"O Grilo Falante" é velho sonho

Foram mais de 20 anos para trazer o grilo feliz para as telas. O desenho que estréia nesta sexta-feira concretiza um sonho de Walbecy Ribas. Ele tinha 37 anos e um casal de filhos. Juliana, a mais velha, estava com apenas 3 anos; Rafael, o caçula, com 1. Ribas quis fazer um desenho para os dois. Foram tantas as dificuldades para concretizar o projeto que a dupla mirim não só cresceu como foi incorporada ao projeto. Juliana, hoje com 24 anos, foi a produtora-executiva. E Rafael, com 22, responsabilizou-se pela pós-produção.A Disney fez muitos desenhos para exaltar valores familiares. A família Ribas mostra, na prática de O Grilo Feliz, que a união faz a força. Ribas, de 58 anos, é publicitário. Ganhou, no Festival do Filme Publicitário de Veneza, em 1970, o primeiro prêmio internacional atribuído a uma animação brasileira. Foi para a barata da Rodox. Depois disso, ele fez muitas animações para comerciais e também vários curtas e especiais. Três curtas foram encomendados pelo Unicef, para promover a cultura negra do Caribe. E o que ele chama de especial foi um média de 25 minutos para a Igreja Mórmon, dos EUA, que até hoje circula em todo o mundo.Sempre quis desenvolver um projeto mais pessoal de animação. Criou O Grilo Feliz: Nada a ver com o grilo de Pinóquio. Nem com Vida de Inseto. Aliás, ele diz que pode ser casualidade, mas uma equipe americana foi ao seu estúdio, viu trechos do grilo e, anos depois, surgiu o desenho da Disney. O Grilo Feliz nasceu do profundo amor de Ribas pela natureza. Ele sempre teve o que se chama de consciência ecológica. E queria um grilo porque, sendo cantor, ficava mais fácil enxertar as canções.Até por conta da formação publicitária de Ribas, seu filme é muito cuidado. O visual retrô é bonito e a restrição que alguns críticos fazem a O Grilo Feliz é que seria muito ingênuo. A trama do grilo que alegra a todos na floresta e é perseguido pelo lagarto é mesmo ingênua. Destina-se às crianças bem pequenas. Para Ribas, esse alegado ´defeito´ é a qualidade do seu filme. Nos últimos anos, a faixa etária dos desenhos da Disney foi aumentando e hoje, um desenho como Shrek, da DreamWorks, que é maravilhoso, destina-se mais aos pais que aos baixinhos e baixinhas. Ele queria um desenho para os bem baixinhos.Foi uma luta de 21 anos obter financiamento e, mais recentemente, com o filme pronto, conseguir que o grilo tivesse uma distribuição decente. O desenho estréia em 37 capitais. E, justamente nesta sexta-feira, Ribas recebe o que não deixa de ser uma homenagem do Anima Mundi, o mais importante evento de animação do Brasil. No Rio, na sede do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), às 20 horas, ele mostra seu trabalho e dá palestra sobre o desafio que é fazer um desenho longo no País.

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