O jogo da sedução ganha as telas de Leconte

O diretor francês Patrice Leconte já havia feito Um Homem meio Esquisito (M. Hire) com Sandrine, em 1989. No elenco de Confidências Muito Íntimas está também o ator Fabrice Luchini. Partiu do produtor Alain Sarde a sugestão de que Leconte lesse alguma coisa que Jerome Tonnerre estava escrevendo. Ainda não era um roteiro - apenas um argumento. Leconte leu e ficou seduzido. Embarcou imediatamente na aventura de fazer o filme. No começo de Confidências Muito Íntimas, uma mulher emocionalmente perturbada invade o escritório de um contador, pensando que ele é psiquiatra. Imediatamente, ela se deita no divã e começa a contar sua vida, seus problemas. O homem, seduzido por essa Xerazade inesperada, não tem coragem de revelar a verdade. Justamente, a verdade. A mulher, Anna, é a inocente vítima de um equívoco ou está manipulando o homem, William? A dúvida é truffautiana. Você, cinéfilo, sabe que o grande François não fez à toa aquele filme que se chamava O Homem Que Amava as Mulheres. Era um romântico que, como se diz, desconfiava do romantismo tanto quanto amava as belas mulheres. A essência de Confidências Íntimas, segundo o diretor, é truffautiana - "É a história de um homem que entra num território desconhecido para ele, um território no qual nós, homens, não somos os senhores - essa misteriosa terra dos segredos femininos." Todo o filme se constrói nessa ambivalência - fascinação do homem, mistério do mulher. Ele a engana ou ela detém o controle da situação?

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