Espaço Itaú de Cinema
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‘O Fantástico Patinho Feio’ resgata episódio esquecido do automobilismo brasileiro

Documentário dirigido por Denilson Félix recupera história que se passa em Brasília em 1980 sobrem jovens que constroem carro de corrida

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2018 | 06h00

Para o público que talvez considere deprimente o retrato da política brasileira em Excelentíssimos, o belo e fortíssimo documentário de Douglas Duarte sobre o impeachment de Dilma Roussef, há um outro programa que pode ser muito mais palatável. O Brasil está querendo se reconstruir, e assim pode ter tudo a ver, como valor metafórico sobre o momento atual, outro documentário que também estreou na quinta, 22 – O Fantástico Patinho Feio, de Denilson Félix.

Na verdade, o que o diretor faz é recuperar uma história menos conhecida que também se passa em Brasília. Nos anos 1980, o País também estava querendo recomeçar e quatro jovens brasilienses constroem um carro para competir na segunda maior corrida nacional. Conseguem, e não vencem, mas chegam em segundo, o que para eles tem um sabor de vitória.

O próprio diretor introduz seu filme e se pergunta como essa história não chegou antes ao cinema? Mais de um crítico já se interrogou sobre esse mecanismo incrustado no imaginário das pessoas, que faz com que elas acreditem que o cinema existe para contar histórias extraordinárias. Não necessariamente – grandes mestres, alguns dos maiores, foram na contramão, contando histórias pequenas. Mas O Fantástico Patinho Feio tem seu valor. Mostra como e por que, na particular geografia de Brasília, onde os rachas de carros viraram divertimento – e o filme jamais questiona isso –, o automobilismo tinha mesmo de assombrar os jovens.

Os garotos ousados de 30 anos atrás viraram senhores que rememoram a mesma história. É curioso o partido da direção, porque cada um é mostrado em seu espaço e Denilson Félix corta para juntar os pedaços de depoimentos e torná-los mais dinâmicos, cada um lembrando um detalhe, ou se entusiasmando mais com algum aspecto particular da aventura. A euforia do rock de Brasília incrementa o começo da história, mas é um Clube do Bolinha, onde a mulher quase não aparece. Pela Oficina Camber, que esses garotos fundaram, passaram nomes importantes como Nelson Piquet. No final, eles saborearam o segundo lugar como se fosse o primeiro. É coisa rara no País que se acha do futebol, e nesse esporte não tem segundo. Só vale o primeiro.

 

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