REUTERS/Andrew Kelly/File Photo
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Oliver Stone recusou o primeiro convite para levar aos cinemas a história de Edward Snowden

"Não queria fazer, não queria problemas", disse o diretor sobre o filme que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22

Piya Sinha-Roy, Reuters

19 de setembro de 2016 | 11h56

LOS ANGELES - De presidentes a serial killers, o diretor vencedor do Oscar Oliver Stone não deixa de explorar figuras controversas, mas inicialmente recusou quando foi perguntado se queria fazer um filme sobre o ex-terceirizado na Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) Edward Snowden.

"Não queria fazer, não queria problemas", disse Stone à Reuters.

Mas o diretor de 70 anos, conhecido por filmes como Platoon, JFK - A Pergunta que Não Quer Calar, Assassinos por Natureza e Wall Street: Poder e Cobiça, disse ter mudado a cabeça após conhecer Snowden na Rússia.

"Embora estivesse preocupado com o filme ser chato e tedioso, também vi como um suspense dramático. Senti que não iria conseguir audiência com um filme no estilo documentário", disse Stone.

Snowden, que estreia no Brasil nesta quinta-feira, 22, traça a jornada de Snowden de um conservador agente da CIA a um membro da NSA, até deixar os Estados Unidos em 2013 e expor à população comum os programas de vigilância em massa do governo.

Ele atualmente vive na Rússia e é procurado pelo governo norte-americano sob acusações de espionagem. A Anistia Internacional e outros dois grupos lançaram nesta semana uma campanha para que ele fosse perdoado.

Stone e Snowden se encontraram algumas vezes na Rússia e concordaram que o filme seria uma dramatização. Então o filme foi paralisado quando Stone foi procurar estúdios para financiamento. O diretor se negou a dizer quais estúdios procurou.

"Vivemos naquele clima, de definitivamente, acredito, autocensura", disse Stone.

"Não acredito que a NSA tenha ligado para alguém e dito 'não faça isso', mas quem sabe? A verdade é... você entra no clube ou você é excluído."

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