Sergio Castro/AE
Sergio Castro/AE

O jovem Baldi, libertário e combativo por suas ideias

Homenageado circula antes de dar sua master class; além de Fogo!, evento mais mostrar outras obras dele

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2009 | 11h51

Tanta gente se preocupa em apontar os caminhos do futuro do cinema. Os dinamarqueses, Lars Von Trier e seus amigos, iniciaram com o Dogma uma revolução estética cujos desdobramentos estão longe de se esgotar. A indústria joga suas fichas em Avatar, o novo James Cameron, que estreia no fim do ano. A Mostra exibe hoje Independência, de Raya Martin, e amanhã, A 40ª Porta, de Elchin Musaoglu. O futuro passa por esses filmes, com certeza. Mas há esse senhor italiano, um jovial velhinho de 79 anos, que também faz suas apostas para o futuro. Seu nome é Gian Vittorio Baldi.

 

É um dos homenageados da Mostra deste ano e, no catálogo, a título de apresentação, você encontra o seguinte texto – a 33ª Mostra tem a honra de introduzir ao público brasileiro a força criativa de Gian Vittorio Baldi, um italiano combativo, de espírito livre, que ajudou a plantar as sementes de um cinema de ideias que resiste (felizmente) no presente. Baldi recebeu um prêmio especial em Veneza e foi lá que Leon Cakoff, diretor da Mostra de São Paulo, selou a parceria que trouxe o artista italiano ao Brasil. Baldi chegou no começo do evento e fica aqui até o final. Ele dá uma aula magna – é professor em Bolonha, vale acrescentar – e está muito interessado em dialogar com estudantes e professores de cinema.

 

Mas você nem precisa sair de casa para acompanhar as novas propostas de Baldi. Basta entrar na internet e procurar por um endereço, o do filme Il Cielo Sopra di Me, The Sky Over Me, e você poderá seguir, pagando um pequena taxa, todas as etapas de criação e até a exibição da obra. Se, no final, você quiser uma cópia – há uma marca que impede a pirataria –, terá de pagar só outra pequena taxa para receber o DVD pelo correio. O futuro do cinema, da produção e da exibição, vai prescindir de estúdios, salas. É a aposta de Baldi – mas o filipino Raya Martin tem outra ideia, a do estúdio próprio. De certa maneira, ele reinventa o sonho de Francis Ford Coppola, por meio da empresa Zoetrope. Leia ao lado(e, sobretudo, não deixe de ver o filme).

 

Gian Vittorio Baldi já fez tudo no cinema, ao qual chegou meio por acaso, empurrado pelo irmão mais velho. “Ele era crítico, escrevia para um jornal, mas não conseguia ver tudo. Começou a me incentivar para que eu visse filmes e também começasse a escrever.” Baldi admira-se de que o repórter se lembre de que ele foi ator – fazia o médico em No Limiar da Realidade (I Sogni nel Cassetto), de Renato Castellani, de 1956. Além de ator, foi operador. No começo dos anos 1960, Federico Fellini se aliou a um editor importante num projeto para estimular op surgimento de novos talentos. Baldi foi um deles.

 

Além de diretor – de curtas e raros longas –, ele foi produtor de filmes viscerais como Pocilga, de Pier Paolo Pasolini, e A Crônica de Ana Madalena Bach, de Jean-Marie Straub e Daniele Huillet. Ambos integram a programação em homenagem a Baldi. Para aprofundar sua visão desse artista extraordinário – mas não tão conhecido –, a Mostra exibe o filme mais famoso de Baldi, Fogo!, de 1969. Mais de 40 anos depois, ele recebeu um prêmio da crítica em Veneza por este filme que estava muito adiante de sua época.

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