seu médico que Giuseppe vai refletir sobre seus sentimentos, vai questionar a morte e a hipótese que lhe acaba de surgir na mente: será que Catherine voltou ao mundo na pele da bela Sofia? Longe de explicações metafísicas, o que o telespectador terá é a emoção de dois grandes atores atuando.As dúvidas de Giuseppe ganham dimensão universal e os diálogos entre Quinn e Autran são os melhores momentos do filme, carregados de emoção e ternura. Letícia pode não convencer enquanto Sofia, pois lhe falta a força que o personagem exige. Mas é interpretando Catherine, com sua beleza emoldurada pelo cenário da velha fábrica de massas, que a atriz vai acertar em cheio no gosto de qualquer espectador.

Agencia Estado,

01 de janeiro de 2001 | 15h32

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