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O novo 'Peter Pan' e o angustiante 'A Travessia' estão entre as estreias da semana

Confira o trailer dos 11 filmes que entram em cartaz e a análise do crítico Luiz Carlos Merten

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2015 | 17h22

Neste ano em que se completam três décadas de De Volta para o Futuro, o diretor Robert Zemeckis reencontra o melhor de sua forma e assina A Travessia, que poderá muito bem ser um dos grandes filmes do ano. Sem nenhuma referência ao 11 de Setembro, até porque os fatos narrados ocorreram antes, o filme celebra as torres gêmeas de Nova York e faz delas o símbolo do esforço humano por superação e transcendência. A sombra dos Beatles também se projeta sobre Viver É Fácil com os Olhos Fechados, de David Trueba, com Javier Cámara. O ator de Pedro Almodóvar está excepcional num papel dramático em Truman, que integra a seleção do Festival do Rio. 

Aqui Deste Lugar, de Sérgio Machado e Fernando Coimbra.

O projeto nasceu como documentário sobre o Bolsa Família, mostrando como afeta famílias de basixa renda de diferentes regiões do Brasil (São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará). Durante o processo, tomou outro rumo e passou a refletir ansiedades de uma juventude brasileira que, antes excluída, agora se permite sonhar. O diretor Machado aborda um tema parecido, como ficção, em, Tudo o Que Aprendemos Juntos, com Lázaro Ramos, que concorre no Festival do Rio, sobre a orquestra de Heliópolis. (Brasil, 205, 87 min. Livre.)

Os Árabes Também Dançam, de Eran Riklis, com Tawfeek Barhom, Razi Gabareen, Yaël Abecassis.

Conhecido por filmes como A Noiva Síria e Lemon Tree, o talentoso diretor israelense volta com a história de menino de uma aldeia árabe de Israel. Ele vai para um colégio em que a disciplina é rígida e ainda sofre preconceito dos colegas. Apaixona-se por uma menina e só tem apoio de garoto paralítico - que ama o Joy Division. Nosso herói, contra tudo e todos, também não deixa de sonhar. E a dança vai ser a expressão de sua liberdade. (Israel, 2014, 105 min. 12 anos.)

Bata Antes de Entrar, de Eli Roth, com Keanu Reeves, Lorenza Izzo, Ana de Armas.

A publicidade do filme adverte - certas portas não devem ser abertas. Sozinho em casa, Keanu Reeves acolhe duas jovens que fogem da chuva. Elas assumem o controle da situação, iniciam uma orgia de sexo e violência e ainda ameaçam acabar com a família dele. Adivinhe se o homem acuado não pega em armas. Não deixa de ser uma espécie de versão invertida de Atração Fatal, o filme famoso de Adrian Lynne, com Keanu no papel de Glenn Close. O diretor Roth é cria de Quentin Tarantino. Foi ator em Bastardos Inglórios e realizou Albergue 1 e 2, fantasias de terror sanguinolentas e assustadoras. (Chile/EUA, 2015, 99 min, 14 anos.)

Bwakaw, de Jun Robles Lana, com Eddie Garcia, Princess, Rez Cortez

O nome difícil de pronunciar ('Buacó') é do cachorro, mas o protagonista é um velho gay que vive sozinho com seu cão. A doença do animal e a ligação com um motorista homofóbico, de alguma forma, mudam sua vida. O filme é delicado e rico em observações sobre a terceira idade. Seria reducionismo conformá-lo ao circuito do cinema GLBTQ. (Filipinas/2012, 110 min, 14 anos.)

Dois Casamentos, de Luiz Rosemberg Filho, com Patricia Niedmeyer, Ana Abbott

Duas noivas, à espera dos respectivos casamentos, refletem sobre a vida e suas escolhas. O diretor Rosemberg Filho, autor de obras seminais dos anos 1970 - Jardim das Espumas, Assuntina das Américas, Crônica de Um Industrial - também faz suas escolhas e, como sempre, por um cinema experimental e inovador. Durante todo esse tempo, Rosemberg nunca parou de produzir, fazendo filmes de 'colagem' que ganharam novas plataformas e circuitos, e o transformaram em mito de sua geração. Seu 'revival' está muito ligado à figura do produtor Cavi Borges, o Roger Corman brasileiro, outro expoente da invenção no cinema brasileiro. (Brasil/2014, 75 min, 14 anos.)

Horas de Desespero, de John Erick Dowdle, com Owen Wilson, Pierce Brosnan, Lake Bell.

Owen Wilson muda-se com a família para a Ásia. O choque cultural vai sendo levado até que ele acorda no meio de uma guerra civil em que a ordem é executar os estrangeiros. Owen Wilson, como herói de ação, pega em armas com o ex-007, Pierce Brosnan. Nenhuma semana fica completa sem, a pancadaria de Hollywood. (EUA, 2015, 100 min. 16 anos.)

Lulu, Nua e Crua, de Solveig Anspach, com Karin Viard, Claude Genbsac, Philippe Lebrot.

Insegura e nervosa após entrevista de emprego em que acha que foi descartada, Karin Viard decide não voltar para casa, onde a esperam o marido e os filhos. A atriz e a diretora trabalharam juntas, em 1999, no drama Haut les Coeurs!, sobre grávida que descobre ter câncer de mama. O novo filme estreia sob o impacto da morte de Solveig. A autora islandesa morreu em agosto, justamente de câncer. Esse filme não deixa de ser seu testamento sobre a insatisfação feminina no mundo moderno. (França, 2014, 18 anos.)

Peter Pan, de Joe Wright, com Levi Millker, Hugh Jackman, Garret Hedlund.

O cinema já contou diferentes versões da histórias famosa de James Barrie. Essa conta como Peter vira Pan e, embora as referências sejam as piores, há que confiar no diretor Wright. Autor de belos filmes como Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação, ele ama os planos-sequência e sabe dosar ação e intimismo. (EUA/Inglaterra/Austrália, 2015, 111 min. Livre.)

Respire, de Mélanie Laurent, com Joséphine Japy, Isabelle Carré.

Adolescente insegura e solitária liga-se a garota que a faz se sentir bem. Evedntualmente, o desinteresse da 'amiga', que nem sempre está disponível, aumenta sua fragilidade interna. Atriz, cantora e agora diretora, Mélanie co-estrelou Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, e também brilhou em O Concerto, de Radu Mihaileanu. A expectativa é de que tenha aprendido com esses grandes diretores, mesmo que o filme dela não tenha nada a ver com um nem outro. (França, 2014, 91 min. 18 anos.)

A Travessia, de Robert Zemeckis, com Joseph Gordon-Leviott, Charlotte Le Bron, Ben Kingsley.

A grande estreia da semana é esse belo filme do diretor Zemeckis, que talvez venha a ser um dos melhores do ano. O francês Philippe Petit já foi tema de um documentário premiado, O Equilibrista, que reconstituía seu grande feito - a travessia das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Zemeckis aborda o tema em chave de ficção para celebrar as torres que tombaram no trágico 11 de Setembro. São elas as protagonistas da história. Sem ódio nem rancor, o diretor lembra que as torres eram um corpo estranho na paisagem de Nova York e que foi o estrangeiro Petit que lhes deu uma 'alma'. Completam-se em 2015 30 anos de De Volta Para o Futuro, que deu origem a uma trilogia cultuada. Além dos três filmes, Zemeckis fez também Uma Cilada para Roger Rabitt e Forrest Gump, o Contador de Histórias, que lhe deu o Oscar. Ele perdeu o rumo, fez filmes que não 'aconteceram', mas se reencontra com A Travessia, que talvez seja - é - sua obra-prima. (EUA/2015, 123 min. Livre.)

Viver é Fácil Com os Olhos Fechados, de David Trueba, com Javier Cámara, Natalia de Molina.

Na Espanha de 1966, professor que usa músicas dos Beatles para ensinar inglês descobre que John Lennon vai visitar a província de Almeria (onde Sergio Leone filmou seus spaghetti westerns). Ele cai na estrada para tentar encontrar seu ídolo e dá carona a dois jovens. Cámara é sempre divertidíssimo como bicha louca nos filmes de Pedro Almodóvar. Em Truman, que integra a seleção do Festival do Rio, contracena com Ricardo Darín e revela outra faceta do seu talento, a de ator dramático, e num papel de hétero. (Espanha, 2013, 108 min. 14 anos.) 

 

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