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'Omar' leva diretor de 'Paradise Now' ao Prêmio Oscar pela segunda vez

Com ‘Omar’, o diretor holandês-palestino Hany Abu-Assad concorre a melhor filme estrangeiro pela segunda vez

24 de fevereiro de 2014 | 09h48

Omar, thriller político de Hany Abu-Assad, conta o drama dilacerante de um palestino manipulado pelos serviços de segurança israelenses, o que é um tema tabu, mas que convive com a essência do conflito.

Pela segunda vez, o diretor holandês-palestino concorre a um Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro, depois de receber uma indicação, em 2006, por Paradise Now (ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro do mesmo ano).

Omar foi premiado pelo júri da seção Un Certain Regard no Festival de Cannes de 2013.

Dupla traição (política e amorosa), paranoia e vingança integram a trama principal desta tragédia shakespeariana em que Omar, interpretado pelo ator Adam Bakri, se vê envolvido, torturado, pressionado a tornar-se um informante por amor a Nadia (Leem Lubany), o jovem ativista palestino vaga numa corrida-perseguição sem saída, transformado em anti-herói pelo vínculo com seu contato, o agente israelense (Waleed Zuaiter), motivo pelo qual, embora inocente, é repudiado pelos seus até seu gesto de libertação final.

A colaboração com Israel é castigada pela morte ignominiosa nos territórios palestinos, e é sinônimo de exclusão social para a família do traidor.

Hany Abu-Assad, que se compara a uma espécie de Dom Quixote, quis inicialmente rodar “uma bela história de amor, bem universal”. Não obstante, este filme pôde ser realizado graças a capitais palestinos e rodada com uma equipe quase totalmente local em Nablus, na Cisjordânia ocupada, e em Nazaré, no norte de Israel.

“O conflito interno de Omar consiste em querer viver normalmente. Viver como mostra a publicidade. Mas a realidade é muito diferente”, confidenciou recentemente o diretor ao Jerusalem Post.

Coincidências? No ano passado, o israelense Yuval Adler dirigiu um filme sobre o mesmo tema visto do lado judeu, Belém, um relato tão cruel quanto o do seu colega palestino, muito bem recebido em Israel, mas que fracassou como candidato ao Oscar.

Cineasta comprometido sem ser maniqueísta, Hany Abu-Assad, engenheiro de informática aposentado, nasceu em Nazaré em 1961, mas emigrou para a Holanda no início dos anos 80, para depois regressar às suas origens.

Ele ficou conhecido com O Casamento de Rana (2002), bem recebida em Cannes e, principalmente, por Paradise Now, uma obra emocionante sobre os camicazes palestinos presos em sua decisão suicida.

Mudando de horizontes, mas não de temática, Hany Abu-Assad foi escolhido para adaptar nos Estados Unidos o remake do filme de suspense do sul-coreano Park Chan-wook, Mr. Vingança.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

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