O filme Todos os Homens do Presidente faz 30 anos

O filme "Todos os Homens do Presidente" completa hoje 30 anos com uma nova edição em DVD, que só vem a ressaltar o quanto este longa-metragem, que conta como a imprensa provocou a queda de um presidente americano, segue atual. Como admite seu co-protagonista e produtor, Robert Redford, o clássico de 1976 tem um componente educativo importante."Constantemente recebo cartas de professores que mostram o filme a seus alunos e são eles os que podem traçar paralelismos entre o passado e o presente", ressalta em entrevista incluída no DVD, ao lado de depoimentos dos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein.Assim como o livro de mesmo título, o filme conta a investigação jornalística de Woodward e Bernstein que trouxe à luz o caso "Watergate", escândalo de escutas colocadas entre os democratas e que desgastou a imagem do republicano Richard Nixon na Presidência.Os dois jornalistas reconhecem a ativa participação de Redford, tanto no livro como no filme. "O trabalho não pode ser melhor, já que mantém a história viva e com uma grande tensão dramática, apesar de o público já saber o final", ressalta Dustin Hoffman, que interpretou Bernstein. Redford fez o papel de Woodward.No âmbito cinematográfico, "Todos os Homens do Presidente" conquistou quatro Oscars. O ator George Clooney viveu ainda muito jovem o período do escândalo de Watergate, mas cita o filme como grande inspiração na hora de rodar seu último longa-metragem, "Boa Noite e Boa Sorte"."Sabia que necessitava de pelo menos duas fontes para contrastar todos os dados", declarou Clooney à imprensa sobre a realização de um filme que mistura política e jornalismo, e que já foi indicado a seis Oscar este ano."Todos os Homens do Presidente" segue sendo também o melhor exemplo de jornalismo em um momento no qual o papel da imprensa foi colocado em xeque. Como lembra Bernstein no DVD, atualmente um escândalo como Watergate ficaria esquecido entre outras histórias.O excesso de informação nos canais de notícias 24 horas, os contínuos debates e os "blogs" conservadores desviariam a atenção para outras histórias mais chamativas, segundo o jornalista."Além disso, se Watergate ocorresse agora, os jornalistas seriam presos por não revelarem suas fontes e não poderiam publicar a história", resume o colunista da revista "Newsweek" Jonathan Alter.

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