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O olhar da leitora do 'Estado' em Gramado

Jurada do 'Estadão' na mostra de cinema gaúcha fala do figurino de sua preferência

22 de julho de 2010 | 06h00

SÃO PAULO - Maria Alzira Marinho Garcia (foto) é psicóloga estabelecida na cidade de Itu, interior de São Paulo. Ela enviou o texto a seguir como resposta à pergunta: Qual o figurino de filme brasileiro de que você mais gostou? Entre dezenas de leitores, foi escolhida para representar o Estadão no corpo do chamado "júri popular" do 38º Festival de Cinema de Gramado, de 6 a 14 de agosto.

 

Marinho Garcia, especial para o 'Estado'

 

O Quatrilho, 1994, de Fábio Barreto. Interior do Rio Grande do Sul, 1910. A trajetória de imigrantes italianos vem acompanhada por um figurino que espelha suas emoções. A simplicidade dos sentimentos se reflete na rusticidade das roupas de homens e mulheres que têm no trabalho sua missão.

 

O vestuário feminino permite observar o desenrolar da vida emocional das personagens. As cores claras acompanham o movimento interno de Teresa. Uma mulher alegre e sonhadora que se desaponta com o casamento, no qual seus desejos românticos são constantemente rechaçados. Neste relacionamento frustrante paira a questão: onde está o amor? Mesmo na vida dura do campo, onde o trabalho está acima de qualquer capricho, deve existir algo mais.

 

 

Leitora do 'Estadão' vai fazer parte do júri popular no Festival de Gramado. Foto: Divulgação

 

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Pierina com suas roupas escuras retrata sua resignação, demonstrando aceitar o que acredita ser o destino de uma mulher. Sua função é o serviço da casa, a maternidade e o trabalho junto ao marido. Neste mundo não sobra espaço para devaneios e determinados assuntos só dizem respeito aos homens, responsáveis pelas decisões importantes.

 

Quando se desmonta este arranjo, surge para Pierina, como num flash, algo do feminino até então represado. Suas roupas adquirem tons mais alegres acompanhando esta nova face de mulher, dona de sua história.

 

A reunião de um novo casal com perfis similares traz o enriquecimento, que se traduz em uma forma mais sofisticada no vestir. Inclusive com a mudança para a cidade e a assunção de novos papéis perante a sociedade. O retrato da família é o marco destas conquistas onde cada um de seus membros aparece em seus melhores trajes.

 

A tonalidade suave que percorre todo o filme poderia se resumir na seguinte frase, dita por uma ou outra personagem: "Não temos tempo para grandes emoções. Aqui nossa preocupação é ganhar a vida. Mas não por isso, estamos destituídos de nossos momentos de intensa ternura."

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