Richard Shotwell/Invision/AP
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'Nomadland', uma viagem na estrada pelos efeitos da pandemia, ganha o Leão de Ouro

Filme de Chloé Zhao, estrelado por Frances McDormand, foi eleito o melhor no Festival de Veneza; confira os principais vencedores da premiação

Reuters, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2020 | 15h59

O drama Nomadland, da diretora chinesa Chloé Zhao, foi premiado como melhor filme e ganhou o Leão de Ouro, neste sábado, 12, no Festival de Veneza. O longa tem como pano de fundo a pandemia do novo coronavírus.

Zhao e a atriz Frances McDormand apareceram por vídeo, a partir dos Estados Unidos, para receber o prêmio, dadas as restrições de viagens feitas para se chegar ao Lido, na cidade italiana. "Muito obrigado por nos deixar vir a seu festival neste estranho, estranho mundo!", disse McDormand ao público mascarado. "Mas estamos muito contentes. E veremos você na estrada!"

Um favorito na temporada de premiações, Nomadland está sendo exibido nos grandes festivais de cinema por meio de uma aliança envolvendo Veneza, Toronto, Nova York e Telluride.

O filme, dirigido por Chloé Zhao, traz a estrela Frances McDormand como uma viúva de 60 anos que transforma sua van em uma casa móvel e cai na estrada, assumindo empregos sazonais ao longo do caminho.

O júri liderado pela atriz australiana Cate Blanchett elegeu dois vice-campeões para entregar o Leão de Prata: um para o diretor japonês Kiyoshi Kurosawa por Esposa de um Espião; e outro para o México de Michel Franco, por seu drama distópico Nuevo Orden.

Pierfrancesco Favino, da Itália, ganhou o prêmio de melhor ator principal por Padrenostro (Nosso Pai), uma história italiana sobre a maioridade que se passa em meio a um ataque terrorista na década de 1970.

Vanessa Kirby, da Grã-Bretanha, ganhou como melhor atriz em Pieces of a Woman, um drama angustiante sobre a degradação de um casal após a morte de seu bebê durante um parto domiciliar.

O filme russo Dear Comrades!, sobre um massacre na União Soviética durante os anos 1960, ganhou o prêmio especial do júri, enquanto Chaitanya Tamhane ganhou o de melhor roteiro com The Disciple, sobre a luta de um indiano para ser um cantor erudito.

O fato de o Festival de Veneza ter sido realizado ao longo de dez dias foi um milagre, dado que o norte da Itália, no final de fevereiro, tornou-se marco zero para o surto de coronavírus. O de Cannes foi cancelado e outros grandes festivais internacionais, em Toronto e Nova York, optaram por versões, principalmente, online.

Mas, depois que a Itália conseguiu controlar suas infecções com um bloqueio rigoroso ao longo de dez semanas, Veneza decidiu seguir em frente, embora sob protocolos de segurança anteriormente impensáveis para um festival que se orgulhava de visuais espetaculares e clientela glamorosa.

Máscaras faciais eram necessárias dentro e fora. Reservas para todos eram feitas antecipadamente, com capacidade de teatro definida para menos da metade. O público foi barrado do tapete vermelho e os paparazzi, que normalmente perseguem estrelas em barcos alugados, receberam posições socialmente distantes e em terra.

Embora seja muito cedo para dizer se as medidas funcionaram, não houve relatos de infecções entre os frequentadores do festival e a adesão às regras sobre uso de máscaras e distanciamento social parecia alta. "Estávamos um pouco preocupados no início, é claro", disse o diretor do festival Alberto Barbera. "Sabíamos que tínhamos um plano de segurança muito rígido, mas nunca se sabe."

A diretora de Hong Kong, Ann Hui, quase não conseguiu voos, devido às restrições de fronteira por conta do vírus. No fim, ela chegou para receber seu Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra e para ver o filme fora da competição Love After Love, em sua estreia mundial.

Os amantes do cinema aplaudiram o esforço de Veneza e o significado simbólico do mais antigo festival de cinema do mundo traçando o caminho a seguir. "É um momento de renascimento para todos, para o mundo inteiro'', disse Emma Dante, diretora italiana do filme em competição As irmãs Macaluso. "Este festival é realmente um importante momento de encontro, começando a sonhar novamente e estar juntos novamente, mesmo com as normas e seguindo todos os protocolos de segurança."

A escritora de cinema Emma Jones disse, além de "alguns problemas iniciais" com o sistema de reservas online, o festival correu melhor do que ela esperava. "Parece seguro lá, parece socialmente distanciado'', disse ela sobre os locais. Jones observou que a programação de filmes carecia dos sucessos de bilheteria habituais de Hollywood. "Pense em La La Land e A Forma da Água, que usaram Veneza como um trampolim para a fama do Oscar."

Confira os principais vencedores:

Melhor filme: Nomadland, de Chloé Zhao

Leão de Prata: Esposa de Espião, de Kiyoshi Kurosawa e 'Nuevo Orden, de Michel Franco

Melhor ator: Pierfrancesco Favino, por Padrenostro

Melhor atriz: Vanessa Kirby, por Pieces of a Woman

Melhor roteiro: The Disciple, de Chaitanya Tamhane

Prêmio especial do júri: Dear Comrades!

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