Oliver Stone apresenta trechos de World Trade Center

Oliver Stone apresentou há pouco (23 horas na França, 18 horas no Brasil) a versão restaurada de Platoon, seu primeiro filme sobre a Guerra do Vietnã, durante a sessão Cannes Classics. O próprio Stone esteve presente, mas a maior curiosidade da noite não é tanto (re)ver o filme antigo, que venceu o Oscar há quase 20 anos, mas assistir, em primeiríssima mão, a 20 minutos do novo filme do diretor. World Trade Center trata justamente do ataque às Torres Gêmeas, no trágico 11 de setembro de 2001, que Stone focaliza para contar uma história de solidariedade humana, muito mais do que para apontar o dedo acusador contra os islâmicos ou explorar a paranóia da sociedade americana. O filme mostra a luta dos bombeiros para resgatar as vítimas do ataque, em especial dois deles, que pagam com a vida por sua dedicação. Nicolas Cage faz o protagonista e o filme está previsto para estrear nos EUA até o fim do ano, habilitando-se para concorrer aos prêmios da Academia de Hollywood em 2007.Billy the KidPor falar em restauração, Pat Garrett e Billy the Kid, o genial western de Sam Peckinpah, encerrou o Festival de Berlim, em fevereiro. É impressionante como aquele western ficou atual. Ao descrever a trajetória final do lendário Billy the Kid e a caçada que, contra ele moveu o xerife Pat Garret, Peckinpah não apenas fez, há 33 anos (o filme é de 1973), uma crônica da transformação do Velho Oeste, como antecipou o mundo como está desenhado hoje. Pat Garret antecipa a globalização, com seus compromissos econômicos e ausência de integridade moral, numa sociedade na qual o que vale é a lei do mais forte. Vale lembrar isso porque está passando aqui um documentário chamado Requiem para Billy the Kid, produzido por Jean-Jacques Beineix e dirigido por Anne Feinsilber, que segue a trilha do Kid para discutir se ele foi mesmo morto por Paty Garret, como conta a lenda. Existem indícios de que Garret pode ter fraudado a morte do antigo parceiro de crimes. Anne fez um trabalho muito interessante como reavaliação dos mitos do Velho Oeste e sua permanência no mundo moderno. Mas o melhor é ouvir o roteirista de Peckinpah, Rudolph Wurlitzer, falar do grande diretor e da maneira como ele usava Pat Garret para discutir-se a si mesmo. Como o xerife que vendia a alma ao novo sistema econômico que se seguia à primeira leva de pioneiros, Wurlitzer diz que Peckinpah estava preocupado em avaliar se, ele próprio, não estaria transigindo com o sistema de Hollywood, após vários filmes nos quais brigara com os produtores, o que resultou em obras-primas mutiladas.

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