José Patricio/Estadão
José Patricio/Estadão

'O Duelo' oferece a José Wilker um belo fecho para sua carreira

Produção é cuidada e dirigida com empenho por Marcos Jorge

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 03h00

Anthony Quinn foi um ator mítico que teve grandes papéis em Hollywood. Ganhou duas vezes o Oscar de coadjuvante (por Viva Zapata!, de Elia Kazan e como o Gauguin de Sede de Viver, de Vincente Minnelli). Filmou na Europa com Federico Fellini (A Estrada da Vida) e Michael Cacoyannis (Zorba, o Grego). Quinn perseguiu durante anos o sonho de interpretar a adaptação do romance Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado. Chegou a encomendar um roteiro a Frank Pierson, que venceu o Oscar da categoria (por Um Dia de Cão). Esse roteiro pertencia à Warner, cuja divisão brasileira resolveu retomar o projeto.

É uma parceria da Warner com a Total Entertainment. As duas empresas chamaram Marcos Jorge para dirigir. Ele topou, mas não quis usar o roteiro de Pierson. Como contratado, e com total apoio dos produtores, escreveu a sua versão. O Duelo estreou na quinta-feira da semana passada. Teve publicidade, honrosas 70 cópias. Só não teve público. O Duelo fez míseros 7 mil espectadores no primeiro fim de semana. Cerca de 100 espectadores por cópia. Sessões tiveram de ser canceladas por ausência de público.

 

O desinteresse das plateias compromete uma obra que tem qualidades. Não é a menor delas o fato de oferecer a José Wilker um fecho admirável para sua carreira no audiovisual do País. “O Wilker foi Vadinho em outra adaptação de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos. Não imaginava que fosse morrer, mas acho que seu gesto final no filme (corra que ainda dá tempo, para ver qual é) é muito bonito. Wilker deve ter gostado da despedida. É coerente com o Vadinho”, disse o diretor ao repórter.

Embora não fosse um projeto pessoal do diretor de Estômago, O Duelo foi feito por ele com muito empenho. “Foi um filme relativamente caro, que mobilizou equipes muito talentosas de fotografia, direção de arte e cenografia. O livro se passa em Salvador, numa época precisa. No filme, é no Rio, numa época intemporal. Temos muitos efeitos que foram complicados de concretizar.” Não apenas a tempestade final, mas vários recursos, como a dança da odalisca no velório. “Utilizamos efeitos mecânicos e computadorizados que exigiram muito da competência dos técnicos.”

O Duelo é sobre esse velho lobo do mar, o comandante Vasco (Joaquim de Almeida), que volta à ativa e provoca ciúme no fiscal Chico Pacheco (Wilker), que o chama de farsante e resolve desmascará-lo. Quem está certo? “Para mim, é um filme sobre a representação da verdade. Não tomo partido, embora forneça algumas pistas. Quem decide é o público”, diz o diretor. Marcos Jorge considera que o filme foi uma prova de fogo para ele, como diretor de atores. “Joaquim é um ator técnico, Wilker era intuitivo. Não podia dirigi-los da mesma forma.” Para Cláudia Raia, só tem elogios. “É impressionante como a câmera ama certos atores e atrizes. Ocorre isso com Cláudia.” São virtudes, e acertos, dos quais o público, ao desertar das salas, está se privando. 

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