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‘O Último Cine Drive-in’ chega aos cinemas com os prêmios que ganhou no Festival de Gramado

Filme nasceu como uma obra de amor pelas relações familiares

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 05h00

No Festival de Gramado que se encerrou na madrugada de domingo, poucos prêmios - os Kikitos - foram tão bem recebidos como os de melhor ator e atriz coadjuvante para Breno Nina e Fernanda Rocha, por O Último Cine Drive-in. Breno já havia sido melhor ator no Festival de Punta Del Este e Fernanda recebeu o Redentor, também de coadjuvante, no Rio, no ano passado, ambos pelo filme do brasiliense Iberê Carvalho. Ela é mulher do diretor. Estava grávida de seu filho, durante a filmagem.

“Ele se mexia muito na barriga, mas na hora de filmar, quando o Iberê gritava ‘Ação!’, ficava quietinho. Acho que não queria estragar o trabalho do pai”, contou Fernanda, no debate do filme. Cine Drive-in está longe de ser perfeito. No blog, num post sobre o Festival de Gramado, o repórter chegou a dizer que o filme começa tosco, mas, como crítica, a afirmação tem de ser minimizada. Um dos autores mais influentes do cinema, Roberto Rossellini, era o primeiro a admitir que seus filmes eram imperfeitos, mas isso não impediu que tenha sido o mestre de François Truffaut, Jean-Luc Godard, Bernardo Bertolucci ou Paulo César Saraceni.

Breno e o diretor visitaram a redação do Estado. Gravaram depoimentos sobre o filme para TV. Em Gramado, surgiu a definição de O Último Cine Drive-in como o Cinema Paradiso do cinema brasileiro. “Nunca houve essa intenção e, inclusive, pode pegar mal, parecer presunçoso de minha parte querer essa comparação com uma obra tão cultuada. Mais que como um filme de amor ao cinema, Cine Drive-in nasceu como uma obra de amor pelas relações familiares. Queria falar sobre uma família. O amor de um filho pela mãe, que está morrendo, a relação complicada que ele tem com o pai e como os dois terminam se aproximando.”

O cinema veio depois. No filme, o pai, Othon Bastos, possui um drive-in. Iberê Carvalho usou como cenário de sua ficção o cinema ao ar livre de sua cidade. “O drive-in de Brasília é o último em funcionamento não só no Brasil, mas na América Latina. Esse cinema faz parte da minha memória afetiva. Meus pais se separaram muito cedo, talvez essa vontade de falar de família venha disso. Embora separados, meu pai era muito atuante e me levava ao cinema. Acho que esse elo muito forte, a gente no cinema, contribuiu para que eu quisesse virar diretor.” 

No escritório do drive-in, na sala de projeção, existem muitos pôsteres. Invasões Bárbaras (de Denys Arcand), O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola), Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore), etc. “Todos esses filmes, e outros, marcaram minha vida.” O personagem de Breno Nina, o filho, chama-se Marlonbrando. O ator não teve a tentação de imitar o astro de Hollywood. “Cheguei a discutir com o Iberê se ele queria algum tipo de homenagem, mas não era o caso.” 

Estrear nas telas, como faz Breno, contracenando com Othon Bastos, um ator mítico do cinema do País, e de cara vencendo o Kikito em Gramado, tudo isso foi um sonho para Breno. “Quando Iberê me escolheu, já foi uma emoção muito forte. O anúncio do prêmio desencadeou um filme na minha mente. Tudo passou rápido. A seleção, o processo, a alegria. Othon foi muito generoso comigo. Iberê, também. Não tenho nada marcado, para fazer a seguir, mas espero que esse prêmio me ajude. De qualquer maneira, nunca vou esquecer. A emoção de vencer foi muito forte.”

Leia a crítica: No filme 'O Último Cine Drive-in', o triunfo é da humanidade sobre a perfeição

 

Confira o trailer de 'O Último Cine Drive-in'

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