Desirée do Valle
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‘O mundo ficou mais careta’, diz Ingrid Guimarães

Além das questões familiares, trama de 'De Pernas pro Ar 3' aborda a concorrência acirrada pelo mercado de produtos eróticos

João Fernando, Especial para O Estado de S. Paulo

28 Maio 2018 | 09h26

RIO — Uma das tramas do novo filme da franquia De Pernas Pro Ar aborda as novidades do mercado erótico. Leona surge na concorrência com óculos de realidade virtual que prometem prazer para quem faz sexo à distância. No contra-ataque, Alice lança as sex dolls, a evolução da boneca inflável, porém feita de silicone e com tamanho de uma mulher real.

Durante a pesquisa para o longa, a equipe foi a uma espécie de bordel exclusivo em Paris, onde é possível fazer um programa com as bonecas por cerca de R$ 400 por hora. Fabricadas na China, elas já estão à venda no Brasil e custam a partir de R$ 19 mil cada. Na Europa, a popularização dessas bonecas tem gerado polêmica, pois, segundo reportagens na imprensa britânica, há pessoas que defendem que o uso desses produtos pode incentivar o estupro.

Por ter uma desproporção com o corpo das brasileiras, a boneca passou por uma transformação feita por Martin Marcias Trujillo, especialista em maquiagens de efeito no cinema nacional. 

O fato de ser um filme que fala de sexo e mostra vibradores de diferentes tipos fez a equipe redobrar a atenção com relação à atriz mirim Duda, de sete anos. “Quando ela entra em cena, não há nenhum objeto erótico. É para preservá-la”, explica a diretora Julia Rezende.

"Minha filha tem oito anos. Eu não a deixo ver meus filmes. Para o De Pernas pro Ar, nem chamo muito a atenção. O orgasmo é difícil de explicar”, diz Ingrid Guimarães.

Ao relembrar o primeiro longa, em que a personagem Alice usa uma calcinha vibratória ativada pelo som e tem orgasmos diante do filho, ainda criança, a atriz crê que talvez a cena fosse mal recebida pelo público no dias de hoje. “O primeiro filme é o mais picante de todos, tem muito vibrador. E o mundo ficou mais careta. Ela goza com em um jogo de futebol com o filho olhando para ela”, diz arregalando os olhos.

Ingrid pondera que precisa equilibrar o humor para que o filme dialogue com os distintas plateias. “O Brasil está cada vez mais conservador. Não dá para ficar pensando só na nossa bolha. Quantas ideias já tivemos que a Mariza falava ‘isso os seus amigos vão achar legal’. Existe um limite social no Brasil. Eu fico muito feliz que meu filme saiu da bolha, que o porteiro e motorista de táxi disseram que foram ao cinema ver.”

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