Columbia Pictures
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O segredo do sucesso de Dan Brown no cinema

Diluindo erudição em doses fartas de cultura pop, o diretor Ron Howard, que fez três filmes, tem sido o 'intérprete' habitual dos textos do escritor nas telas

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2017 | 06h00

O diretor Ron Howard tem sido o “intérprete” habitual do texto de Dan Brown no cinema. Adaptou O Código da Vinci (2006), Anjos e Demônios (2009) e Inferno (2016). No novo capítulo da franquia, Howard poderá ser o produtor, deixando a direção para Mark Romanek. Diz-se que escreverá o roteiro, no entanto. A máquina não para. 

Talvez o filme exemplar de toda essa série seja mesmo O Código da Vinci. Com Tom Hanks como o arqueólogo Robert Langdon, filme e romance foram best-sellers em escala mundial. Langdon é um especialista em símbolos, chamado a decifrar um crime acontecido no Museu do Louvre, em Paris. As pistas estão na obra do gênio Leonardo Da Vinci e guiarão o detetive-explorador pelos meandros de trama que envolve seitas secretas, religião e a ameaça pairando sobre toda a cristandade. 

O formato, com variantes, é aplicado nos livros e filmes que se seguem. Tiram proveito de ícones culturais de prestígio (Louvre, Da Vinci, etc.) e os reciclam em história policial, que tem ainda o poder de encantar a todos. Trata-se de criar um detetive heroico e inteligente, que saiba lutar e seguir rastros deixados ocultos, às vezes sob a poeira dos séculos. 

Além disso, essas tramas bebem na paixão paranoica que todos possuímos um pouco. As teorias da conspiração prosperam porque parecem montadas em detalhes sutis que as tornam verossímeis. Mas, principalmente, porque estamos dispostos a acreditar que nada acontece por acaso. Que existe uma causalidade sutil na história dos homens e só não a vemos porque não estamos preparados. Os detetives existem para ampliar nossa visão e mostrar-nos os desvãos do mistério. 

A influência mais recente dessa tendência é de nobre origem e parece remontar à obra do semiólogo italiano Umberto Eco (1932-2016). Já acadêmico de sucesso, lançou no início dos anos 1980 seu primeiro romance, O Nome da Rosa, história de um serial killer instalado num mosteiro medieval. Em outra ficção, O Pêndulo de Foucault, Eco leva ao limite a paranoia e as teorias de conspiração, sempre embaladas em invejável domínio dos signos culturais.

A partir daí essa equação pareceu inevitável. Erudição + trama policial = sucesso de público. A série Robert Langdon não deixa de ter seu interesse. Dilui signos de cultura em doses fartas de narrativa linear, sem dispensar o culto pop às lutas físicas e corridas de automóveis. A vida é mesmo cheia de mistérios, mas os filmes são óbvios. 

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