Valerie Macon|AFP
Valerie Macon|AFP

'O mundo ficou mais complexo', diz diretor Roland Emmerich, de 'Independence Day'

Cineasta se rendeu 20 anos depois ao filme que fala de diferenças entre gerações

Entrevista com

Roland Emmerich

Mariane Morisawa - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2016 | 04h00

LOS ANGELES - Em 1996, uma invasão alienígena foi derrotada pelo presidente Whitmore (Bill Pullman) e o capitão Steven Hiller (Will Smith). Vinte anos mais tarde, chega a sequência, a primeira do diretor Roland Emmerich. Em Independence Day - O Ressurgimento, há uma passagem de bastão da antiga geração - sem Will Smith, mas com Jeff Goldblum (o cientista David Levinson) e Pullman - para a nova. Liam Hemsworth é o jovem piloto Jake, Maika Monroe é Patricia, filha do presidente Whitmore, e Jessie Usher é Dylan, filho de Steven. Todos sofreram as consequências da primeira invasão e, claro, vão se juntar quando os extraterrestres voltam com mais força. Emmerich falou com o Estado sobre o filme.

Você não queria fazer um segundo filme. O que mudou?

Fiquei mais velho. Sabia que o filme tinha sido tão bem-sucedido que teria sequência. Não existe alternativa em Hollywood. Então, mesmo sendo contra sequências, decidi fazer. 

Will Smith não está no filme? 

No começo, ele estava. Fomos burros de mandar o roteiro para ele um pouco antes de começar a filmar Depois da Terra. Will ligou dizendo que não podia fazer tantas ficções científicas seguidas. Achei que não íamos mais fazer o longa. Só que meus amigos achavam a história incrível e me disseram que eu precisava insistir.

Como mudou nos últimos 20 anos e como o novo filme reflete isso?

O mundo ficou mais complexo, acho que este longa é mais complexo que o anterior. Há uma ideia maior por trás, sobre a qual não posso falar (risos). Mas fala de diferenças entre gerações, da responsabilidade que vem com os filhos. 

Muitos dos seus filmes têm um ângulo político e são sátiras da política. O presidente de Bill Pullman no primeiro Independence Day tinha algo de Bill Clinton. O Dia Depois de Amanhã era uma crítica ao governo de George W. Bush. 

Sim, tem de ser. Em O Dia Depois de Amanhã, estava realmente bravo. O novo Independence Day mostra ao mundo o que poderíamos conseguir como humanidade se nos uníssemos, em vez de nos matarmos. A quantidade de dinheiro e esforços que gastamos em conflitos armados é absurda. 

Por que filmes sobre invasões alienígenas continuam tão populares?

A Marvel, com certeza, redescobriu isso, porque todos os seus filmes são sobre alienígenas vindo destruir a Terra, certo? Eu me pergunto de onde tiraram essa ideia... É duro fazer um filme de ação, hoje em dia. É quase proibido fazer um com terroristas russos ou árabes. Os alienígenas são politicamente corretos. 

Muitos desses filmes pipocas têm muita destruição sem consequências, o que vem sendo criticado. Preocupou-se com isso?

Um pouco. Sempre digo: todo mundo sabe que é um filme. Só é preciso ficar consciente do que mostrar e como. Não faria uma produção com cenas explícitas demais, porque acho que isso acaba tornando as pessoas insensíveis à violência. Como pessoa, eu, Roland Emmerich, não quero fazer isso. 

Seus filmes costumam ter um lado mais leve. Ultimamente, os filmes de ação têm ficado cada vez mais sombrios. Sente-se meio como uma voz solitária dizendo que o entretenimento deveria ser divertido?

Sim. Não vi Batman vs. Superman, todo mundo fala como é sombrio. Tenho um namorado em casa que é o maior fã de Zack Snyder, então sei como eles são populares! (risos) Mas não quero mudar meu estilo por causa dessa tendência. 

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