O2 de Fernando Meirelles fecha contrato com Universal

Co-produção internacional é expressãoque costuma soar com a doçura de um Mozart nos ouvidos doscineastas brasileiros. Significa dinheiro para fazer os filmes e mais que isso, possibilidade para colocá-los no mercado externo em geral refratário à produção nacional. A O2, de FernandoMeirelles, realiza esse sonho ao celebrar acordo com a poderosaUniversal Pictures e a distribuidora Focus Features, casamentoanunciado hoje em Los Angeles e registrado em matéria da Variety a bíblia da indústria cinematográfica americana. Bem, pode não ser uma união para a vida toda, maspromete ser eterna enquanto durar: Meirelles assinou contratopor três anos, com financiamento de filmes brasileiros para omercado interno e externo e pretende ver no que vai dar essajoint venture. As perspectivas são as melhores possíveis. Segundo a O2,a Universal pretende começar a produzir no Brasil o maisrapidamente possível e a empresa brasileira já dispõe de cincoprojetos engatilhados. A idéia é começar a rodar o primeirodesses filmes em co-produção já no primeiro semestre de 2007. Por enquanto, a O2 continua mergulhada em vários outrosprojetos. Está filmando o longa-metragem "Cidade dos Homens", dePaulo Morelli. O longa-metragem de estréia do talentoso PhilipeBarcinski, chamado "Não por Acaso", entrou em fase de montagem.Já a co-produção com o Uruguai "O Banheiro do Papa", dirigidopor Cezar Charlone, encontra-se em finalização. A O2 comparecetambém na produção de "Antonia", o novo longa de Tata Amaral (de"Um Céu de Estrelas") e está ocupada na pré-produção da série"Brasilândia", que começa a ser filmada em duas semanas, comestréia prevista na Globo para outubro. Uma das mais poderosas Capitalizada pelo acordo com a Universal, a O2 caminhapara se transformar numa das produtoras mais poderosas do País,com mais conexões e possibilidades de crescer. Esse relacionamento com o mercado externo deve muito aosucesso internacional de "Cidade de Deus", o polêmico filme deFernando Meirelles sobre a violência urbana no País. Depois dele Meirelles já dirigiu "O Jardineiro Fiel", uma produçãobritânica adaptada de romance homônimo de John Le Carré e quechegou a competir no prestigioso Festival de Veneza. Pelo visto,as portas continuam se abrindo. Abaixo, a entrevista comFernando Meirelles Legal esse acordo de co-produção com a Universal. Masnão entendi muito bem: eles entrariam com grana deles ou pelarenúncia fiscal possibilitada pelas leis brasileiras? Em janeiro, quando começamos a falar a respeito, a idéia seriausar apenas "dinheiro bom". No processo, viram que poderãocontar com dinheiro incentivado também. Como eles queremfinanciar os projetos 100%, farão o financiamento meio a meio. Esses filmes seriam distribuídos para o Brasil e paraoutros países. Em que idiomas? Pelo acordo valem filmes brasileiros falados em português ouinglês mas como a idéia é produzir filmes principalmente para omercado interno e América Latina, acho que acabaremos fazendoapenas filmes em português mesmo. Tentei incluir filmes emespanhol no pacote mas não sei por que eles não quiseram. Não há perigo de as co-produções exigirem um produto"neutro", quer dizer, meio despido de cores locais para sercolocável em vários mercados? Eles foram bem claros sobre o objetivo: ocupar as salas noBrasil em primeiro lugar. Apenas os filmes que tenham potencialpara viajar serão distribuídos fora. Mas isto não é o objetivo,seria um bônus. De qualquer maneira a O2 Filmes não teminteresse em fazer filmes pensando apenas no mercado. Se houveresta intenção, a longo prazo o acordo não terá uma vida muitolonga. Mas não acredito que seja assim. A Focus consegue fazer aincrível junção de filmes inteligentes mas que chegam ao público Me identifico muito com o tipo de cinema que fazem: "21 Gramas" "Diários da Motocicleta", os filmes do Almodóvar, "O Segredo deBrokeback Mountain", etc etc...Por outro lado, pode solucionar esse problema do filmebrasileiro, que raramente consegue se viabilizar fora do País? Solucionar é exagero, mas certamente se houver filmes compotencial, ter a Focus como distribuidora é sem dúvida uma belaforça. Eles são muito competentes no que fazem. Lançaram porexemplo "O Tigre e o Dragão", em chinês, e o filme fez centenasde milhares de dólares. (não sei o número ao certo). Nas mãos daFocus um filme brasileiro pode viajar mais longe. O filme brasileiro não vive um bom momento em seu mercadointerno. Consegue um ou outro grande sucesso, mas a produçãomédia ainda tem público baixo. Como explica o interesse daUniversal por esse mercado, neste momento? O mercado brasileiro é pequeno comparado ao norte-americano masnão é desprezível. Eles sabem que "Dois Filhos de Francisco"bateu "Madagascar" e todos os blockbusters americanos no anopassado. Sabem que o "O Jardineiro Fiel" fez um milhão e meio dedólares aqui no Brasil, comparável à Espanha e mais do que naItália. Essas informações pesam na decisão. De qualquer maneiraeles não dependem do dinheiro que venham a fazer no Brasil,sinto que estão fazendo uma aposta a longo prazo no crescimentodo nosso mercado para filmes locais. Belo exemplo estão dando,não?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.