O Velho Guerreiro vai ao cinema

No próximo ano, Chacrinha, o Velho Guerreiro, deverá estar de novo "balançando a pança e comandando a massa", como disse Gilberto Gil no samba Aquele Abraço. Só que no documentário O Velho Guerreiro, que o irmão dele, Jarbas Barbosa, pretende realizar no segundo semestre deste ano.Barbosa é do ramo. Produziu clássicos do Cinema Novo como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Os Cafajestes, chanchadas como 007,5 no Carnaval e sucessos internacionais como Xica da Silva, seu último filme, dirigido por Cacá Diegues e lançado em 1976."Depois disso, o cinema brasileiro entrou em crise, porque o Collor acabou com a cultura nacional em geral. Sempre sonhei fazer esse filme como um espetáculo e pouco documentário, porque senão o público não gosta", disse ele, misturando datas e fatos, na entrevista coletiva que lançou o projeto. "O filme começa com o enterro do Chacrinha e mistura cenas de seu programa no céu, com imagens de arquivo, e na terra, com o Agildo Ribeiro imitando-o. Os cantores lançados em seu programa aparecem naquela época e hoje. Gretchen, Sidney Magal e Wanderléa são alguns."Barbosa chamou uma trupe de amigos para o filme. Nelson Hoineff será o diretor (aproveitando sua experiência como documentarista); Eduardo Giffoni, um dos roteiristas; Jorge Monclair, diretor de Fotografia; José Oleosi, produtor executivo; e Ziraldo desenhará o cartaz. "Virá dizendo: ´A Copacabana Filmes tem a coragem de apresentar O Velho Guerreiro, um filme irreverente, extravagante e abusado", adianta Jarbas Barbosa. "A Globo Filmes entra na produção, assim como a Marlene Mattos, e o orçamento não passará de R$ 2 milhões. Não entendo por que hoje se gastam R$ 8 milhões nesses filmes que estão aí."Apesar dos prazos apertados, a produção, que tem previsão de estréia para janeiro, ainda não está amarrada. A pesquisa de imagem foi feita na Globo, que só tem os programas dos anos 80, e a própria Globo Filmes informa que "está apoiando o projeto", mas não tem contrato com ele. Barbosa vai recorrer às leis de incentivo fiscal (Rouanet e do Audiovisual), mas ainda não tem roteiro pronto para submetê-lo à Comissão de Patrocínio do Ministério da Cultura e à Agência Nacional de Cinema. E ele ainda pretende ter Gilberto Gil no elenco, embora o ministro da Cultura já tenha avisado que não participa de projetos incentivados porque é antiético, em razão do cargo que ocupa.A homenagem a Abelardo Barbosa, o Chacrinha, é mais que necessária. Ele foi o primeiro comunicador do rádio e da televisão brasileiros que trouxe o Brasil para a telinha e criou modismos e frases de efeito que marcaram gerações. De 1965 até o fim dos anos 80, passou por todos os canais de TV e, ao morrer, em 1988, com 72 anos, parou o Rio. "O público que tem menos de 20 anos vai saber quem foi o Chacrinha", promete Barbosa. "Tenho certeza de que o filme será um estouro de bilheteria."

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