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'O Mix Brasil foi fundamental para formar um público do cinema LGBT'

Curadora da 18ª edição do festival, Suzy Capó fala da trajetória do evento e das novidades em 2010

Marcio Claesen, Estadão.com.br

10 de novembro de 2010 | 15h58

Com abertura para convidados, começa nesta quinta-feira (11), pela 18ª vez, o Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual. Reunindo filmes - 105 ao todo - de lugares tão diferentes quanto as Bahamas, Dinamarca e China, a edição deste ano foca suas atenções na produção sul-americana. A curadora do evento, Suzy Capó, falou ao Estadão.com.br sobre a trajetória do festival, sobre como foi a seleção deste ano e o que se pode esperar.

 

Como foi feita a seleção para a edição 2010?

Foi feita a partir de viagens a festivais de cinema como Berlim, São Francisco, contatos com produtores, distribuidores, programadores de outros festivais e a partir das inscrições. Não adoto um conjunto de critérios antes de iniciar a seleção. Eles vão aparecendo conforme o desenho da programação vai tomando forma. Temos dois focos este ano: no cinema LGBT da América do Sul e no Pornfilmfestival Berlin. O primeiro surgiu de uma maneira mais orgânica. A produção queer sul-americana, principalmente brasileira e argentina, ganhou destaque em muitos festivais de cinema LGBT mundo afora. Eu não poderia deixar de destacá-la no Mix Brasil também. Já a programação do Pornfilmfestival Berlin é decorrente de uma colaboração informal que Jürgen Brüning, um dos programadores do festival alemão, vem realizando há anos no Mix Brasil. Há ainda muitos temas que surgem espontaneamente, como por exemplo a sexualidade teen, tema predominante na Mostra Competitiva Brasil. Eu não busquei esse tema, mas considerando a quantidade de curtas que tratam do assunto, está claro que é uma direção a ser observada.

 

O Mix completa 18 anos de vida e chega à maioridade. Como você vê a trajetória do festival? Quais foram os momentos mais difíceis e as maiores recompensas?

Acho que a trajetória do festival acompanha a evolução da vida gay no Brasil nos últimos 17 anos, em todos os sentidos. É um evento que começou underground, mesmo com respaldo de instituições como MIS e MTV, e foi se firmando, ganhando visibilidade, tornando-se uma instituição por si mesma. Mas ainda há muito o que se fazer (e isso ficou muito evidente na campanha presidencial este ano, não?). Uma das maiores recompensas que eu pessoalmente tive nos últimos 17 anos foi em 2009 fazer a première mundial do filme Do Começo ao Fim, de Aluizio Abranches, e apresentar uma seleção de longas-metragens brasileiros que marcaram presença em festivais no mundo inteiro no ano passado. Sei que o Mix Brasil foi fundamental na formação de um público para o cinema LGBT, fator primordial para a própria existência de uma produção com essa temática.

 

E como avalia a recepção do público de São Paulo? Há renovação de um ano pra outro ou é um público cativo que envelhece junto ao Mix?

Em 2008, apresentamos um número recorde de filmes, algo em torno de 250. Vi que era o momento de redimensionar o festival. Todo ano aumentava o número de filmes, sem que isso se refletisse no número de espectadores. O último crescimento significativo em termos de público foi em 2004 ou 2005, não me lembro com exatidão. Embora tivéssemos muito menos recursos em 2009, foi mais por causa dessa avaliação que enxugamos a programação, apresentando apenas 104 filmes no ano passado.

 

Quais sessões e filmes você destacaria nesta edição? O que o público pode esperar?

Apresentaremos vários filmes inéditos nesta edição, muitos dos quais o público não terá chance de ver em outros festivais. Acho que a sessão no Cine D. José do L.A. Zombie, filme do Bruce LaBruce proibido na Austrália e celebrado em festivais de primeira classe como Locarno e Toronto, será histórica. Ela contará com a presença do astro pornô François Sagat. Ele também estará presente na première sul-americana do novo filme do diretor Christophe Honoré, Homem no Banho. Destaco ainda a mostra Mundo Mix - América do Sul, que traz produções vigorosas ainda que de baixíssimo orçamento. Na programação de curtas, destaco os programas Cara Metade, que apresenta o curta-metragem que ganhou o Oscar este ano, Os Novos Inquilinos, de Joachim Back.

 

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