Omissões e pouco caso marcam Oscar de filme estrangeiro

O ano de 2008 talvez seja lembradocomo aquele dos filmes que foram esnobados ou desqualificadospelos eleitores da Academia de Artes e CiênciasCinematográficas dos Estados Unidos. O Oscar de melhor filme de língua estrangeira vem ganhandoimportância crescente como plataforma de lançamento decineastas de países que não os EUA. Este ano, porém, vários filmes aclamados do cinema mundialdeixaram de ser indicados, levando alguns críticos a protestar. A ausência mais notória foi o drama romeno "4 Meses, 3Semanas e 2 Dias", premiado em Cannes em maio e que recebeuvários troféus de críticos. A ausência mais controversa envolveu a desqualificação doisraelense "The Band's Visit" pelo fato de mais de 50 por centodos diálogos entre os membros de uma banda egípcia e osmoradores de um vilarejo israelense serem em inglês. Os cinco filmes que acabaram indicados são "TheCounterfeiters", da Áustria, "Beaufort" (Israel), "12"(Rússia), "Katyn" (Polônia) e "Mongol" (Cazaquistão). "Beaufort" trata dos últimos soldados que em 2001 seretiraram de um famoso forte libanês capturado por Israel em1982, destacando a inutilidade de sua missão. As filmagensterminaram semanas antes da guerra de 2006 entre Israel eLíbano. "Fica claro que o conflito é cíclico -- não é algo quetenha ficado no passado", comentou o diretor israelense JosephCedar. O russo Nikita Mikhalkov, que recebeu o Oscar de melhorfilme estrangeiro em 1994 por "Burnt by the Sun", tomou comoponto de partida de seu filme "12" o clássico drama de tribunal"Doze Homens e Uma Sentença", de Sidney Lumet. "The Counterfeiters" trata de temas que já se saíram bem nahistória do Oscar: a 2a Guerra Mundial e o Holocausto. "Katyn" é a história sombria dos 15 mil polonesesmassacrados pela polícia secreta soviética em 1940. É umanarrativa intensamente pessoal para o diretor polonês AndrzejWajda, porque seu pai esteve entre os executados. Wajda jáganhou um Oscar honorário. Em "Mongol", o primeiro filme do Cazaquistão a receber umaindicação ao Oscar, o diretor russo Sergei Bodrov relata a vidae os amores do guerreiro Genghis Khan nas estepes da Mongólia.

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