"O Jovem Frankenstein" sai em DVD

Há tempos Mel Brooks é carta fora do baralho, mas houve um tempo em que ele era grande - um dos grandes do humor, no cinema americano, no começo dos anos 70. Foi a época em que ele fez O Jovem Frankenstein, lançado em DVD pela Fox. O disco digital é cheio de extras. Além das tradicionais seleção de cenas e escolha de legendas, traz cenas cortadas, erros de rodagem, making of e um comentário do próprio ator e diretor, tornando ainda mais divertido assistir a essa versão particular do romance de Mary Shelley.O cinema contou muitas vezes a história do barão Frankenstein, que cria um novo homem à base de restos de cadáveres. O objetivo era quase sempre assustar e, desde o Frankenstein de James Whale, em 1931, alguns desses filmes - aquele, especialmente - viraram clássicos de terror. Mel Brooks resolveu fazer rir com a sua versão da história do infeliz monstro. Há humor na sua fantasia de terror, mas a mistura não faz de O Jovem Frankenstein um antecessor dessa corrente atual que tanto sucesso faz, como os filmes da série Pânico ou Todo Mundo em Pânico.Este último arrebentou nas bilheterias brasileiros e é, acredite, o maior sucesso de público da Lumière, uma empresa que tem, na sua carteira de distribuição, títulos de prestígio como Central do Brasil e O Paciente Inglês. A Lumière aposta agora no terror teen de Drácula, que estréia hoje. O filme não é de todo ruim, mas se ressente de um elenco sem carisma. Enfim - é outra história que não vem ao caso quando o assunto é O Jovem Frankenstein.Na sua grande fase, na época desse filme, de Banzé no Oeste e também de Alta Ansiedade e Silent Movie, Melvin Kaminsky - que entrou para a história do show biz como Mel Brooks - revelou uma preferência toda especial por fazer humor em cima dos gêneros clássicos da produção de Hollywood. Fez isso com o western, o suspense à Hitchcock, mas nenhum de seus filmes é mais eficiente do que O Jovem Frankenstein, quando Brooks se voltou para o terror. Ele tomou como ponto de partida o Frankenstein de 1931.Contra a vontade dos produtores, fez o filme em preto-e-branco, nos próprios cenários onde havia sido rodado o clássico antigo, tudo isso com a predisposição, certamente alcançada, de capturar a atmosfera e a textura do trabalho de Whale.Mas, como o objetivo de Brooks é fazer rir com os mesmos elementos que Whale usava para provocar medo, para mexer com áreas sombrias do espectador - e dele mesmo, como se pôde verificar no belo filme a ele dedicado: Deuses e Monstros -, a seriedade de O Jovem Frankenstein é constantemente subvertida por piadas que fazem parte da antologia da comédia cinematográfica. O ponto de partida é o mesmo. Querendo igualar-se a Deus, o barão, que também é doutor, Frankenstein resolve criar um homem à sua imagem e semelhança. Para isso rouba cadáveres e, com um pedaço daqui, outro dali, monta o seu homem, ao qual uma engenhoca científica consegue insuflar o sopro da vida.Só que dá tudo errado. A experiência é reversível, o monstro começa a apodrecer, libera pulsões homicidas. Tudo o que é denso, macabro e assustador no livro de Mary Shelley (e na versão de Whale, a mais famosa), vira aqui alavanca para o riso. Assim, o ajudante do barão-cientista, Igor, interpretado por Marty Feldman - aquele comediante de olhos esbugalhados que integrava a trupe do diretor -, é um corcunda cuja corcova está sempre mudando de lado, ora à esquerda, ora à direita. Pelos padrões de hoje, pode ser considerado politicamente incorreto, mas é hilariante.Como o cinema de Mel Brooks sempre teve o pé no burlesco o barão e o monstro recriam o número Puttin´ on the Ritz, de forma também hilária. Mas o grande momento do filme é o encontro do monstro com o cego - interpretado por Gene Hackman, numa participação especial.O Jovem Frankenstein (Young Frankenstein) - EUA 1974. Direção e interpretação de Mel Brooks, com Gene Wilder. Fox. P&B, DVD, R$ 35.

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