"Olga" traz romance e política aos cinemas

Olga estréia hoje em 250 salas de todo o Brasil com a promessa de se tornar mais uma superprodução brasileira de sucesso - fala-se em um orçamento de R$ 12 milhões - e a esperança de representar o País na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005. Teve como base o best-seller homônimo de Fernando Morais (600 mil exemplares vendidos) e contou com selo de produção da Globo Filmes, o que vale uma enorme campanha publicitária direta (anúncios pagos) e indireta (menções em todos os veículos do grupo Globo). Amparado em um roteiro da produtora-executiva Rita Buzzar, o estreante Jayme Monjardim conta a história da comunista alemã de origem judia (interpretada por Camila Morgado) que, em 1942, foi presa e entregue grávida ao governo nazista de Hitler. E passa pelo romance que ela teve com o capitão Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler), a quem serviu de escolta sob disfarce de sua esposa, quando o trouxe clandestinamente de volta ao Brasil do seu exílio na Rússia, em 1935. A produtora e roteirista Rita Buzzar foi a verdadeira autora dessa façanha. Rita leu a biografia de Olga em 1985 e ficou fascinada com a história da judia alemã que abandonou a família pequeno-burguesa para se dedicar ao comunismo e, em meados dos anos 1930, acabou se envolvendo na aventura de tentar fazer a revolução no Brasil. Passaram-se quase dez anos até que ela conseguisse os direitos de adaptação, mais cinco para captar recursos e outros cinco para chegar ao resultado que o público verá nas telas. Rita começou o trabalho sozinha. Viajou para a Alemanha, onde visitou arquivos históricos e campos de concentração. Fez pesquisas também por aqui para compreender melhor o contexto histórico. Tomou essa iniciativa até para vencer o preconceito que havia contra a personagem e sua história trágica. Como produtora, Rita foi responsável também pela escolha de Jayme Monjardim para a direção. Egresso da televisão, onde ganhou fama como diretor de Pantanal, na extinta Rede Manchete, e Terra Nostra, atualmente em reprise na Rede Globo, Monjardim trouxe Camila Morgado para o projeto, depois de dirigi-la na minissérie A Casa das Sete Mulheres, da Globo. Camila mergulhou no universo da personagem. Fez treinamento militar, estudou alemão e russo, filosofia e história. Perdeu sete quilos e raspou a cabeça para tornar mais realista a passagem de Olga pelos campos de concentração alemães. O resultado de tanto esforço teve eco na produção do filme. Embora às vezes pareça ter sido rodado em locações reais, Olga foi totalmente filmado no Brasil. Até as cenas de piquetes na Alemanha, dos discursos na Internacional Comunista e dos campos de concentração nazistas foram feitas aqui. As externas do campo de concentração de Bernburg, onde Olga foi mandada para a câmara de gás, foram feitas em uma fábrica desativada em Bangu. Apesar da neve, simulada com toneladas de sal grosso no chão e espuma de sabão no ar, e do tempo cinza, obtido através de uma cobertura de tecido e de lentes especiais na câmera, o calor era escaldante. Detalhes como esses serão certamente lembrados quando o sucesso de Olga for mencionado. Alessandro GianniniCamila Morgado fala sobre sua estréia no cinemaFaltava menos de uma semana para a equipe do diretor Jayme Monjardim começar a gravar Olga em uma antiga fábrica têxtil em Bangu, no Rio de Janeiro. Foi quando Camila Morgado começou a entrar em pânico. "Eu já tinha lido o livro. Que responsabilidade, meu Deus, fazer meu primeiro trabalho no cinema interpretando uma das mais importantes revolucionárias do século 20", conta ela. Mas uma visita a Anita Leocádia - filha de Olga Benário - e Lígia Leocádia (irmã de Prestes) acalmou a atriz. Aos 28 anos, Camila Morgado começou a atuar aos 17 e teve uma longa experiência no teatro, antes de estrear na TV e, agora, no cinema. A atriz concedeu esta entrevista ao Jornal da Tarde:Jornal da Tarde - Como foi construir a líder revolucionária?Camila Morgado - Tive só três meses de preparo. E não era para falar de uma fase isolada da vida dela. Era a história toda. Tive a sorte de o filme ter sido filmado cronologicamente. A Olga é um personagem complicado, ela oscila em várias emoções. Depois, você adquiriu confiança para as gravações?Não muito. Uma semana antes eu entrei em pânico, mas aí eu conheci Anita Leocádia e a dona Lígia e elas me puseram no chão. Eu as visitei dois dias antes das gravações. Eu nem piscava com as explicações delas. Foi então que eu entendi porque a Olga se apaixonou pelo Prestes. Fiquei mais confiante. Qual foi a cena mais difícil?Quando as enfermeiras nazistas tiram a Anita do colo da Olga e ela nunca mais a vê. Eu sabia que seria a cena mais complicada, é um momento de explosão irracional. Eu fiquei concentrada o dia todo. No fim da cena, eu tinha o corpo inteiro dolorido. Depois da gravação, eu fui para um canto, chorei um pouco, limpei a alma e agradeci.

Agencia Estado,

20 de agosto de 2004 | 10h57

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