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'Orestes' chega para movimentar competição do É Tudo Verdade

O poderoso filme de Rodrigo Siqueira mexe com emoções

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2015 | 03h00

E o 20.º É Tudo Verdade vai chegando ao seu final. No sábado à noite, 18, realiza-se a cerimônia de premiação. Há muita expectativa para ver quem leva o prêmio da competição de longas brasileiros. Sete bons filmes participam da seleção, e cada um terá seus favoritos. Os do repórter são dois - A Paixão de JL, de Carlos Nader, que se constrói com os relatos íntimos no diário do artista José Leonilson, portador do vírus do HIV, e o poderoso Orestes, de Rodrigo Siqueira, o melhor de todos, que terá nesta sexta, 17, sua primeira exibição no evento.

Rodrigo Siqueira já é autor de um grande documentário encravado no mundo da cultura popular, Terra Dá, Terra Come, de 2010. Para não se repetir, ele queria sair desse universo. Ideias começaram a gravitar na sua cabeça, e uma delas se foi impondo. Teria de ser outro filme fundado na oralidade, mas, dessa vez, com forte motivação política e ancorado no mundo jurídico. Como juntar esses elementos? “Minha primeira motivação foi fazer um filme sobre o julgamento da mulher acusada de matar o cel. Ubiratan Guimarães. Sempre me pareceu irônico que o homem que comandou a invasão do Carandiru tenha sido vítima de um crime passional, com elementos da mais pura tragédia. Quando uma reviravolta no caso inviabilizou o projeto - teria de ser retardado -, descobri o caso de Soledad, a guerrilheira entregue pelo amante, o Cabo Anselmo, aos órgãos de repressão para morrer, e carregando um filho dele no ventre.”

Era uma situação muito forte e tinha os elementos que Siqueira procurava. Mas, para não ficar só no caso, ele se lançou a um exercício de faz de conta, na tradição de Chris Marker - e se ambos tivessem tido um filho, que veria o pai entregar a mãe? A tragédia familiar avizinhava-se da Orestíade, e Siqueira fez Orestes, com direito a julgamento simulado do filho que mata o pai e a psicodrama que permite que as emoções - intensas - jorrem “sem filtro”, como define o diretor. O julgamento é a matriz formal que permite abordar a coisa jurídica, mas num estilo diferente das incursões de Raymond Depardon e Maria Augusta Ramos. São muitas motivações, e o resultado, como Casa Grande na ficção, é outro filme para ficar na história.

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