O ‘Evangelho’ de Pasolini é o melhor filme sobre Jesus segundo o Vaticano

Produção do italiano ganhou nova avaliação da Santa Sé 50 anos depois do seu lançamento

EFE

23 de julho de 2014 | 16h01

O filme do diretor italiano Pier Paolo Pasolini O Evangelho Segundo São Mateus, de 1964, é “provavelmente o melhor sobre Jesus jamais rodado”, afirmou nesta quarta-feira, 23, o Osservatore Romano, jornal diário oficial do Vaticano.

Em um artigo do crítico de cinema Emilio Ranzato publicado no jornal e difundido pelos meios italianos, se sublinha o realismo do filme, que estreou no dia 4 de setembro de 1964 na Mostra de Veneza. Um realismo que Ranzato assegura que é “mais religioso do que laico”. No ano de lançamento, o filme recebeu o Leão de Prata do festival veneziano e o prêmio OCIC (Oficina Católica Internacional de Cinema).

Na produção, se podem apreciar “todos os elementos da atormentada e para muitos contraditória ideologia” do diretor, que cuja morte completa 40 anos em 2015.

Pier Paolo Pasolini, um cineasta polêmico, comunista e homossexual, encontrou nas parábolas e passagens do Novo Testamento material para construir uma aproximação humanista, neorrealista e quase marxista da vida de Jesus.

O Evangelho Segundo São Mateus, indicado a três Oscar e vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza, foi dedicado postumamente a João XXIII.

A crítica publicada agora pelo Vaticano contrasta com a fria acolhida que o filme teve na época do seu lançamento, quando o mesmo Osservatore Romano disse que o filme era “fiel à descrição, não à inspiração do Evangelho”. Agora, porém, o jornal do Vaticano expõe a valoração do crítico e dá ao filme uma relevância tal que chega a considerar que o seu autor manifestou uma “inspiração digna de um crente”.

O Vaticano ainda anunciou que realizou uma restauração da película em 16mm em preto e branco, conservada agora nos arquivos da Filmoteca Vaticana.

O material original já mostrava sinais do tempo e estava perdendo luminosidade, o que prejudicaria a intensidade das imagens, contou a Santa Sé por meio do jornal. Uma versão digital da obra também foi produzida para eliminar os defeitos das imagens originais.

O tratamento da obra de Pasolini representa uma ruptura no tratamento da história da religião no cinema. O veículo do Vaticano também recordou que depois desse filme, Pasolini tinha intenção de manter-se na trilha das histórias religiosas fazendo um filme sobre Paulo, do qual chegou a concluir o roteiro. O filme seria “uma produção ainda mais audaz”, porque Pasolini situava o santo na Nova York contemporânea, e ele terminava morto em uma cadeira elétrica numa prisão americana.

Pasolini, que também foi um poeta reconhecido, morreu aos 53 anos de idade, em Roma, sob circunstâncias nunca esclarecidas.

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