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O início da invasão dos super-heróis na telona

Em 2000, ‘X-Men’ ditou o ritmo das adaptações e, agora, quer recomeço

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

18 Julho 2015 | 19h25

Batman e Superman prometem uma luta e tanto nas telonas de cinema em 2016. Hoje, o improvável e quase desconhecido Homem-Formiga está em lugar de destaque nas salas do País e do mundo - e, provavelmente, engordará os bolsos dos executivos do estúdio. Todos os grandes estúdios têm heróis para chamar de seu e, hoje, já divulgam o lançamento de longas até 2020, cheios de intersecções e planos mirabolantes. 

O cenário atual, um paraíso para o nerd cinematográfico e até o fã do cinema pipoca casual, contudo, teve sua fundação em 2000, quando os supers deixaram de ser considerados extravagantes demais - e arriscados para uma indústria que não aceita riscos. 

O início foi com Bryan Singer, um diretor que, veja só, nem sequer havia aberto uma revista em quadrinhos na vida. Sim, esse sujeito, ainda por cima, decidiu deixar os uniformes clássicos dos heróis para apostar em uma vestimenta de couro. Sob seu comando, o longa dos mutantes X-Men se levava a sério, tomava certas liberdades ousadas demais para os mais puristas, mas escancarava: os heróis não pertencem a um nicho específico e, sim, ao grande público. 

Singer chegou a uma terra arrasada. Não era possível imaginar nenhum filme com personagens dos quadrinhos depois de fracassos retumbantes como Batman Eternamente (1995) e Batman & Robin (1997), duas péssimas ideias dirigidas por Joel Schumacher, extremamente cartunescas e de gosto duvidoso: em uma delas, Bruce Wayne faz um pagamento com um Bat-cartão de crédito. 

Tim Burton, que conseguiu dar um tom bem-humorado e gótico, com seus dois filmes anteriores do Homem-Morcego, em 1989 e 1992, deve ter derrubado uma lágrima ao ver seu legado jogado no vaso sanitário. 

Ideias de outros longas de heróis foram engavetadas. Hollywood percebeu que talvez a boa fonte tivesse esgotado, mesmo após décadas de sucessos e alguns tropeços. Era hora de reinventar as adaptações para as telonas. 

Foi justamente o que Singer fez. E, convenhamos, promoveu alterações drásticas, cujo tempo mostrou serem necessárias. A grande sacada foi dar profundidade aos dramas dos personagens. Complexidade era a chave daqueles mutantes. 

Quinze anos depois, por exemplo, não é possível pensar em outro ator como personificação do valentão Wolverine. Hugh Jackman, desconhecido de todos e praticamente um metro mais alto do que a altura sugerida do personagem nas HQs, é estrela das grandes, daquelas cujo rosto é reconhecido por qualquer um. Ele anunciou, na Comic-Con realizada em San Diego, na última semana, que está se aposentando do personagem que o consagrou, nove longas depois da estreia. Não é pouco, convenhamos. 

A despedida de Jackman é significativa. Uma década e meia depois, a equipe de atores que interpretaram os mutantes dos quadrinhos está de partida. Liderado então por Patrick Stewart e Ian McKellen, que encaravam os antigos amigos e arquirrivais líderes Xavier e Magneto, o grupo começou a ser substituído por uma nova geração em Primeira Classe, em 2011. O segundo filme dessa espécie de reboot, Dias de um Futuro Esquecido, que agora chega em DVD, é a passagem de bastão. As duas gerações se encontram e, diante de um futuro sombrio para os mutantes, é decidido que a história deles deveria ser reescrita ao se voltar no tempo. Um adeus a McKellen, Stewart e a Jackman. 

O lançamento do filme, em DVD e Blu-Ray, ainda corrige a retirada da participação de Anna Paquin, a Vampira, já na sala de edição. A Edição da Vampira tem 20 minutos a mais do que foi visto no cinema, com um arco dramático de umas das personagens mais importantes e complexas da primeira geração de mutantes no cinema. 

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