O inédito ‘Vício Inerente’ é um dos destaques no Noitão Belas Artes

Evento celebra o cineasta americano Paul Thomas Anderson

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 19h22

Apesar da saúde cada vez mais precária, Harolçd Bloom segue sendo o crítico literário mais famoso (o melhor?) do mundo. Há tempos, ele já havia cravado uma afirmação que ninguérm contesta – Thomas Pynchon, Don DeLillo, Cormac McCarthy e Philip Roth são os quatro escritores anglófonos ‘canonizáveis’ de seu tempo. Os maiores. Tem gente que, na imprensa internacional, não se conforma até agora com o fato de o novo Paul Thomas Anderson ter ficado fora da disputa do Oscar. Vício Inerente marca, enfim, o encontro do cineasta com o escritor. Enfim, porque eras fatal que os caminhos de ambos se cruzassem.

Vício Inerente deveria pelo menos ter candidato Joaquin Phoenix para o Oscar, mas aí quem teria saído da lista de cinco? Chega de elucubrações. ... ganhou (por A Teorias de Tudo), ... era o melhor de todos (pelo Clint Eastwood, American Sniper), mas essa é a uma afirmação polêmica. Não importa. Joaquin Phoenix é grandioso no papel. E o próprio Paul Thomas Anderson assina seu melhor filme desde... Embriagado de Amor?

Vício Inerente, em pré-estreia, integra nesta sexta, 20, o Noitão do Belas Artes. A partir das 23 horas, e em três salas do complexo, o filme será a grande atração de um programa que vai ter dois filmes surpresa em cada sala. Como pista para os interessados, cada bloco de programas foi organizado em função de uma palavra-chave – VHS, Buda e Dinossauro. Se você não está conseguindo matar a charada, aventure-se, mesmo assim. No Noitão do Belas Artes tudo termina em... café da manhã.

O que Paul Thomas Anderson e Thomas Pynchon têm em comum? Ambos adoram contar histórias paralelas e cada um tem sempre muitos personagens (nos filmes e livros). A exceção talvez seja justamente Embriagado de Amor, no caso de Anderson, quase todo centrado em Adam Sandler, embora Phillip Seymour Hoffman também esteja presente, e doidinho como sempre. Boogie Nights, Magnólia, Sangue Negro e O Mestre completam a filmografia (longa) do diretor. Os dois primeiros são admiráveis, os outros dois nem tanto (mas há controvérsia). Vício Inerente põe Joaquin Phoenix na pele de um detetive privado nos psicodélicos anos 1960. Ele tem uma namorada que, por acaso, está apaixonada por um ricaço cuja mulher e o amante tramam para internar o cara, como louco.

Os críticos gostam de dizer que a ficção de Pynchon abrange diversos campos, como matemática, filosofia, parapsicologia, história, mitologia, ocultismo, música pop, quadrinhos, cinema, drogas, e que ele os une de maneira absurda, picaresca, poética e sombria. Afirmações desse tipo você encontra em qualquer Wikipédia. Quase tudo isso, senão tudo, também se pode aplicar a Anderson e se a preocupação central de Pynchon é explorar a acumulação e inter-relação entre estes diferentes conhecimentos criando uma realidade que se expressa por meio da paranoia, é justamente isso que também interessa a Anderson. São gêmeos. Anderson poderia ser um Pynchon mais jovem. Talvez seja. O importante é que você pode ser dos primeiros a ver e comentar Vício Inerente. Pode ficar certo de que, quando entrar em cartaz, o filme virará o tititi da crítica.

 

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