Reprodução
Reprodução

O poderoso chefão de Francesco Rosi tira foco da família e coloca na sociedade

'Lucky Luciano - O Imperador da Máfia', de 1973, acaba de ser lançado em DVD

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 12h00

Francesco Rosi, morto em janeiro, aos 92 anos, vai ser lembrado como um diretor de firme convicção ideológica e autor de filmes políticos que elegeram homens de personalidade forte, em geral vindos do nada, cuja patológica obsessão pelo poder os conduz invariavelmente ao abismo de origem. Foi assim com O Bandido Giuliano (1961) – e é assim com Lucky Luciano – O Imperador da Máfia (1973), que o selo Cult Classic acaba de colocar no mercado, ampliando a oferta dos clássicos de Rosi após o lançamento de Cristo Parou em Éboli (Cult Classic), baseado no romance autobiográfico de Carlo Levi (1902-1975), médico e escritor antifascista condenado à prisão domiciliar numa remota aldeia da Itália, também com Gian Maria Volonté, o ator preferido do cineasta, no papel-título.

Volonté é a alma de Lucky Luciano, sobre o mafioso siciliano morto em 1962, aos 65 anos. Instalado com sua família em Nova York, onde, ainda criança, foi preso pela primeira vez por furto, ele já comandava, aos 23 anos, a rede de prostituição na cidade. Aos 30, tornou-se o milionário Charles “Lucky” Luciano. Mas, como o mundo está cheio de mafiosos ambiciosos como Luciano, logo o criador do sindicato do crime se viu desafiado por dois outros bandidos, Maranzano (Little Caesar) e Masseria (Joe Boss). Deu cabo da dupla de antagonistas, acabou com a guerra e reinou como o chefão de todos os chefões por um bom tempo, como nas histórias de mafiosos.

Coppola seguiu outro caminho na saga O Poderoso Chefão, focando na família como célula cancerígena que se espalha por toda a sociedade. Rosi não despreza a influência da dinâmica familiar, mas define seu capo como um produto do capitalismo – ainda que seu “Lucky” Luciano esteja longe de ser uma caricatura. É, antes, um ensaio sobre a perda de identidade numa comunidade em que o jogo mimético vira compulsório.

Terceira parceria entre Rosi e Volonté, Lucky Luciano foi, paradoxalmente, a concretização do projeto maior do bandido, que sonhava ver sua vida filmada. Encontrou o diretor certo. É trágica a cena em que ele encontra um produtor de Hollywood no aeroporto e morre de um ataque cardíaco quando está prestes a cumprimentar o homem. 

LUCKY LUCIANO – O IMPERADOR DA MÁFIA. Selo: Cult Classic. Duração: 105 min. Preço: R$ 29

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.