Victoria Will/Invision/AP
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'O que a Marvel faz não é cinema', diz o diretor Martin Scorsese

Criador de 'Taxi Driver' e 'Touro Indomável' afirma que filmes com super-heróis não transmitem experiências emocionais e psicológicas às pessoas

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2019 | 19h24

Martin Scorsese, um dos cineastas de maior prestígio da atualidade, provocou polêmica no meio cinematográfico na sexta-feira, 4, quando afirmou que os longas de super-heróis, como os dos estúdios da Marvel, “não são filmes”.

“Eu não os vejo. Tentei, sabia? Mas isso não é cinema”, disse Scorsese em entrevista à revista britânica Empire. “Honestamente, o mais perto que posso estar deles, por mais bem feitos que sejam, com atores que fazem o melhor possível nessas circunstâncias, são os parques temáticos”, brincou o diretor de 76 anos, ignorando os 23 longas já financiados pela Marvel.

“Não é o cinema de seres humanos que tenta transmitir experiências emocionais e psicológicas a outro ser humano”, continuou ele que, além de ser considerado um dos maiores cineastas americanos atuais, é um ferrenho defensor da sétima arte, financiando projetos de restauro de longas ameaçados de desaparecer, graças à ação da entidade Film Foundation, capitaneada por ele – o filme Limite, dirigido pelo brasileiro Mário Peixoto em 1931, por exemplo, é uma obra que foi restaurada pela organização.

Tais comentários tão incisivos abalaram a comunidade cinematográfica de Hollywood, onde o autor de filmes lendários como Taxi Driver, Touro Indomável ou Cassino é habitualmente idolatrado pelos profissionais do cinema.

“Martin Scorsese é um dos meus cinco cineastas favoritos. Fiquei indignado quando as pessoas se manifestaram contra um de seus filmes, A Última Tentação de Cristo, sem nem ter visto”, tuitou James Gunn, diretor de Guardiões da Galáxia. “Me entristece que agora esteja julgando meus filmes da mesma maneira”, continuou.

“Quem pensa que a Marvel está apenas tentando fazer passeios em parques temáticos é injusto e cínico”, disse Christopher Robert Cargill, roteirista de Doutor Estranho. “Creio que uma das maiores falácias do pensamento moderno é que o cinema precisa ser um desafio”, acrescentou ele, no Twitter.

“Isso não apenas exclui muitos filmes excelentes que a maioria chamaria de cinema, mas descarta a ideia de que o cinema pode ser acessível a todos, que pode capturar a imaginação de crianças de 8 anos”, finalizou.

Scorsese mexeu em um vespeiro ao minimizar um gênero que tem mantido a saúde financeira da indústria do cinema – Vingadores – Ultimato, por exemplo, tornou-se o maior sucesso de bilheteria da história, ao somar mais de US$ 2,79 bilhões, em julho. / COM AFP

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