Omar Sharif ganha Leão de Ouro pela carreira

O Leão de Ouro que Omar Sharif recebeu hoje no 60.º Festival de Veneza pelo conjunto de sua obra -um prêmio por 50 anos de serviços prestados à sétima arte -, comoveu e divertiu a platéia do Lido. O ator de 71 anos, que cativou platéias com Lawrence da Arábia (1962) e Dr. Jivago (1965) brincou ao receber o prêmio:"Santo Antônio, do qual minha mãe era muito devota, estimulou-a a me fazer estudar em uma escola inglesa, de outra maneira David Lean não teria me descoberto como ator e agora eu não estaria aqui com vocês".Fez-se justiça hoje em Veneza a um veterano da arte dramática. A apresentação do novo filme de Omar Sharif, que depois de anos fora de seu métier volta com Monsieur Ibrahim, trouxe ao festival de cinema um tom de humanidade no trato de um dos temas mais conflituosos do mundo de hoje: a convivência entre muçulmanos e judeus. Além disso, é seu retorno com um filme tocante sobre a solidariedade e contra o preconceito. ?Não fiz nenhum filme nos últimos cinco ou seis anos por não achar papéis. Sempre tive esse problema porque tenho um sotaque que não é italiano, nem francês, inglês, espanhol ou mexicano?, disse o egípcio homenageado na Itália. O quase ostracismo foi evitado pelo diretor francês Francois Dupeyron, que pensou o óbvio e deu a Sahrif um papel que lhe era próprio. ?Quando eu era um jovem ator e ajudava a vender muitos ingressos, costumavam mudar papéis para me encaixar. Mas quando você é um homem velho e o diretor precisa de um italiano velho, ele consegue um. Neste filme, eu faço um árabe velho, que é o que eu sou?, disse Omar Sharif. O ?árabe velho? a que ele se refere é o comerciante Ibrahim, um senhor que vive na Paris dos anos 60 e pega um adolescente judeu abandonado para criar. Ambos são solitários que se apegam um ao outro. Juntos, eles desenvolvem uma relação de amor fraternal e solidário, longe de qualquer preconceito étnico ou religioso. O Ibrahim de Sharif, um sorridente contumaz, é o centro do filme. Sem ele, Monsieur Ibrahim poderia ser mais um filme francês a contar a história de adolescentes crescendo em famílias destruídas. Uma temática rotineira depois que Truffaut a consagrou em seu longa de estréia Os Incompreendidos. Os bons sentimentos, como é presumível, transbordam do filme. Sharif dá sua definição: ?a vida é tão simples. Gostaria que houvese diálogo para todos, palestinos, israelenses, para todos?. Suas declarações são coerentes com o pacifismo do diretor Dupeyron, que discursou que ?todas as barreiras que existem são feitas pelo homem. Elas são artificiais e, tais como o Muro de Berlim, podem ser derrubadas?. Bem recebido na Europa dos imigrantes rejeitados, Monsieur Ibrahim deverá ter boa acolhida no tolerante Brasil. Resta alguém trazê-lo para nós.

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