"O Retorno da Múmia" estréia em todo Brasil

O Retorno da Múmia, filme que estréia amanhã em cinemas do todo o Brasil é aquele tipo de filme cuja crítica deve ser precedida pela informação econômica. Então, lá vai: o produto (pois é disso que se trata) fez US$ 68 milhões em sua estréia nos Estados Unidos. Os estúdios ficaram felizes, festejaram o êxito, que, aliás, era previsível: o primeiro da série foi um dos maiores sucessos de 1999. Às vezes as seqüências não dão certo. Raramente. Mas esta é uma consideração estética, que não se aplica ao caso. Tanto o primeiro quanto o segundo filme da série são autênticos espécimens na linha entretenimento. Cinema, pipoca, refrigerante gritinhos e conversa alta na sala de exibição. Público-alvo: adolescentes. De preferência, adolescentes de qualquer faixa de idade.Tudo isso tem receita. O negócio (no sentido mais rigoroso da palavra) é apostar numa mistura feliz de muita ação, pouco roteiro, uma montanha de efeitos especiais, exotismo geográfico e algum humor. Vale descobrir heróis bonitinhos, como Brendan Fraser e Rachel Weisz. E, claro, não poderia faltar um garotinho travesso simpático, inteligente e capaz de armar a maior trapalhada do mundo. É o menino, Alex, quem desencadeia a encrenca sobre a qual a história é baseada. Abre uma velha caixa, encontra um bracelete e coloca-o no pulso. Isso é bastante para ressuscitar uma força do mal do Egito antigo, um certo Escorpião Rei, que, com suas forças, poderá levar a humanidade à destruição. Outro personagem entra no imbróglio, o soturno Imhotep, a Múmia em pessoa, ressuscita e passa a assediar nossos heróis.É isso, mas o que interessa, se o caso for, é a maneira como é contado. Ou seja, com imagens, com ação praticamente ininterrupta. Uma montanha-russa trepidante, cansativa para quem gosta de outro tipo de cinema, talvez prazerosa para quem se contenta com este.A matriz óbvia da série Múmia é Indiana Jones, do esperto Steven Spielberg. Os mesmos ingredientes são retomados, com algumas leves modificações. No original, há o arqueólogo Harrison Ford; agora o cientista da família é a mulher, Evelyn (Rachel Weisz). Esse aggiornamento feminista vem acompanhado de algumas novidades. Por exemplo, a presença de artes marciais no roteiro, com o flagrante anacronismo de duas lutadoras egípcias trocando pernadas e porradas nos tempos idos de Ramsés. Aparentemente, lutas marciais, e entre mulheres, já entrou para o imaginário do cinema comercial - haja vista o êxito de O Tigre e o Dragão (Oscar de melhor filme estrangeiro, entre outras estatuetas), que vende essa "tendência", esmaltada com o devido verniz artístico.Como o cinema comercial segue a lei de Lavoisier (nada se perde, nada se cria, tudo se transforma), o que dá certo em um filme, entra em outro num contexto totalmente diferente. E assim a coisa segue. Se O Retorno da Múmia fosse uma escola de samba poderíamos dizer que seu quesito forte é o que diz respeito aos efeitos especiais. E o fraco, entre outros, o enredo, quer dizer, o roteiro, a história propriamente dita. Esse tipo de cinema, com a entrada em cena da computação gráfica e outros recursos, chegou à perfeição visual. Pena que ela raramente seja colocada a serviço de alguma idéia inteligente. Quase nunca, para dizer a verdade.

Agencia Estado,

17 de maio de 2001 | 18h20

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