Oriente encontra seu faroeste em "Bater ou Correr"

Fã de cinema de ação que se preze deve conhecer o maior astro das artes-marciais: Jackie Chan. Sua mescla entre bom humor e coreografias de lutas extremamente criativas (e mais concebíveis do que muita paulada do Van Damme) conquistaram Hollywood. Seus filmes também já lhe quebraram quase todos ossos do corpo, uma vez que o grande lutador de Hong Kong se recusa a usar dublês em suas cenas. Dessa vez, Jackie Chan traz em Bater ou Correr um toque de irreverência bem diferente: o encontro entre o western clássico e o cinema chinês de kung-fu. Chan faz o papel de um guarda imperial chinês encarregado de acompanhar uma comitiva, composta por mais três homens, que vai à América pagar o resgate pelo seqüestro da princesa Pei Pei (Lucy Liu, que brevemente estará no remake de As Panteras para telona, junto a Cameron Diaz e Drew Barrymore). Em sua viagem pelo oeste americano, essa comitiva é abordada por uma quadrilha de assaltantes de trem. Chan se separa do resto da turma e acaba formando uma parceria com um dos assaltantes, Roy O´Bannon, interpretado por Owen Wilson. Na epopéia de Chan não faltam personagens que ilustrem divertidamente a ingenuidade "mocinho e bandinho" dos velhos bangs-bangs de Billy The Kid. Há os índios apaches, há o saloon, há o duelo com o sheriff, há o fiel cavalo, tudo está lá, preenchido pelas peripécias de Chon Wang - nome da personagem de Chan, inteligente e foneticamente parecido com "John Wayne", o que o torna alvo de freqüente zombaria de seu parceiro O´Bannon.Aliás, o nome em inglês, Shangai Noon, é também uma inteligente referência ao clássico de Fred Zinnemann, High Noon. Bem como seu título em português, Bater ou Correr, também lembra o título daqui para o mesmo clássico, Matar ou Morrer.Diversão garantida para quem não espera ir ao cinema para ver algo mais que uma simples aventura sino-western. Não é uma obra de arte intelectual. Sergio Leone, Howard Hawks e John Ford não filosofavam existencialmente sobre as questões da humanidade em seus filmes - apenas colocavam em conflito sentimentos comuns como inveja, amor, vingança, ambientalizados na brutalidade do velho oeste. Queriam agradar sem pretensões e faziam bons filmes. E esta foi a sorte do diretor de Bater ou Correr, o estreante Tom Dey, ao escolher um roteiro simples e ao mesmo tempo diferente, pensando especificamente em determinados atores - engraçados e eficientes.

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