O troféu Ernesto ?Che? Guevara vai para o argentino M

Em uma seleção que nitidamente valoriza não só o cinema não só por sua excelência estética, mas por suas opções políticas, a premiação de M é a confirmação da preocupação engajada do Festival de Mar del Plata. Não por acaso, o prêmio em sua primeira edição ganhou o sugestivo nome de Ernesto ?Che? Guevara. Nada mais adequado a M. Este documentário dirigido por Nicolás Prividera faz um retrato contundente de uma geração de desaparecidos, e dos filhos destes desaparecidos, que sofreram e ainda sofrem com os ecos de uma sangrenta ditadura militar. O filme acompanha a saga de um filho de uma militante desaparecida em 1976. Quando ele está quase para completar a idade que sua mãe tinha quando foi seqüestrada, resolve mover uma ação judicial que acaba envolvendo até mesmo Jorge Zorreguieta, pai da princesa da Holanda. A repercussão do caso é tamanha que o filho sente a necessidade de não só levar a ação até o final, mas também de descobrir quem foi realmente sua mãe. Ele começa uma investigação intensa sobre os motivos do desaparecimento de sua mãe, vai em busca de seus companheiros de luta, os registros em órgãos oficiais. Desta busca, acabem surgindo, em vez de respostas, mais perguntas sobre os silêncios, a omissão e as dificuldades de uma história que não é só sua, mas de toda uma sociedade latino-americana que ainda tem as feridas deixadas pelas respectivas ditaduras abertas. ?Queria agradecer a todos pelo respeito e pelo reconhecimento a este filme. E, claro, ao festival, que abre esta importante janela para o cinema latino-americano?, declarou o jovem diretor. A Seleção Latina, que teve outros representantes não menos políticos e favoritos, como Cocaleros, Pancho Villa - A Revolução ainda não Terminou e Baixio das Bestas, de Cláudio Assis, começa bem. E marca seu forte caráter engajado desde seu início.

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