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O problema não são as comédias, mas os bons filmes que não são vistos

Distribuição e exibição não favorecem obras de empenho estético

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2013 | 22h42

A retrospectiva do CineSesc, que começa amanhã, fornece um retrato sem retoques do que foi o cinema brasileiro em 2013. E o que vemos nessa imagem sem Photoshop é não apenas o cinema que tivemos como provavelmente o cinema que teremos nos próximos anos. Numa primeira apreciação do retrato, o que enxergamos como mais óbvio? A confirmação de que as comédias dão o tom do sucesso de bilheteria atual. Filmes cômicos, de preferência com atores e atrizes da TV Globo são a fórmula atual do êxito no Brasil.

Dos títulos que ultrapassaram o marco simbólico do milhão de espectadores, apenas Somos Tão Jovens e Faroeste Caboclo escapam ao gênero cômico. Todos os outros são comédias- Minha Mãe É uma Peça, De Pernas pro Ar 2, Meu Passado Me Condena, Vai que Dá Certo, O Concurso e Mato sem Cachorro.

Ano após ano essa tendência vem sendo reafirmada. Há quem prediga o esgotamento do gênero. Outros apostam em seu fôlego. Bem, é preciso não confundir análise com desejo. Gêneros não se esgotam com tanta facilidade e a comédia vem sendo praticada desde a Grécia antiga sem dar mostras de exaustão. Rir faz muito bem. Rir é prazeroso. O bom humor é um valor precioso e, num tempo menos exasperado, foi tido como traço de caráter do povo brasileiro. O que talvez se possa indagar é a qualidade do material oferecido ao riso do público. Nesse ponto talvez os produtores da nova comédia à brasileira estejam dando sopa ao azar, ao supor que a repetição do mesmo pode se eternizar no gosto do público.

Mas, enfim, a variada mostra do CineSesc concede uma segunda oportunidade também a filmes que estiveram longe de seduzir o grande público. Por exemplo, O Som ao Redor. Chegou próximo dos 100 mil espectadores, o que é uma marca razoável para uma obra do seu tipo. Poderia ter ido além, caso as condições de distribuição e exibição fossem melhores para títulos de empenho estético. Afinal, pelo debate que desencadeou e pelo prestígio que trouxe ao Brasil, essa produção do Recife deveria ter sido vista por mais gente.

E outras produções, ótimas também, e que não tiveram a mesma oportunidade? Filmes de ficção como Era uma Vez Eu, Verônica e O que se Move, documentários como Domésticas e Repare Bem, ficaram aquém das suas potencialidades. O problema não é as comédias estourarem nas bilheterias. Grave é os bons filmes não terem melhor oportunidade no mercado.

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