"O Toque do Oboé" sai em vídeo

Sai em vídeo O Toque do Oboé, de Cláudio Mac Dowell, que ficou em cartaz apenas duas semanas no Rio e duas em São Paulo, em 1999. Embora pouco visto pelos brasileiros, o filme já foi indicado para mais de 20 festivais internacionais, ganhando elogios na América Latina, Estados Unidos, Índia e até no Festival de Roterdã, a mais importante mostra européia de cinema alternativo. Como reconhecimento final, ganhou ainda o prêmio de crítica e júri popular do Festival de Miami do ano passado. Na noite de exibição, na praia de Miami Beach, obteve mais público que em todo o período em cartaz no Rio.O filme é uma co-produção entre Brasil e Paraguai, com apoio da RioFilmes. Paulo Betti faz um músico que chega numa pequena cidade em visível decadência. Ele é convidado por Aurora (Leticia Vota) a ajudar a reabrir o antigo cinema do local, acompanhando os filmes mudos com o som do seu oboé. Em paisagens pitorescas do Paraguai, Claudio Mac Dowell cria situações surreais. Efeito da música e do cinema surtido nos moradores, cada personagem começa a repensar sua vida, como o Sr. Sosa, um velho de cem anos que teima em "ressuscitar" sempre que está em vias de ser enterrado, protagonizado por Mario Lozano, prêmio de melhor ator coadjuvante em Gramado.O diretor acredita que o filme não teve a repercussão merecida no País pela dificuldade de investimento em publicidade. "O Eu, Tu, Eles gastou R$ 1,5 milhão em publicidade; isso foi o preço do meu filme", diz Mac Dowell. Para ele, o mercado de cinema no Brasil serve bem aos grandes distribuidores americanos que hoje se preocupam mais com a industrialização e menos com a qualidade. "Nós temos dois dias após a estréia para provar que o filme dá público, para garantirmos a continuidade da exibição." Confirmando a teoria de Mac Dowell, Eu, Tu, Eles está em quarto lugar de bilheteria no Rio, com mais de 275 mil espectadores, abaixo somente das superproduções americanas Mar em Fúria, X-Men e 60 Segundos, segundo dados da publicação Filme B.O júri do Festival de Miami de 99, formado por diretores e produtores americanos, rendeu-se à história nada convencional de O Toque do Oboé. Encantado mesmo ficaram os mais de 2,5 mil espectadores do filme de Mac Dowell, que tinha entre os concorrentes O Primeiro Dia, de Walter Salles, Ação entre Amigos, de Beto Brant e Amor e Cia, de Helvécio Ratton. O filme continuou recebendo indicações para importantes festivais internacionais chegando a ganhar o Prêmio da Crítica Internacional, no Festival de Bombaim, na Índia, neste mesmo ano. Em Roterdã, na Holanda, o filme ficou em 16º na escolha popular, à frente de títulos importantes como Felicidade, de Todd Solondz e Deuses e Monstros, de Bill Condom, vencedor do Oscar de roteiro adaptado em 98.Claudio Mac Dowell ficou conhecido na década de 70 quando chegou a levar mais de 1,5 milhão de espectadores aos cinemas com seu Luz, Cama, Ação. Dessa vez, o diretor viveu uma verdadeira saga , tendo que contrabandear latas de filmes do Brasil para o Paraguai, onde o filme foi todo rodado. "Descobri que o Mercosul não existe para a cultura", desabafa. Por lei, as 150 latas de filmes que saíram do Brasil só estariam isentas de taxação se voltassem em mesmo número para o País. O que é impossível num processo de filmagem onde as películas teriam de ser reveladas aos poucos para garantir a qualidade do produto final." Descobrimos que não existe um dispositivo legal para garantir o trânsito necessário desse material sem taxação".

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