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'O Que Terá Acontecido a Baby Jane?', com Joan Crawford e Bette Davis, reergueu Robert Aldrich

Diretor foi considerado um derrotado pela indústria

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2016 | 05h00

Whatever Happened to Baby Jane, O Que Terá Acontecido a Baby Jane? Não, a pergunta que os críticos se faziam em 1962 era - o que terá acontecido a Robert Aldrich? Nos anos 1950, e no biênio 1955/56, ele se estabelecera como o mais poderoso autor de sua geração com seus clássicos de gêneros. Western, filmes de guerra, noir. O Último Bravo, Vera Cruz, A Morte Num Beijo, Morte Sem Glória e A Grande Chantagem. E, então, tendo chegado rapidamente ao topo, Aldrich começou a alinhar problemas com produtores, obras remontadas, destruídas. No começo dos anos 1960, muita gente na própria indústria o considerava derrotado. E veio Baby Jane.

Decorridos mais de 50 anos, o filme permanece um marco da tendências chamada de grand guignol no cinema. Mas, na época, foi mal recebido. Aldrich estaria apelando, era vulgar, camp. Todas as definições foram usadas, todos os adjetivos gastos. Duas grandes estrelas do passado, Bette Davis e Joan Crawford, também elas decadentes, viviam o inferno naquele casarão gótico, com ecos da mansão de outra deusa caída, Norma Desmond (Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses) e do Bates Motel de Psicose. Duas antigas estrelas mirins, e Blanche (Crawford) morria de ciúme da irmã, Baby Jane (Davis). Agora, confinada numa cadeira de rodas, Blanche inferniza a meio demente Jane.

Não há nada de camp em Baby Jane. Aldrich, na verdade, fez a síntese de Billy Wilder com Alfred Hitchcock e, depois de A Grande Chantagem, logrou outro portentoso ataque aos bastidores da indústria. O filme é dirigido com estilo, o roteiro (de Lukas Heller) é brilhante e a interpretação é gloriosa. Existem muitas referências a Crepúsculo dos Deuses - Bette, como Norma, contrata um pianista (lá é um roteirista) para o impossível retorno. O pianista zomba dela. É medíocre, enquanto ela foi grande. E o filme encerra prazeres perversos, como ver a ‘malvada’ Bette Davis sofrer nas mãos da irmã, que guarda um terrível segredo, só revelado no final. Com o tempo, Baby Jane passou a ser reconhecido como o filme de exceção que é. E fez tanto dinheiro que Aldrich se capitalizou, construiu um estúdio próprio e, se relançando na carreira, refez todos os filmes importantes de sua primeira fase e acrescentou outros, melhores ainda, ao currículo - Os Doze Condenados, Resgate de Uma Vida, A Lenda de Lylah Clare, A Vingança de Ulzana etc. Nada disso teria sido possível sem Baby Jane. Loucos estavam os (?) críticos. Aldrich sabia muito bem o que estava fazendo. Só se espera que a equipe que agora reinventa o clássico também saiba.

 

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