'O Suspeito' reflete a luta dos EUA contra o terror

Em filme de Gavin Hood, mulher tenta descobrir o paradeiro do marido que desaparece em vôo rumo aos EUA

Luiz Zanin Oricchio,

08 de janeiro de 2010 | 16h46

O que acontece quando o combate ao terrorismo põe em risco as garantias individuais? É uma questão que tem atormentado os cidadãos norte-americanos mais conscientes e aparece como tema deste bom longa-metragem de Gavin Hood, O Suspeito. O Patriot Act, instrumento aprovado pelo Congresso americano após os atentados de 11 de setembro de 2001, permite medidas excepcionais no combate ao terrorismo. Entre elas, a que vem mencionada no filme de Hood - um suspeito, de origem estrangeira, pode ser tirado clandestinamente do território americano para ser interrogado em seu país de origem. Os "métodos" de interrogatório são aqueles que já se conhece. Veja também Trailer de 'O Suspeito'  E é a essa metodologia que é submetido o egípcio residente nos EUA Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally), que volta de uma viagem à África do Sul, é seqüestrado em solo americano e vê-se mandado para uma cela infecta em outro país. Anwar tem a má sorte da origem muçulmana e de ser um químico brilhante e com experiência em explosivos. Tudo depõe contra ele e quem o interroga quer saber de suas supostas ligações com uma rede terrorista. O filme é baseado nas questões éticas que estão sendo discutidas pela parte mais esclarecida da opinião pública norte-americana. A funcionária da CIA, Corrine Whitman (Meryl Streep), representa a face inflexível da Realpolitik - faz-se o que deve ser feito e as perdas humanas devem ser consideradas numa relação de custo e benefício. Rose Whiterspoon interpreta Isabella, a esposa grávida de Anwar, que procura localizar o marido desaparecido. Já o agente Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal) é uma espécie de consciência em crise do sistema. Ele é designado para acompanhar o caso pessoalmente e se mostra em dúvida diante do que vê. Não se trata de um olhar inocente. Ele mesmo testemunhou um amigo morrer num atentado, mas talvez não se sinta à vontade diante de tais métodos. E tem sérias dúvidas sobre a culpabilidade de Anwar. Confrontados com quem os ameaça, os Estados têm formas de reação diversas. O Estado brasileiro, em 1968, baixou o AI-5 e colocou a sociedade inteira sob seu tacão. A França torturou durante a Guerra da Argélia. A Itália combateu as Brigadas Vermelhas e a Alemanha o grupo Baarder Meinhof sem se arquivarem as garantias democráticas. Há quem veja no Patriot Act uma espécie de AI-5 à americana. Alguns deles estão alarmados e o filme de Gavin Hood (mesmo diretor de Tsotsi) testemunha essa inquietação. L.Z.O.  O Suspeito (Rendition, EUA-África do Sul/2007, 120 min.) - Drama. Dir. Gavin Hood. 14 anos. Cotação: Bom

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