JANETE LONGO/DIVULGAÇÃO
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‘Obstinação em terminar o filme dá um livro’, diz Fernando Morais sobre 'Chatô'

Escritor diz que não se arrependeu de ter vendido os diretos a Fontes e que prefere ver o longa como um espectador comum

Entrevista com

Fernando Morais

Amilton Pinheiro, Especial para O Estado

08 de maio de 2015 | 03h00

Autor da biografia que inspirou o filme de Guilherme Fontes, Fernando Morais ainda acredita no diretor.

Você viu algum corte do filme?

Não, não vi nada até agora. Para falar a verdade, prefiro ver como espectador comum, em exibição normal, para público. 

O que pensa a respeito de toda essa saga envolvendo o filme Chatô, o Rei do Brasil?

O que eu sei é que o Guilherme Fontes é uma pessoa honesta. Nunca vi borderôs, contas, nada, mas estou certo de que ele não desviou um centavo de dinheiro público ou de recursos obtidos através de captações de renúncia fiscal via leis de incentivo. Onde ele errou? Não sei dizer, não entendo de produção de cinema. A obstinação dele em terminar o filme dá um livro. 

Você chegou a se arrepender de ter vendido os direitos de adaptação do livro para Guilherme Fontes, uma vez que havia outros interessados, como Luiz Carlos Barreto?

É evidente que eu preferia que o filme tivesse ficado pronto no prazo, mas não me arrependo de ter vendido os direitos de adaptação ao Guilherme. Tanto que o contrato, que é de cinco anos de duração, foi renovado por mim em 1999, 2004 e 2009. Se eu tivesse me arrependido, poderia reaver os direitos em 1999. E isso não afetou minha relação com o Barretão, de quem sou fraterno amigo até hoje.

Você acompanhou alguma vez as filmagens de Chatô, ao longo desses mais de 15 anos?

Não, não acompanhei. Quando o filme estava sendo rodado, visitei o set de filmagem, mas só por curiosidade.

Você já teve um outro livro adaptado para o cinema, Olga, dirigido por Jayme Monjardim. Gostou da adaptação? O que espera ver na tela sobre o seu personagem Assis Chateaubriand?

Na verdade não foi só um livro adaptado para o cinema, mas dois: Olga e Corações Sujos. Gostei muito de ambos, embora sejam duas concepções diferentes. Com Olga, Jayme Monjardim quis deliberadamente popularizar uma história que era privilégio, até então, dos leitores de livros. Deu certo. Já o diretor Vicente Amorim optou, na excelente adaptação de Corações Sujos, por fazer um filme mais denso, mais reflexivo e, portanto, menos blockbuster. Do Chatô, o Rei do Brasil só li o roteiro, desde a primeira adaptação do livro, feita pelo gaúcho Carlos Gerbase, passando pela versão do Matthew Robbins (ex-roteirista da Disney, indicado por Francis Coppola), até o tratamento final, de autoria do João Emanuel Carneiro (autor de telenovelas como ‘Avenida Brasil’). O roteiro é muito bom, muito criativo. Estou torcendo para o filme bombar.

Seu livro sobre Paulo Coelho não foi usado para o roteiro do filme Não Pare na Pista - A Melhor História de Paulo Coelho, dirigido por Daniel Augusto. Você ficou chateado? O que achou do filme?

Eu havia sido procurado pela roteirista Carolina Kotscho, mas as conversas não prosperaram. Não fiquei chateado. Ainda não vi o filme, mas logo verei.

Há algum outro livro seu que vai ser adaptado para o cinema? Está escrevendo alguma obra?

Vendi os direitos de Os Últimos Soldados da Guerra Fria para o produtor Rodrigo Teixeira, mas não sei em que pé está a adaptação. Neste momento, estou escrevendo um livro sobre o ex-presidente Lula. Não é uma biografia, mas um recorte que vai da prisão dele, em abril de 1980, até o fim do seu segundo mandato como presidente da República. 

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