20th Century Fox/ Divulgação
O físico não é o mesmo de 35 anos atrás, mas isso não impede Arnold Schwarzenegger de quebrar tudo como o Exterminador 20th Century Fox/ Divulgação

‘O que era ficção científica virou realidade’, diz Arnold Schwarzenegger 

Em entrevista ao 'Estado', o ator falou um pouco sobre o preparo físico para voltar ao papel e fez uma rápida análise sobre o futuro das novas tecnologias

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

30 de outubro de 2019 | 06h00

Aos 72 anos de idade, Arnold Schwarzenegger pode ser um Exterminador do Futuro grisalho e com rugas, mas ainda bem capaz de fazer cenas de ação. Em entrevista ao Estado, ele falou sobre a preparação para viver o personagem mais uma vez. 


O ator Diego Boneta disse que ficou impressionado ao vê-lo treinando novamente logo depois de uma cirurgia cardíaca. Ela não mudou nada para você?

Não. Fiz em março, e o trabalho começava em julho. Então, tive tempo de me recuperar. Foi uma daquelas coisas lamentáveis em que você vai fazer um pequeno procedimento e acorda 18 horas depois com uma cicatriz no peito. Mas acontece. Eu queria voltar ao meu programa o mais rapidamente possível, e ter um objetivo foi muito útil. Então, já no hospital eu estabeleci metas: primeiro dar três voltas nos corredores, depois cinco, seis e assim por diante. A única coisa é que todo o mundo ficava me perguntando sobre a cronologia do filme, como se encaixava com os outros. 


Mas ninguém ficou preocupado?

Não. Quando liguei para o diretor Tim Miller e para Jim Cameron depois da cirurgia, eles perguntaram: De 0 a 10, como se sente? E eu respondi 5. Ouvi o Jim falando para o Tim, então significa 8. Porque ele sabe que eu sou duro comigo mesmo. Eles ficaram felizes. Quando cheguei ao set e começamos a ensaiar, eu pude fazer tudo o que me foi pedido. 


Você disse que as pessoas ficavam perguntando sobre a linha do tempo do filme. Não é difícil guardar segredo?

Não, porque fui instruído. No primeiro e no segundo filmes, era mais fácil fazer publicidade, dava para dizer o que queria. Mas agora os fãs são muito sofisticados e adivinham tudo antes do tempo. Tudo o que você diz acaba virando uma pista. O estúdio e Jim Cameron acham que as pessoas não querem, na verdade, saber. O maior erro no filme anterior em relação a esse foi revelar que John Connor se tornava um vilão. Agora, acho que aprenderam com aquele erro. 


O primeiro Exterminador do Futuro saiu nos anos 1980. Como acha que a série fala aos dias de hoje? 

Bem, muita coisa que era considerada ficção científica tornou-se realidade. Isso que é incrível no trabalho de James Cameron, ele sabia, na época, o caminho que o mundo ia tomar. É incrível ver o progresso tecnológico. A única coisa que falta é os computadores tornarem-se autoconscientes e começarem a comunicar-se uns com os outros. 


Como se sente em relação a isso?

Estamos chegando lá. E é perigoso. Como sabemos, sempre há uma maneira de usar para o bem ou para o mal. Então, temos de ter cuidado para não usar para o mal.

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'Foi bom ter a gangue junta de novo', diz Arnold Schwarzenegger sobre novo 'Exterminador'

Linda Hamilton e James Cameron voltaram quebrando tudo após quase trinta anos do último filme da série em que trabalharam juntos

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

30 de outubro de 2019 | 06h00

LOS ANGELES - Ele sempre promete que vai voltar – e cumpre. Arnold Schwarzenegger retorna à série O Exterminador do Futuro, que começou 35 anos atrás, agora com O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, dirigido por Tim Miller (Deadpool) – e que estreia nesta quinta, 31. Mas, agora, o astro, que participou de quatro dos cinco longas anteriores, vem em companhia luxuosa, com James Cameron, o criador da saga, como um dos autores do argumento, e Linda Hamilton, a Sarah Connor. Os dois não participavam ativamente da franquia desde O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991). “Foi bom ter a gangue junta de novo”, diz Schwarzenegger em entrevista ao Estado, em Los Angeles

Linda Hamilton, que sempre achou que tinha dito tudo o que tinha para dizer com a sua icônica personagem, viu que estava errada e que a passagem do tempo justificava sua volta. “Deixamos o último filme com um fio de esperança, mas ela continua na sua guerra contra as máquinas, sem estar muito enamorada dos seres humanos. Quem é Sarah Connor hoje era a minha pergunta”, afirma a atriz. A presença de James Cameron, seu ex-marido e pai de sua filha Josephine, também foi fundamental para garantir sua volta. “Ele tem uma visão, isso é inegável. Não fiz um terceiro filme antes porque ele não estava participando”, diz a atriz. 

Em O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, Sarah Connor aparece do nada para ajudar Grace (Mackenzie Davis), uma humana que recebeu implantes para melhorar sua visão, velocidade e força, a proteger a jovem mexicana Dani Ramos (a colombiana Natalia Reyes), que está sendo perseguida pelo novo Exterminador do Futuro (Gabriel Luna), capaz de se liquefazer e se dividir em dois.

“Nunca fiquei tão empolgada com um grupo como fiquei com Mackenzie e Natalia”, diz Linda. “Somos três mulheres completamente diferentes. Elas são extraordinárias. Ficamos muito impressionadas umas com as outras, rimos demais, temos um grupo de SMS chamado ‘Já são 6?’, porque ou trabalhávamos até seis da tarde ou até seis da manhã.” 

Natalia Reyes nem tinha nascido quando O Exterminador do Futuro foi lançado, em 1984, mas ela assistiu aos dois primeiros filmes quando era criança e disse ter se apaixonado pelo universo – e por Sarah Connor. “Ver aquela mulher forte fazendo aquelas flexões de braço foi inspirador. Queria ser como ela”, conta a atriz. 

Já Mackenzie Davis nunca tinha visto os dois longas até seis meses antes dos testes para Destino Sombrio. “Foi completamente aleatório, alguém me recomendou os dois filmes, disse que era importante ver porque tinha uma personagem feminina fundamental”, diz. “E, claro, quando vi, fiquei apaixonada.” Depois disso, a atriz correu atrás de um papel no longa. Escolhida, teve um momento de pânico. “Achei que não ia conseguir fazer, que não ia ser boa. Porque é tudo muito novo para mim, parecia que era uma atriz de pequenos filmes independentes de repente selecionada para uma ópera”, conta ela, que fez Tully e o famoso episódio San Junipero, de Black Mirror. 

O trio feminino vai topar com o T-800 de Arnold Schwarzenegger em algum momento – e ele está levando uma vida mais pacata. A idade também chegou para o Exterminador. “Estabelecemos lá atrás que seu esqueleto não envelhece, mas seu exterior é humano. Ele sua, tem mau hálito, e seu cabelo fica grisalho”, diz o ator. Mas claro que a relação de T-800, que agora atende pelo nome de Carl, com Sarah Connor não vai ser das mais fáceis. 

Linda é só elogios a seu companheiro de cena. “Foi mais divertido do que nunca. Não mantivemos contato depois de ele virar governador. Mas fiquei tão feliz de reencontrá-lo!”, diz a atriz. Os fãs também vão ficar: as cenas entre Schwarzenegger e Linda, à la Um Estranho Casal, são das melhores coisas do filme. 

 

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‘Exterminador’ é franquia inesgotável com alguns tropeços, mas que nunca deixou de atrair

Os dois primeiros filmes têm direção de James Cameron - e talvez por isso sejam melhores. O novo põe o foco em Linda Hamilton

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2019 | 06h00

Criada em 1984 pelo produtor James Cameron e sua então mulher, Gale Anne Hurd, a franquia Exterminador do Futuro/Terminator chega ao seu sexto filme com Destino Sombrio, que estreia nesta quinta, 31, em salas de todo o Brasil. Derivada da franquia, em uma época que não se falava em spin-off, surgiu, em 2008/2009, a série The Sarah Connor Chronicles, centrada na personagem de Linda Hamilton, que agora volta ao papel em mais um longa. Há 35 anos, o jovem Cameron – com 30 anos na época (ele nasceu em 1954) – engatinhava em Hollywood. Havia feito apenas um filme, Piranha 2, mas já possuía experiência com efeitos especiais, direção de arte e fotografia, adquirida no trabalho com Roger Corman e John Carpenter, em Fuga de Nova York.

Inicialmente, Cameron sonhava ser quadrinista, mas depois de assistir ao clássico de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, trocou o rumo e orientou-se para o cinema. Obcecado pelo computador Hal-000, que controla a nave da odisseia kubrickiana, imaginou um futuro distópico em que raros sobreviventes humanos enfrentam as máquinas que dominaram a Terra. Na fantasia de Cameron, um hipotético sistema digital defensivo montado pelo governo dos EUAGlobal Digital Defense Network, operado por Cyberdyne Systems – escapa ao controle humano e se estabelece como poder absoluto. No filme, esse sistema de inteligência chama-se Skynet e, para protegê-lo, que chega do futuro um ciborgue indestrutível. Sua missão é caçar e, presumivelmente, matar uma mulher, Sarah Connor, que, ao longo da trama, descobriremos, ser á mãe do futuro líder da resistência dos homens às máquinas.

Arnold Schwarzenegger já havia feito Conan, baseado no personagem de Robert E. Howard, mas foi com o Terminator que virou astro, e fundou seu mito. O homem-máquina, que não expressa emoção e não pode ser parado. Para contar essa história, Cameron fez um filme que também não para nunca – são 108 minutos de ação contínua e muitas cenas espetaculares. Um modelo para futuras ficções que surgiram,nessa trilha aberta por Cameron e Gale, que escreveram o roteiro inspirados em trabalhos de Harlan Ellison. O sucesso foi imenso, mas, só em 1991, sete anos mais tarde, surgiu O Exterminador do Futuro – Julgamento Final. O título apocalíptico refere-se ao julgamento bíblico, o Juízo Final, e dessa vez o Terminator, convertido em protetor de John Connor, o salvador, enfrenta um ciborgue rival, que, esse sim, veio do futuro para matar o garoto, interpretado por Edward Furlong.

Inspiração. Entre os dois filmes, Cameron realizara Aliens – O Resgate, em 1986, e O Segredo do Abismo, em 1989. Veio desse último o homem-máquina aterrador de Michael Biehn.

Produto de ponta de uma geração mais acurada que a de Schwarzenegger, ele é líquido e consegue assumir as mais variadas formas, o que o torna ainda mais perigoso. O sucesso foi estrondoso, mas Cameron, embarcando na aventura de Titanic (1998), distanciou-se de sua criação para abraçar outra. O terceiro Exterminador, A Rebelião das Máquinas, de 2003, teve direção de Jonathan Mostow, que havia feito Breakdown – Perseguição Implacável. Como Edward Furlong se envolvera com drogas, foi substituído, no papel de John Connor, por Nick Stahl e a novidade é que o ciborgue era agora do gênero feminino, outra máquina destruidora sob a bela aparência de Kristanna Loke. Schwarzenegger envolvera-se com a política e sonhava com a cadeira presidencial – que, numa cena, Mostow mostra sugestivamente vazia. É considerado o mais fraco da série, mas tem seus momentos. E Schawrzenegger repete a fala emblemática do Terminator“I’ll be back”. No quarto, o astro caiu fora e outros atores assumiram o centro da ação.

Em Salvação (2009), de McG, John Connor (Christian Bale) combate as máquinas quando chega esse formidável estranho (Sam Worthington) – o ator de Cameron em Avatar – que não se lembra de onde esteve, nem de como adquiriu essa força. Em Gênesis (2015), de Alan Taylor, a Skynet aciona uma máquina do tempo da qual sai Schwarzenegger (um pouco mais velho), retomando a franquia, mas levando-a em outra direção. No novo Destino Sombrio, de Tim Miller, o foco está em Sarah Connor, de novo Linda Hamilton. Empoderamento feminino. O trailer é espetacular, e fã nenhum da franquia vai querer perder.

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