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O mutante incansável está de volta

Hugh Jackman estreia sexto filme no papel de 'Wolverine' já com data para lançar o sétimo

Tonica Chagas/Nova York, Especial para o Estado

23 de julho de 2013 | 08h33

Sem ter lido gibis da Marvel Comics quando era adolescente e nunca ter ouvido falar no animal que dá nome ao personagem, Hugh Jackman teve só três semanas para se preparar para viver Wolverine em X-Men - O Filme em 2000. Ele foi chamado para substituir o ator Dougray Scott, que não pôde fazer o papel por causa do atraso nas filmagens de Missão Impossível 2. Agora, depois de incorporar o super-herói em seis filmes – Wolverine – Imortal estreia nesta sexta no Brasil – e já ter no calendário o lançamento do sétimo, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, previsto para maio do ano que vem, o australiano quer ir adiante com o mutante o quanto for possível. “Gosto muito dele, talvez mais do que antes. E não estou pronto para desistir dele”, avisou na entrevista para divulgação de Wolverine – Imortal, duas semanas atrás, da qual participou o Estado.

A idade é provavelmente o principal limite que lhe impediria de continuar no papel, pois o “fator X”, que distingue os mutantes X-Men, é a capacidade de Wolverine se regenerar de ferimentos ou coisas ruins que aconteçam a seu corpo. Por isso, Jackman quase lamenta quando se lembra de que o personagem envelhece devagar. “Em algum momento, esse limite vai ficar claro para mim ou para os fãs e o estúdio vai achar que é hora de mudar.”

Antes que isso aconteça, o ator imagina que seria fabuloso juntar Wolverine com o esquadrão que escapou das revistas da Marvel para atrair milhões de pessoas aos cinemas do mundo todo. Para que essa ideia se concretize, seria preciso um acordo entre os estúdios que têm os direitos de filmagem dos personagens: Fox, Sony e Marvel Studios/Disney. Jackman avalia a possibilidade: “Sou um otimista, ainda acredito em paz no Oriente Médio”, compara. “Talvez quando conseguirem juntar tudo, eu não possa fazer o filme, mas gostaria de assistir como fã.”

Em Wolverine – Imortal, ele voltou a ser dirigido por James Mangold, com quem trabalhou em Kate & Leopold (2001). Na história, seu personagem vai para o Japão a pedido de um ex-militar salvo por ele no ataque atômico a Nagasaki, na Segunda Guerra. Agora um poderoso empresário, o homem está perto da morte e oferece a Logan/Wolverine a chance de escapar da imortalidade.

Bem-humorado, ao participar de uma mesa-redonda com jornalistas latino-americanos, Jackman falou sobre o filme, como ficou sabendo o que é um wolverine (nome em inglês de um animal da família dos furões e doninhas que se parece com um pequeno urso rabudo e não existe na Austrália) e da reação do filho, de 13 anos, e da filha, de 8, ao personagem.

Você disse não ter lido as histórias de super-heróis na adolescência. Quando conheceu Wolverine?

Apesar de X-Men ser muito popular na Austrália, nem eu nem meus amigos líamos gibis. Eu só lia tirinhas do Snoopy, do Garfield e outras que eram publicadas nos jornais e meu pai me dava. Mas, na pesquisa para os filmes, tive pilhas de revistas originais, compilações das sagas japonesas e de Wolverine com personagens específicos, passamos pela coisa toda. São 40 anos de histórias!

Como os desenhos o ajudaram nos filmes?

Como ator, a gente procura qualquer inspiração e respeito muito o trabalho de arte. Esses caras conhecem o personagem e são muito econômicos. É difícil explicar cinco sequências ao longo de 16 imagens numa história em quadrinhos. Usei muitos desenhos. Muitas das fotografias do filme vêm de imagens dos gibis.

E na criação do personagem?

Passei por uma situação embaraçosa no primeiro filme... Tive pouco tempo para me preparar e, um dia, passando na frente de um cinema que exibia um documentário sobre lobos (em inglês, wolves, plural de wolf), resolvi assistir para ver se teria algo sobre o wolverine. Prestei muita atenção na maneira como os lobos mantêm a cabeça baixa e olham para cima, apontando o focinho para o chão (enquanto descreve, faz os movimentos). Já no set, Bryan Singer me viu fazendo isso e perguntou se tinha alguma coisa estranha com meu corpo. Contei que estava estudando os lobos. Ele disse: “O que você quer dizer? Você não é um lobo, cara. Você é um wolverine”. Eu disse: “Certo, mas isso não existe”. E ele: “Existe, sim. Vá ao zoológico. É um animal de verdade, é deste tamanho (mostrando como é pequeno) e, se você se parecer com um, vai ficar ridículo”.

Por que você diz que Wolverine lhe serviu como terapia? O que ele tem de você e vice-versa?

Quando era garoto, era furioso. Só não fui um fã de X-Men porque não conhecia. Eu me sentia incompreendido, tinha um temperamento explosivo. Não vejo mais muito disso em mim, coloquei no personagem. Acho que ele tem uma grande tranquilidade a respeito de si, e talvez eu esteja com bases mais fortes... Sei lutar mais do que sabia, sei levantar a sobrancelha melhor do que antes...

O que você acha da vulnerabilidade do personagem neste filme?

Acho ótimo! Christopher McQuarrie, que escreveu o primeiro roteiro, disse que um problema desse personagem é que havia uma “inflação” dos poderes que ele tem, da sua capacidade de se recuperar de ferimentos. A gente queria diminuir isso e dar a ele um pouco do que ele sempre quis – tornar-se mortal –, mostrando como seria se ele perdesse seus poderes. Uma das minhas cenas preferidas é a em que ele está cortando uma árvore com um machado, senta-se e diz que está cansado. Mas diz como se fosse uma sensação boa. Para ele seria fantástico poder ter uma ressaca, porque isso seria natural, uma coisa que ele nunca sentiu em toda sua vida.

Para fazer Wolverine – Imortal você engordou 30 quilos, fazia seis horas diárias de exercícios e aprendeu novos estilos de luta. Por que tanta preparação física?

Tive mais tempo para isso e gosto da ideia de me desafiar, ir ao limite. Um filme é uma maratona. Há grandes cenas, claro, mas muito de um filme é manter um tom, manter a mesma impressão do personagem. E isso tem que ser das 9h às 22h. É preciso estar sempre conectado àquele mundo. Toda essa preparação física serve para disparar ou lembrar características do personagem.

Como seus filhos relacionam você com Wolverine?

Os amigos do meu filho leem os gibis, mas ele não. Só vi o filme alguns dias atrás numa sessão marcada para as 7 da manhã. Então falei que ele teria que levantar às 6h15, presumindo que ele ia dizer que não. Pois ele acordou antes de mim! Foi, assistiu e, naquela noite, disse: “Impressionante”. Foi o primeiro elogio que ouvi sobre este trabalho e a melhor crítica que já tive na vida! Minha filha viu um pouco do primeiro em DVD quando tinha 5 anos e ficou muito preocupada por mim. Agora ela diz: “Ah, eu sei, você está só fazendo de conta”.

Nos créditos de vários filmes, você aparece como produtor ou assistente de produção. A sua produtora...

Não tenho mais a produtora. Não dá para ser ator, produtor e um pai decente ao mesmo tempo. Eu era um produtor ruim.

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