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O mundo está louco e 'Pets - A Vida Secreta dos Bichos' reflete a loucura de forma simples e direta

Antes de analisar o filme, no entanto, é preciso resgatar a história da própria animação

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2016 | 11h35

Para falar sobre Pets - A Vida Secreta dos Bichos é bom começar pela própria animação. Poucos segmentos evoluíram tanto. Antigamente, com a Disney, ela era coisa de criança. Eventualmente, surgiam o que os críticos chamavam de desenhos 'adultos' - o mítico O Submarino Amarelo, de George Dunning, com os Beatles, representação da utopia de Maio de 68, e bem antes, a experimental Fantasia, a versão de 1940. Essa paisagem começou a mudar com a Pixar e a japonesa Ghibli. Títulos como A Viagem de Chihiro e Toy Story fizeram o crossover. A própria Disney foi se renovando - A Bela e a Fera, O Rei Leão. Antes, os pais levavam as crianças. Hoje os adultos veem duas ou três vezes animações que comportam 'camadas'.

As preferidas do autor do texto são Procurando Nemo e, a melhor de todas, Ratatouille. Mas as possibilidades são múltiplas. A associação com a Pixar revolucionou a Disney como potência econômica. E hoje as possibilidades oferecidas pela técnica - computação gráfica, digital -, são infinitas. A imaginação é o limite. Que o diga Zootopia, um marco do desenho gráfico com sua visão do futuro. Nesse quadro, um estúdio como DreamWorks tem investido nas franquias a perder de vista - Shrek, Kung Fu Panda, Madagascar. Como na velha Hollywood, em que havia as Majors e pipocaram estúdios pequenos (Republic, Monogogram etc), a animação também criou nichos. Existem as animações de massinhas, quadro a quadro. Existe o brasileiro Carlos Saldanha, que foi brigar em Hollywood e fez de Rio um fenômeno global. E existe a Illumination.

É um estúdio pequeno que estourou com Meu Malvado Preferido. Os Minions, amarelinhos bizarros que nasceram para servir vilões, ganharam o público. Na Illumination, a técnica não é rebuscada como na Pixar. A pegada é outra, e isso fica claro de cara em Pets. Quando o cachorrinho Max entra em cena, e isso ocorre imediatamente, adultos e crianças reagem do mesmo jeito - 'Ops!' Max poderia ser um dos filhotes da Dama e do Vagabundo. É peralta. As crianças devem se identificar com ele, os adultos devem se lembrar que já foram crianças. O filme parte de um princípio simples - o que fazem os bichos domésticos longe do olhar dos donos? Max é o caõzinho sapeca. Domina seu território até que chega o cãozarrão Duque, a ameaçar sua hegemonia. A velha batalha entre esperteza e força. A luta ganha a rua com acréscimos inesperados. Gangues de animais abandonados pelos donos (e revoltados). A liderá-los, um coelho neurórico. O mundo está louco e a animação de Chris Rennaud reflete a loucura de forma simples e direta.

Claro que tudo tem conserto. Amor, respeito à diferença. Mas isso, na Illumination, só vem com muita incorreção. Afinal, em que o outro estúdio o malvado e o favarito e os lacaios de vilões, os minions, são os heróis? Algo tem esse Pets para calçar fundo no público. O longa já é uma das grandes bilheterias do ano, animação ou não.

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