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O mito renovado das Bondgirls, de Ursula Andress à cinquentona Monica Bellucci

Relembre outras atrizes que brilharam neste famoso papel

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2015 | 03h00

M e Miss Moneypenny não valem. A diretora da agência de espionagem na nova edição das aventuras de 007 e a eterna secretária que, desde o primeiro filme, sonha ir para a cama com o espião maios famoso do cinema não se enquadram na definição de ‘Bondgirl’. Para entrar na categoria, as mulheres precisam ser jovens, belas e entre uma missão e outra, têm de estar dispostas a trocar favores sexuais com o herói. A primeira Bondgirl ganhou o sugestivo nome de Honey/Mel. Ursula Andress ficou instanteamente famosa ao sair do mar usando aquele biquíni e a adaga na cintura em O Satânico Dr. No, de Terence Young, de 1962.

Não foi a primeira aventura de James Bond, que já vivera uma vez nos anos 1950. Mas algo se passou quando Sean Connery vestiu a pele do herói. Criou-se a mitologia do mocinho porco chauvinista, principalmente depois que um notório priáprico - o ex-presidente John Kennedy, que não podia ver rabo de saia, mesmo tendo a mulher, Jacqueline Kennedy, que meio mundo desejava - se declarou fã incondicional do personagem criado pelo escritor Ian Fleming. O nome é James Bond, mas o duplo zero lhe dá direito de matar.


Para entender o sucesso de 007, talvez seja bom viajar no tem,po e voltar àquela época. O munbdo estava mudando, os Kennedys inauguraram na Casa Branca o que se chamou de era de Camelot. James Bond, com seus drinks, black-ties, armas e carros, virou a fantasia de todos os machos do planeta. Porque o duplo zerop lhe permitia matar, era a lábia do herói, o charme de Sean Connery, que levava todas aquelas mulheres para as cama. Nos anos e décadas seguintes, muitos atores se revezaram no papel - George Lazenby, Roger Moore, Pierce Brosnan, Timothy Dalton, até chegar a Daniel Craig. A série não apenas sobreviveu como se reinventou e, com o atual 007, conheceu seus maiores sucessos de público.

Na ‘gestão’ de Daniel Craig, M virou mulher (Judi Dench), as Bondgirls continuaram deslumbrantes, mas no novo filme, Spectre, que roda atualmente, o diretor Sam Mendes quebra a escrita. No começo de dezembro, menos de uma semana antes do início das filmagens, ele apresentou em Londres as novas Bondgirls - a francesa Léa Seydoux e a italiana Monica Bellucci. Léa, herdeira da tradição Pathé - um império de cinema na França -, virou referência no cinema de autor de seu país, mas, cooptada por Hollywood, foi ser a vilã de uma eletrizante aventura de espionagem. Em Missão Impossível - Protrocolo Fantasma, de Brad Bird, ela infernizava a vida do agente Ethan Hunt, até ser despachada por Paula Patton do prédio mais alto do mundo.

Léa tem o perfil da Bondgirl. É jovem e bela como outras francesas que passaram pelos braços de Mr. Bond - Claudine Auger em 007 Contra a Chantagem Atômica, Carole Bouquet em Somente para Seus Olhos, Sophie Marceau em O Mundo não É o Bastante. A italiana é que faz a diferença. Aos 51 anos, Monica Bellucci entra na série para ser a Bondgirl madura, a mais velha atriz a vivenciar a personagem. Só para lembrar, Monica já tinha 36 anos quando ganhou projeção internacional em Malena, de Giuseppe Tornatore. O cineasta Carlos Reichenbach amava o plano em que o menino, vendo-a passar, não conseguia controlar a ereção e sua calça curta inflava. Isso foi em 2000 e a capacidade de Monica de despertar desejo não apenas não diminiu como se aprimorou.

A lista completa das Bondgirls até 007 - Operação Skyfall, de 2012, contabiliza 75 das mais belas fêmeas da espécie. Léa Seydoux e Monica Bellucci serão, respectivamente, a 76.º e a 77.ª. Houve Bondgirl que saiu da série para concorrer ao Oscar - Rosamund Pike, indicada ao prêmio de melhor atriz deste ano por Garota Exemplar. Houve o inverso - vencedora do Oscar que salvou a carreira como Halle Berry, saindo do mar de biquíni e adaga, em homenagem a Ursula Andress, em Um Novo Dia para Morrer. O tempo passa e as Bondgirls seguem alimentando fantasias eróticas.

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